Não estou maquiado como as meninas
Mas ao avesso, rotas marcas pelo rosto
Inteiramente fermentado como o mosto
Recebendo o mundo todo escuro à retina
Joguei as canetas e desfiz todos os pactos
Nem a palavra dou ou a recebo entre pares
Vou pelo mundo como se navegasse mares
Fugindo às paragens, onde há apenas cactos
Ao longe, a flor, toda cercada de espinhos
Aos meus olhos já não dá muitos encantos
Navego introspecto, mas atento_ nem canto
Estou convicto e sem ilusão neste caminho
Sóbrio, impassível, antevendo as intenções
Sigo sem pressa, submetendo as emoções
Elói Alves
sábado, 2 de junho de 2012
quarta-feira, 30 de maio de 2012
VAZIO OPOSTO
A certeza tem-me escapado, vida afora
Ando tonteando e sem sentir-me
Sem saber quais são meus pés
Se ainda os trago ou me acompanham
Ignoro as cores, as decifrações, os outros
Não sei o que dizer, no entanto, digo
Dissimulando sensações sem convencer-me
Não posso afirmar que estou vivo
Nem convicto estou de coisa alguma
Se sei ou se não sei, se alguém sabe
Que afirmar o faço, mas muito incerto
Com a dúvida a consumir-me até os ossos
Nem certo estou de que sou gente
Se de gentil, de gentileza nada exponho
Estou oco e vazio constantemente
Oposto internamente à forma exposta
Elói Alves
Ando tonteando e sem sentir-me
Sem saber quais são meus pés
Se ainda os trago ou me acompanham
Ignoro as cores, as decifrações, os outros
Não sei o que dizer, no entanto, digo
Dissimulando sensações sem convencer-me
Não posso afirmar que estou vivo
Nem convicto estou de coisa alguma
Se sei ou se não sei, se alguém sabe
Que afirmar o faço, mas muito incerto
Com a dúvida a consumir-me até os ossos
Nem certo estou de que sou gente
Se de gentil, de gentileza nada exponho
Estou oco e vazio constantemente
Oposto internamente à forma exposta
Elói Alves
terça-feira, 29 de maio de 2012
O PESO DO MUNDO SOBRE OS INDIVÍDUOS: Algumas palavras sobre o "longânimo"
Eu estava a toa quando me veio essa palavra: longânimo. Anoitecia, eu havia saído do trabalho e vagueava como quem descansa a um só tempo o corpo e as ideias. Meio estranha a palavra longânimo. Há tempos que não a ouvia nem de mim mesmo. Não condiz com as palavras que tenho ouvido. Certamente está desatualizada, seja o que for o que queira dizer ser atualizado. Assim, fui indo para outros tempos, retrocedendo. Em pequeno foi que ouvi esta palavra pela primeira vez, recordei-me.
Morei longe de tudo em minha primeira infância. Nem nada havia às vezes. Matos, cabras, gentes dali, bem dali. E uns poucos rapazes já avançados, se atualizando no que diziam moderno, nos bailes, nas roupas, nas bebidas e brigas de bailes, que chamavam de “tretas”. Foi ali que ouvi de uns velhos essa palavra. Eu sabia que não podia ouvir as conversas dos velhos, mas ficava por ali como quem não quer nada. Esticava os ouvidos e ia guardando as palavras. Muita coisa não entrava, outras entravam e saiam, algumas sumiam com o tempo dando-se por mortas, para ressuscitar, toda empoeirada, em um dia longínquo ao findar de uma tarde: “longânimo”.
Certamente alguns velhos me influenciaram bem mais que os jovens modernos que “tretavam” nos bailes naquele tempo. Sendo assim, devo a qualquer velhinho minhas leituras de ainda criança dos provérbios de Salomão. Se não foi este, deve ter sido um outro - Paulo, Pedro, Davi - que me deu o derivado longanimidade. Devo dizer, de passagem, que não havia gibi da Mônica ao alcance de meus olhos. Mesmo num vilarejo do antigo entorno de São Paulo havia uma bíblia. Não havia gibis, nem bibliotecas, mas havia uma bíblia, um Bradesco, um pouquinho mais para o centro, uma assembleia de Deus, a igrejinha católica no alto da praça e terras, muita terra com campos de futebol, onde corríamos descalços, contentes da vida. E havia principalmente todo o tempo infinito e possível para viver aquela vida nos momentos mágicos de sua inocência e daquela liberdade.
A palavra longânimo é antiquada hoje, é desusada e estranha. Sobretudo longanimidade é mais incomum. Essas palavras significam ter um ânimo longo, que não se esgota rapidamente, algo flexível e duradouro. Lembra paciência, que é numa frase conhecida de Cícero a capacidade de suportar, “corpus patiens".
Não é apenas em relação aos outros que não se tem paciência e longanimidade hoje. É também em relação a si próprio, com seus projetos, com suas tarefas; uma ausência de consciência de uma constante auto-mutação. Há sim um comprometimento da relação com os outros, no trabalho, em casa, na escola, na rua, nas redes sociais; mas sua origem está por vezes em si próprio, no elo mínimo do todo. É uma questão de saúde em boa medida, psicológica ou de outras patologias; mais ainda, é já ao mesmo tempo algo mais complexo: uma doença da sociedade atual.
Há forças positivas e negativas em todas as direções no mundo de hoje, o que mostra a complexidade dos fenômenos. E as coisas não são gratuitas, existem interesses poderosos envolvidos. Mas para além de uma dualidade, há também dialética. Como se essas coisas estivessem misturadas no mesmo pote. Assim, como distinguir o bem e o mal?
O mundo de hoje parece pesado demais para os indivíduos. Tanto maior o é quando a sociedade sucumbe toda ela diante de seus problemas. Quando as instituições são mais fortes que os indivíduos e seus interesses tomam rumos opostos. O indivíduo de início fraqueja, depois aceita apenas “empurrar com abarriga”, rejeitando os grandes embates e destratando a si e ao próximo. E torna-se um reflexo dessa sua vida em quase tudo que faz.
Mas quero esperar que haja arte, haja audível música, haja alguma inocência, sobretudo haja indivíduos que se façam distintos, que se façam melhores. Que a paciência, fruto do cuidado de si, da projeção de si para com os outros imediatamente a sua volta ainda se renove. E que o prazer para si não seja o mal para o outro. Que a estranha palavra longânimo traga sua irmã: a longevidade, ainda que estejam fora de moda.
Morei longe de tudo em minha primeira infância. Nem nada havia às vezes. Matos, cabras, gentes dali, bem dali. E uns poucos rapazes já avançados, se atualizando no que diziam moderno, nos bailes, nas roupas, nas bebidas e brigas de bailes, que chamavam de “tretas”. Foi ali que ouvi de uns velhos essa palavra. Eu sabia que não podia ouvir as conversas dos velhos, mas ficava por ali como quem não quer nada. Esticava os ouvidos e ia guardando as palavras. Muita coisa não entrava, outras entravam e saiam, algumas sumiam com o tempo dando-se por mortas, para ressuscitar, toda empoeirada, em um dia longínquo ao findar de uma tarde: “longânimo”.
Certamente alguns velhos me influenciaram bem mais que os jovens modernos que “tretavam” nos bailes naquele tempo. Sendo assim, devo a qualquer velhinho minhas leituras de ainda criança dos provérbios de Salomão. Se não foi este, deve ter sido um outro - Paulo, Pedro, Davi - que me deu o derivado longanimidade. Devo dizer, de passagem, que não havia gibi da Mônica ao alcance de meus olhos. Mesmo num vilarejo do antigo entorno de São Paulo havia uma bíblia. Não havia gibis, nem bibliotecas, mas havia uma bíblia, um Bradesco, um pouquinho mais para o centro, uma assembleia de Deus, a igrejinha católica no alto da praça e terras, muita terra com campos de futebol, onde corríamos descalços, contentes da vida. E havia principalmente todo o tempo infinito e possível para viver aquela vida nos momentos mágicos de sua inocência e daquela liberdade.
A palavra longânimo é antiquada hoje, é desusada e estranha. Sobretudo longanimidade é mais incomum. Essas palavras significam ter um ânimo longo, que não se esgota rapidamente, algo flexível e duradouro. Lembra paciência, que é numa frase conhecida de Cícero a capacidade de suportar, “corpus patiens".
Não é apenas em relação aos outros que não se tem paciência e longanimidade hoje. É também em relação a si próprio, com seus projetos, com suas tarefas; uma ausência de consciência de uma constante auto-mutação. Há sim um comprometimento da relação com os outros, no trabalho, em casa, na escola, na rua, nas redes sociais; mas sua origem está por vezes em si próprio, no elo mínimo do todo. É uma questão de saúde em boa medida, psicológica ou de outras patologias; mais ainda, é já ao mesmo tempo algo mais complexo: uma doença da sociedade atual.
Há forças positivas e negativas em todas as direções no mundo de hoje, o que mostra a complexidade dos fenômenos. E as coisas não são gratuitas, existem interesses poderosos envolvidos. Mas para além de uma dualidade, há também dialética. Como se essas coisas estivessem misturadas no mesmo pote. Assim, como distinguir o bem e o mal?
O mundo de hoje parece pesado demais para os indivíduos. Tanto maior o é quando a sociedade sucumbe toda ela diante de seus problemas. Quando as instituições são mais fortes que os indivíduos e seus interesses tomam rumos opostos. O indivíduo de início fraqueja, depois aceita apenas “empurrar com abarriga”, rejeitando os grandes embates e destratando a si e ao próximo. E torna-se um reflexo dessa sua vida em quase tudo que faz.
Mas quero esperar que haja arte, haja audível música, haja alguma inocência, sobretudo haja indivíduos que se façam distintos, que se façam melhores. Que a paciência, fruto do cuidado de si, da projeção de si para com os outros imediatamente a sua volta ainda se renove. E que o prazer para si não seja o mal para o outro. Que a estranha palavra longânimo traga sua irmã: a longevidade, ainda que estejam fora de moda.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
AS RELAÇÕES ENTRE CAPITAL E TRABALHO NO BRASIL
Epígrafe: "O dinheiro que compra o pão dos pobres comprou antes o divertimento dos abastados" Machado de Assis
A relação capital/trabalho no Brasil não pode ser bem analisada sem um olhar que se dirija às suas contradições históricas, cujas origens vão lá séculos atrás, no período da colonização portuguesa. Neste contexto amplo é que se deu o formato rigoroso de suas relações, excludente e limitador, por um lado, e lucrativo e opressor, de outro.
Primeiramente, ao observar as implicações entre trabalho e lucro na formação de nossas relações, deve-se ter em conta o modelo rígido das condições impostas, com funções definidas como imutáveis que, passando pelo uso do escravo como meio de produção não-remunerável no latifúndio, objetivava, ao fim, apenas o lucro do senhor proprietário do engenho de açúcar e os tributos da Metrópole.
As mudanças no sistema político ocorridas no país, mesmo gerando expectativas, não produziram reformas na estrutura das relações entre capital e trabalho. Isto é, o trabalhador das fábricas, substituindo os escravos, não retiram do que produzem o mínimo para uma alimentação digna e para um básico cuidado do corpo, com o qual “fabricam” o lucro para os ocupantes do lugar dos senhores de engenho, que são, hoje, os empresários.
Desse modo, às mudanças políticas da sociedade brasileira, das recentes às mais remotas, jamais corresponderam quaisquer tipos de reformulação na estrutura das relações de trabalho e destinação do lucro, que continua, portanto, fundada na exploração e exclusão de uns, ou seja, dos trabalhadores (a maioria), e no enriquecimento de outros (a minoria), que são os ocupantes das classes abastadas, que decidem junto ao governo os destinos de todos os demais.
Elói Alves
A relação capital/trabalho no Brasil não pode ser bem analisada sem um olhar que se dirija às suas contradições históricas, cujas origens vão lá séculos atrás, no período da colonização portuguesa. Neste contexto amplo é que se deu o formato rigoroso de suas relações, excludente e limitador, por um lado, e lucrativo e opressor, de outro.
Primeiramente, ao observar as implicações entre trabalho e lucro na formação de nossas relações, deve-se ter em conta o modelo rígido das condições impostas, com funções definidas como imutáveis que, passando pelo uso do escravo como meio de produção não-remunerável no latifúndio, objetivava, ao fim, apenas o lucro do senhor proprietário do engenho de açúcar e os tributos da Metrópole.
As mudanças no sistema político ocorridas no país, mesmo gerando expectativas, não produziram reformas na estrutura das relações entre capital e trabalho. Isto é, o trabalhador das fábricas, substituindo os escravos, não retiram do que produzem o mínimo para uma alimentação digna e para um básico cuidado do corpo, com o qual “fabricam” o lucro para os ocupantes do lugar dos senhores de engenho, que são, hoje, os empresários.
Desse modo, às mudanças políticas da sociedade brasileira, das recentes às mais remotas, jamais corresponderam quaisquer tipos de reformulação na estrutura das relações de trabalho e destinação do lucro, que continua, portanto, fundada na exploração e exclusão de uns, ou seja, dos trabalhadores (a maioria), e no enriquecimento de outros (a minoria), que são os ocupantes das classes abastadas, que decidem junto ao governo os destinos de todos os demais.
Elói Alves
domingo, 20 de maio de 2012
ODORES DA CIDADE
Não quero ser preso por fazer apologia dos cheiros, mas nossa
cidade tem cheiro para todos os gostos - e para todos os desgostos também.
À entrada do shopping, a moça da loja de perfumes me convida, destacando mais sua beleza na simpatia do belo sorriso:
-Quer sentir?
-Sim, obrigado! - respondi, recebendo dela um pedacinho de papel perfumado.
O dela parecia mais agradável, dizia-me o meu olfato, comparando-o com a fragrância impregnada no papelzinho.
Trouxe-o comigo ainda por algum tempo, enquanto andava vagorosamente pela cidade. E meu olfato insistia sempre na comparação.
-Qual seria o perfume dela, perguntei-me, por fim?
Minhas reflexões foram interrompidas bruscamente pela fumaça do cigarro de uma mulher que veio olhar uma vitrine da loja de joias ao meu lado. Tentei ainda olhar uma flor coberta por ouro, mas meus pés ligeiros foram embora, na intriga dos sentidos, arrastando meus olhos que insistiam em olhar aquela bela flor, tão ricamente dourada.
Ao meio dia, fui encontrar ao pé do Teatro Municipal meu amigo Edu Moreira, que chegara de Portugal com novidades literárias.
-O velho continente continua lindo e pomposo - disse-me entre conversas diversas. Vamos sentar que quero lhe mostrar uma relíquia de Antero de Quental.
Estávamos na rua Formosa, no Vale do Anhangabaú, peripateteando, quando achamos uns bancos solitários em meio aos transeuntes.
Antes de sentar, verifiquei que estavam sujos e atravessamos a calçada em direção a uns assentos no lado oposto.
-O cheiro aqui não anda agradável, disse-me o Edu.
-E olha que o caminhão-pipa limpa isso todas as manhãs, com jatos fortíssimos. Vejo-o de minha janela todos os dias.
Fomos andando, cruzando o Vale em direção ao Mosteiro quando um leve vento espalhou pelo ar, mesclada às aromáticas sensações vindas das árvores de eucaliptos, a notificação de que fumavam livremente cigarros artesanais e proibidos. Mais à frente, a improvisação de um sanitário em espaço aberto misturou o cheiro de suas defecações com o da erva tragada. E subiam aos nossos narizes como incenso inaceitável. Não éramos deuses, certamente, para receber aquela estupenda oferenda!
Na Líbero Badaró fomos, no entanto, agraciados com os perfumes mais agradáveis que usavam os transeuntes em passeio na hora do almoço. Além do perfume, a elegância e a beleza lutavam para limpar minha mente dos odores maléficos. Para, ao fim, se dizer: “Compensa!”
Mas, infelizmente, com tantos perfumes, não sei com qual deles, minha alergia atacou-se. Almocei mais rápido que do costume, agradeci ao Edu sua gentileza e voltei para meu apartamento, para purificar-me sob as intensas águas do meu inodoro chuveiro.
Elói Alves
À entrada do shopping, a moça da loja de perfumes me convida, destacando mais sua beleza na simpatia do belo sorriso:
-Quer sentir?
-Sim, obrigado! - respondi, recebendo dela um pedacinho de papel perfumado.
O dela parecia mais agradável, dizia-me o meu olfato, comparando-o com a fragrância impregnada no papelzinho.
Trouxe-o comigo ainda por algum tempo, enquanto andava vagorosamente pela cidade. E meu olfato insistia sempre na comparação.
-Qual seria o perfume dela, perguntei-me, por fim?
Minhas reflexões foram interrompidas bruscamente pela fumaça do cigarro de uma mulher que veio olhar uma vitrine da loja de joias ao meu lado. Tentei ainda olhar uma flor coberta por ouro, mas meus pés ligeiros foram embora, na intriga dos sentidos, arrastando meus olhos que insistiam em olhar aquela bela flor, tão ricamente dourada.
Ao meio dia, fui encontrar ao pé do Teatro Municipal meu amigo Edu Moreira, que chegara de Portugal com novidades literárias.
-O velho continente continua lindo e pomposo - disse-me entre conversas diversas. Vamos sentar que quero lhe mostrar uma relíquia de Antero de Quental.
Estávamos na rua Formosa, no Vale do Anhangabaú, peripateteando, quando achamos uns bancos solitários em meio aos transeuntes.
Antes de sentar, verifiquei que estavam sujos e atravessamos a calçada em direção a uns assentos no lado oposto.
-O cheiro aqui não anda agradável, disse-me o Edu.
-E olha que o caminhão-pipa limpa isso todas as manhãs, com jatos fortíssimos. Vejo-o de minha janela todos os dias.
Fomos andando, cruzando o Vale em direção ao Mosteiro quando um leve vento espalhou pelo ar, mesclada às aromáticas sensações vindas das árvores de eucaliptos, a notificação de que fumavam livremente cigarros artesanais e proibidos. Mais à frente, a improvisação de um sanitário em espaço aberto misturou o cheiro de suas defecações com o da erva tragada. E subiam aos nossos narizes como incenso inaceitável. Não éramos deuses, certamente, para receber aquela estupenda oferenda!
Na Líbero Badaró fomos, no entanto, agraciados com os perfumes mais agradáveis que usavam os transeuntes em passeio na hora do almoço. Além do perfume, a elegância e a beleza lutavam para limpar minha mente dos odores maléficos. Para, ao fim, se dizer: “Compensa!”
Mas, infelizmente, com tantos perfumes, não sei com qual deles, minha alergia atacou-se. Almocei mais rápido que do costume, agradeci ao Edu sua gentileza e voltei para meu apartamento, para purificar-me sob as intensas águas do meu inodoro chuveiro.
Elói Alves
Leia o primeiro capítulo de As pílulas
do Santo Cristo romance de Eloi
Alves:
http://realcomarte.blogspot.com.br/2012/10/as-pilulas-do-santo-cristo-1-capitulo.html
http://realcomarte.blogspot.com.br/2012/10/as-pilulas-do-santo-cristo-1-capitulo.html
Abaixo, pode-se ler também o prefácio feito pelo escritor e mestre em Literautra Comparada pela FFLCH-USP prof. Edu Moreira: http://realcomarte.blogspot.com.br/2012/11/prefacio-de-as-pilulas-do-santo-cristo.html
terça-feira, 15 de maio de 2012
PROLE MALIGNA
Tenho por irmão o primogênito
De Satanás, seu fétido e velhaco pai
Germinado em fogo e enxofre, sem um ai
À semelhança do pai, de mal congênito
Encarregaram-me de ampliar a ignorância
De grão-mestre, todavia, trasvestido
Pomposo e erecto, ao inverso e invertido
Trazendo a privação na bolsa da abundância
Ministro da justiça meu irmão foi investido
Togado, ao latim, e repleto de valores
Mas, dia e noite, trabalhando com os piores
Promovendo a contenda em nome da bondade
Mudando o escrito e invertendo os sentidos
Mas aplaudido de pé nos salões da sociedade
Elói Alves
De Satanás, seu fétido e velhaco pai
Germinado em fogo e enxofre, sem um ai
À semelhança do pai, de mal congênito
Encarregaram-me de ampliar a ignorância
De grão-mestre, todavia, trasvestido
Pomposo e erecto, ao inverso e invertido
Trazendo a privação na bolsa da abundância
Ministro da justiça meu irmão foi investido
Togado, ao latim, e repleto de valores
Mas, dia e noite, trabalhando com os piores
Promovendo a contenda em nome da bondade
Mudando o escrito e invertendo os sentidos
Mas aplaudido de pé nos salões da sociedade
Elói Alves
sexta-feira, 11 de maio de 2012
ENIGMAS E ANGÚSTIAS
Há dias que me nutre uma angústia,
Poros adentro, formigando sutilmente
Potência se fazendo pela ausência
De tudo, de nada, de mim mesmo
Ando vagueando como ébrio, vagaroso
Perdido, disforme, no contra-fluxo
Sem arranjo possível, desfazendo-me
Trago desejos, no entanto
De fazer que venha e que se vá
De romper a dor e fazer redemoinhos
Tocando o espaço simplesmente
Abrandar o mar e mandá-lo agitar-se
Não vi o ontem, e já é cedo
Mas nem tanto, que o sol se faz
Tão forte sobre minha inconsciência
O vai e vem, o enigma do monstro
As ondas frenéticas do aço vital
Irretilíneas sobre corpos que se perdem
Crianças e criadas se diluem
O espaço incontrolável de apenas planos
A metamorfose se inicia e se perde
Sem saber qual o seu fim
Vencer o mundo ou por ele ser vencido...
Elói Alves
Do livro Sob um céu cinzento
Conheça e adquira os livros do autor:
http://realcomarte.blogspot.com.br/p/as-pilulas-do-santo-cristo-adquiri.html
Poros adentro, formigando sutilmente
Potência se fazendo pela ausência
De tudo, de nada, de mim mesmo
Ando vagueando como ébrio, vagaroso
Perdido, disforme, no contra-fluxo
Sem arranjo possível, desfazendo-me
Trago desejos, no entanto
De fazer que venha e que se vá
De romper a dor e fazer redemoinhos
Tocando o espaço simplesmente
Abrandar o mar e mandá-lo agitar-se
Não vi o ontem, e já é cedo
Mas nem tanto, que o sol se faz
Tão forte sobre minha inconsciência
O vai e vem, o enigma do monstro
As ondas frenéticas do aço vital
Irretilíneas sobre corpos que se perdem
Crianças e criadas se diluem
O espaço incontrolável de apenas planos
A metamorfose se inicia e se perde
Sem saber qual o seu fim
Vencer o mundo ou por ele ser vencido...
Elói Alves
Do livro Sob um céu cinzento
Conheça e adquira os livros do autor:
http://realcomarte.blogspot.com.br/p/as-pilulas-do-santo-cristo-adquiri.html
Leia o primeiro capítulo de As pílulas do Santo Cristo romance de minha autoria, lançado pela Linear B Editora
http://realcomarte.blogspot.com.br/2012/10/as-pilulas-do-santo-cristo-1-capitulo.html
http://realcomarte.blogspot.com.br/2012/10/as-pilulas-do-santo-cristo-1-capitulo.html
quinta-feira, 10 de maio de 2012
BRASIL TEM MAIS DE 50% DOS DOMÍCILIOS SEM ESGOTO, MESMO COMO SEXTA ECONOMIA MUNDIAL
Mesmo como a sexta economia do mundo, o Brasil tem mais de 50% de seus domicílios sem esgoto, segundo dados mostrados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e estatística (IBGE).
Em 2008, 54,3% dos domicílios no país não tinham adequada coleta de esgoto. Apesar da imensa propaganda em torno do crescimento econômico do país e da esperança que se deposita nisso, a realidade social da maioria das pessoas está muito longe do que se diz pela grande imprensa e nos discursos das autoridades políticas. Outro fator dramático é o péssimo uso do dinheiro arrecadado pelo Estado por meio de impostos, que não chega aos fins adequados, como a saúde e a educação da maioria das pessoas, pois é gasto indevidamente em propaganda pelos governos ou desviado pela corrupção.
Elói Alves
Em 2008, 54,3% dos domicílios no país não tinham adequada coleta de esgoto. Apesar da imensa propaganda em torno do crescimento econômico do país e da esperança que se deposita nisso, a realidade social da maioria das pessoas está muito longe do que se diz pela grande imprensa e nos discursos das autoridades políticas. Outro fator dramático é o péssimo uso do dinheiro arrecadado pelo Estado por meio de impostos, que não chega aos fins adequados, como a saúde e a educação da maioria das pessoas, pois é gasto indevidamente em propaganda pelos governos ou desviado pela corrupção.
Elói Alves
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