sábado, 29 de dezembro de 2012

O GUIA E O CEGO

        -O Senhor esteja convosco- expressou-me um cego à beira do caminho, com uma voz sem cores!
        Propus-lhe seguir como guia.
        -A estrada da esquerda é caminho das mortes- disse-me magramente.
        Os tempos não andam bem. Era melhor entrar, convidou-me à sua porta.
        -Partilhemos meu pão e um copo d`água.
        Hoje estou às apalpadelas, como ele outrora. Arrancaram-me os olhos durante as passadas, mas não me deixaram parar.
        Os ventos passam e cumprimentam-me, agarrados a distantes e frias notícias. Meu guiado já está morto. A água trazia veneno e o pão não lhe susteve a vida.
Elói Alves

Leia o primeiro capítulo de As pílulas do Santo Cristo romance de Eloi Alves:
http://realcomarte.blogspot.com.br/2012/10/as-pilulas-do-santo-cristo-1-capitulo.html

Abaixo, pode-se ler também o prefácio feito pelo escritor e mestre em Literautra Comparada pela FFLCH-USP prof. Edu Moreira: http://realcomarte.blogspot.com.br/2012/11/prefacio-de-as-pilulas-do-santo-cristo.html

Adquirir o livro:http://realcomarte.blogspot.com.br/p/as-pilulas-do-santo-cristo-adquiri.html

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

OS POLÍTICOS PAPAI NOEL (Perguntero)

     
       No Brasil - e também em países chamados ricos, como os EUA, em que há muitíismos pobres e mendigos pela rua e milhões de imigrantes trabalhando em regime análogo a servidão antiga, pois correm o risco de serem presos e deportados sem direito a nada - os políticos, dos mais populares e lisongeados, têm cultivado e cultuado o hábito de visitar mendigos e comunidades “carentes” e exploradas durante o natal.
      Na verdade,  a prática é muito antiga. Contam-se muitas histórias do velho Jânio Quadros se fazendo ele mesmo de pobre, caindo de fome durante as campanhas políticas. O próprio Getúlio Vargas instituiu o culto a sua pessoa com seu populismo e intitulou-se de “pai dos pobres”, como ultimamente se faz por aqui.
       Será que é o espírito natalino que enche de bondade esses nossos políticos justamente nesse dia do menino Jesus que os faz visitar os abandonados por suas políticas, os roubados pela corrupção, descuidados pela fraudes e desvios da educação ao longo de todo o ano e anos - sem tocar na robustez de nosso SUS?
       Interessante que a tarefa dos políticos não seria fácil se estivessem dispostos a visitar a todos os mendigos dos centros brasileiros, pois o número vem sempre crescendo. Até os termos, agora sociológicos, vêm se cunhando continuadamente. “Moradores de rua”, "moradores em situação de rua", "população de rua", além de mendigos, andarilhos, pedintes etc. Até as associações de moradores de rua não têm se multiplicado?
      Ora, é preciso que apareçam novos políticos, porque os que ai estão não podem dar conta de visitar tantos mendigos numa única noite natalina;  aliás não será devido a essa árdua tarefa que precisam das segundas e sextas feiras livres, além dos recessos e das visitas às suas "bases", chamadas também de "curral eleitoral"? Acho importante e chego a propor ao menino da manjedoura que envie-lhes às ruas um político que lhes sejam “o pai dos mendigos”, “o pai dos sem teto” e que seja verdadeiro, do mesmo modo como já nos tem enviado "os veradeiros amigos do pobres" e que talvez por isso seja preciso que os mantenham pobres.  Não é bom se perpetuarem as veradeiras amizades e genuínas paternidades?
      Ma peço também que não gerem muito mais do que ai estão, porque senão poderei também ter novo pai e depois de velho já me acostumei a ser órfão desses pais natalinos. Alguém ai quer um pai Noel?  Que tal todo mundo sorridente - mesmo se dentes - para uma foto com o político Noel?
Zé Nesfasto Perguntero

Leia o primeiro capítulo de As pílulas do Santo Cristo romance de Eloi Alves:
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Abaixo, pode-se ler também o prefácio feito pelo escritor e mestre em Literautra Comparada pela FFLCH-USP prof. Edu Moreira: http://realcomarte.blogspot.com.br/2012/11/prefacio-de-as-pilulas-do-santo-cristo.html

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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O FEIO NO SUPERLATIVO

     O superlativo não convém aplicar-se à feiúra, nem o analítico e tampouco o sintético, cuja compressão, neste caso, suprime a beleza que configura-se em massa, disforme e densa. Mesmo que vista-se com o disfarce eufêmico e colorido da fealdade, torna-se desumana ou no mínimo deselegante.
     Para que classificar a feiúra em graus e degraus que a intensificam mais e mais, como se ser feio estritamente já não bastasse? Para que dizer que alguém é muito feio, ou muitíssimo feio, feiíssimo?
     O superlativo tem seu assento assente nos meios denominados cultos e atribuem-se belezas e elegâncias diversas. No entanto, seu uso pode andar por via reversa. O cruel tem se tornado cruelíssimo e até de modo cru vestido-se de crudelíssimo, mas vem sempre triste, choroso e mal vestido, andarilho de via obscura.
     O nazismo, na Alemanha, o fascismo, na Itália e para onde correu depois e perambula hoje, são dessas molduras. A intensificação do adjetivo leva sempre a eterna pergunta: para que? Para que romper-se mortífero, já no desumano e em si extremado, dos venenos atômicos que emudecem a história?
     “Os pobres sempre estarão convosco”, diz Cristo aos discípulos- mas para que se fazem paupérrimos? Para que as as distâncias econômicas se agigantam tornando os miseráveis miserabilíssimos?
       A questão lingüística torna-se mera capa da essência atrofiada pela hipertrofia. Esticam-se superlativamente os mentirosos, os ratoneiros- lábio-disfarçantes- em crudelíssimos enganadores, em ancestrais do pai da mentira que incham em grau extremo as casas parlamentares e executivas, carcomidas por todos os vícios.
      A metáfora da miséria são os ossos secos que insistem em por-se de pé. Sua insistência é a pregação muda e corrosiva que penetra pela história, que tentam maquiar inutilmente os políticos com seus discursos e propagandas de “paz e amor” e promessas salvadoras. A história tem seu subsolo descolorido, impermeável às tinturarias da propaganda. Suas tintas perecem com sua passagem fétida.
     Para que roubar superlativamente um país inteiro? Infectar todo um organismo com mazelas apadrinhadas, de bocas roedoras? Por que não contentar-se com ações apenas feias? É preciso levá-las a semântica do horrendo sem abrir mão do radical?
     Sou pelo meio-termo, uma posição mediana entre o santo e o pecador: para que se vestir de deuses se sabemos- até pelo cheiro- que os diabos perfumam-se com enxofre e trazem a cara horribilíssima, maquiada superlativamente com as cores da incoerência?
Elói Alves

Leia o primeiro capítulo de As pílulas do Santo Cristo romance de Eloi Alves:
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Abaixo, pode-se ler também o prefácio feito pelo escritor e mestre em Literautra Comparada pela FFLCH-USP prof. Edu Moreira: http://realcomarte.blogspot.com.br/2012/11/prefacio-de-as-pilulas-do-santo-cristo.html

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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

TRAGÉDIA NO NATAL

       Era natal. A cidade reluzia na beleza de todos os seus enfeites. O principal viaduto da cidade fora adornado com luzes e flores natalinas. Do fundo do vale, sob o qual passavam os carros, eregiam-se enormes eucaliptos esplendidamente iluminados, indo competir, em seu ápice, com os postes do charmoso viaduto.
       À frente do moderno edifício da Prefeitura, papai noel agigantado recebia as crianças que subiam nos trenós, onde os pais as fotografavam com as renas. As moças faziam pose para as fotos e os namorados beijavam-se embebidos da paixão e da alegria. Do outro lado do viaduto, o enorme shopping, de frente para o enorme templo da música clássica em cujo lado estava o teatro, explendoroso em sua bela arquitetura barroca, enfeitava a cidade com suas cortinas vermelhas envoltas em fitas verdes, perfiladas em suas infindáveis janelas.
       De repente, ouviu-se um barulho estranho. Algumas pessoas olhavam para baixo do viaduto. Era um infeliz que dera cabo à sua vida. Havia pouco estava absorto, perto da enorme árvore de natal. Uma criança, que corria, tropeçou em suas pernas, frias e duras, sem que o homem desse com nada. Apenas continuou parado. 
Estava ali há algum tempo e na verdade andava já em outro mundo.
        Havia saído de casa fazia dias, quando leu no celular da mulher as mensagens do amante. Pegou algumas vezes na faca, mas seu filho estava sempre por perto. Saiu, então, para rua e instalou-se em um hotel no centro. Nesses dias pouco comeu e nada trabalhou. Passara horas no quarto do hotel e às vezes saia à rua, como agora, olhando o nada.
        Da árvore de natal foi caminhando em direção ao shopping. Sempre lento, como se não houvesse se movido, olhando para o infinito de si mesmo. Estacou-se, de repente, no meio do viaduto. Apaupou a mureta e mirou o longe, como se olhasse ao alto, onde a bandeira, hasteada na escuridão, dizia-lhe: "ORDEM E PROGRESSO".
         Logo voltou de si, como se tivesse saído da amargura. Levou a mão direita à camisa amassada e tirou do bolso uma foto. Beijou-a com um beijo gélido: era um menino loiro. Depois subiu a mureta e saltou para encontrar o fundo do vale.
         No mesmo instante, das janelas do shopping, um coral de crianças órfãs encheu a cidade com seu lindo canto natalino
Elói Alves


Leia o primeiro capítulo de As pílulas do Santo Cristo romance de minha autoria:
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Abaixo, pode-se ler também o prefácio feito pelo escritor e doutor em Literautra Comparada pela FFLCH-USP Edu Moreira: http://realcomarte.blogspot.com.br/2012/11/prefacio-de-as-pilulas-do-santo-cristo.html
 
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sábado, 15 de dezembro de 2012

O PESO DO MUNDO SOBRE OS INDIVÍDUOS: Algumas palavras sobre o "longânimo"

        Eu estava a toa quando me veio essa palavra: longânimo. Anoitecia, eu havia saído do trabalho e vagueava como quem descansa a um só tempo o corpo e as ideias. Meio estranha a palavra longânimo. Há tempos que não a ouvia nem de mim mesmo. Não condiz com as palavras que tenho ouvido. Certamente está desatualizada, seja o que for o que queira dizer ser atualizado. Assim, fui indo para outros tempos, retrocedendo. Em pequeno foi que ouvi esta palavra pela primeira vez, recordei-me.
        Morei longe de tudo em minha primeira infância. Nem nada havia às vezes. Matos, cabras, gentes dali, bem dali. E uns poucos rapazes já avançados, se atualizando no que diziam moderno, nos bailes, nas roupas, nas bebidas e brigas de bailes, que chamavam de “tretas”. Foi ali que ouvi de uns velhos essa palavra. Eu sabia que não podia ouvir as conversas dos velhos, mas ficava por ali como quem não quer nada. Esticava os ouvidos e ia guardando as palavras. Muita coisa não entrava, outras entravam e saiam, algumas sumiam com o tempo dando-se por mortas, para ressuscitar, toda empoeirada, em um dia longínquo ao findar de uma tarde: “longânimo”.
         Certamente alguns velhos me influenciaram bem mais que os jovens modernos que “tretavam” nos bailes naquele tempo. Sendo assim, devo a qualquer velhinho minhas leituras de ainda criança dos provérbios de Salomão. Se não foi este, deve ter sido um outro - Paulo, Pedro, Davi - que me deu o derivado longanimidade. Devo dizer, de passagem, que não havia gibi da Mônica ao alcance de meus olhos. Mesmo num vilarejo do antigo entorno de São Paulo havia uma bíblia. Não havia gibis, nem bibliotecas, mas havia uma bíblia, um Bradesco, um pouquinho mais para o centro, uma assembleia de Deus, a igrejinha católica no alto da praça e terras, muita terra com campos de futebol, onde corríamos descalços, contentes da vida. E havia principalmente todo o tempo infinito e possível para viver aquela vida nos momentos mágicos de sua inocência e daquela liberdade.
         A palavra longânimo é antiquada hoje, é desusada e estranha. Sobretudo longanimidade é mais incomum. Essas palavras significam ter um ânimo longo, que não se esgota rapidamente, algo flexível e duradouro. Lembra paciência, que é numa frase conhecida de Cícero a capacidade de suportar, “corpus patiens".
Não é apenas em relação aos outros que não se tem paciência e longanimidade hoje. É também em relação a si próprio, com seus projetos, com suas tarefas; uma ausência de consciência de uma constante auto-mutação. Há sim um comprometimento da relação com os outros, no trabalho, em casa, na escola, na rua, nas redes sociais; mas sua origem está por vezes em si próprio, no elo mínimo do todo. É uma questão de saúde em boa medida, psicológica ou de outras patologias; mais ainda, é já ao mesmo tempo algo mais complexo: uma doença da sociedade atual.
Há forças positivas e negativas em todas as direções no mundo de hoje, o que mostra a complexidade dos fenômenos. E as coisas não são gratuitas, existem interesses poderosos envolvidos. Mas para além de uma dualidade, há também dialética. Como se essas coisas estivessem misturadas no mesmo pote. Assim, como distinguir o bem e o mal?
        O mundo de hoje parece pesado demais para os indivíduos. Tanto maior o é quando a sociedade sucumbe toda ela diante de seus problemas. Quando as instituições são mais fortes que os indivíduos e seus interesses tomam rumos opostos. O indivíduo de início fraqueja, depois aceita apenas “empurrar com abarriga”, rejeitando os grandes embates e destratando a si e ao próximo. E torna-se um reflexo dessa sua vida em quase tudo que faz.
        Mas quero esperar que haja arte, haja audível música, haja alguma inocência, sobretudo haja indivíduos que se façam distintos, que se façam melhores. Que a paciência, fruto do cuidado de si, da projeção de si para com os outros imediatamente a sua volta ainda se renove. E que o prazer para si não seja o mal para o outro. Que a estranha palavra longânimo traga sua irmã: a longevidade, ainda que estejam fora de moda.
Elói Alves
 Leia o primeiro capítulo de As pílulas do Santo Cristo romance de minha autoria
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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

LANÇAMENTO DE AS PÍLULAS DO SANTO CRISTO -


 

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Pode-se fazer aquisição do livro no escritório do autor no centro de São Paulo, com data marcada pelo telefone (11) 9633-27172 ou pelo email:eloialves75@hotmail.com
 
 O livro está disponível em ebook PDF: R$ 9,99
 
Prefácio:
Primeito capítulo:
Segundo Capítulo:
 




 

domingo, 25 de novembro de 2012

ORAI PELA PALESTINA E POR TODA CIDADE

       Orai pela Palestina. Infelizmente este salmo não existe. Está por escrever-se, mas oxalá fosse escrito - por inspiração de Jeová, ou Alá, de Zeus ou Júpiter ou por Tupã e por nosso singelo anseio de harmonia - não em pedras desérticas ou papiros carcomidos e sim em mentes sãs, quais já poucas temos no seio enfermado do interesse econômico que se serve do belicismo industrial, do fanatismo, do desespero e tantos outros meios. Quem nos dera fosse escrito nos corações sensíveis ao bem comum, à convivência pacífica.
      Mas do lado de cá do heminsfério não estamos tão tranquilos. No Brasil mata-se mais que em muitas guerras. No recente conflito entre Israel e Palestina, mísseis foram disparados em direção a Jerusalem sem ferir um só pessoa, felizmente. Uma criança palestina morreu nesta quarta-feira, (21/11) em um novo ataque israelense contra o edifício que abriga o escritório da Agência France Presse (AFP) na Faixa de Gaza.
       Por aqui, mesmo não havendo guerras declaradas, os enfrentamentos entre policiais e criminosos e os ataques a civis, seja em assaltos ou em execuções têm levado a números de vítimas que assustam, embora o Estado em todos os seus níveis pouco sempre fez (e faz e pouco fará) para combater o crime organizado, a circulação de armas, inclusive as de grande porte e as de uso exclusivo das forças armadas.
     A mesma esperança e sonho do “dreamer” de Imagene dos Betles resta, no entanto. Imaginar “um mundo sem fronteiras”, imaginar “todas as pessoas vivendo seus dias em paz”. Para que haja paz em Jersalem, porém, como diz no salmo, tão belo e esperançoso, é preciso que haja paz na Palestina.
     Igualmente para que as pessoas vivam em paz pelas ruas de nossas cidades brasileiras será preciso que a perversa situação social se altere, que a corrupção estatal seja combatida, que juristas e operadores do Direto conheçam, amplamente, a realidade social, que o pensamento, já muito enraizado na sociedade, que indica que o crime e a irregularidade compensam seja alterado por meios legítimos e justos, que os espírito ou pensamento dos homens se altere, para recepção do bem dos que querem realmente a paz.

 Leia o primeiro capítulo de As pílulas do Santo Cristo
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Abaixo, pode-se ler também o prefácio feito pelo escritor e mestre em Literautra Comparada pela FFLCH-USP Edu Moreira:

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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

LIVROS

Luz Total - Cláudio Laureatti
Livro de poemas, disponível no site da AGBOOK,  de autoria de Claudio Laureatti, poeta, ator e cidadão.
Cláudio é diretor artístico da AEP (Associação de Escritores Paulistanos).

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

CONVITE PARA O LANÇAMENTO DE "AS PÍLULAS DO SANTO CRISTO"

     No próximo dia 27, terça feira, a Editora Linear B fará o lançamento do livro "As pílulas do Santo Cristo", romance de minha autoria. O evento será realzado no Restaurante Rose Velt, Praça Roosevel, 124 com início às 19:00 e encerramento às 21:30. Gostaria de convidar a todos e ao mesmo tempo agradecê-los pelas dedicadas leituras de meus textos. O exemplar do livro terá o preço de lançamento a R$ 30,00.
Grato,
Elói Alves

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domingo, 11 de novembro de 2012

SOBRE OS "AMIGOS DOS POBRES"

     "Um rei, longe de proprcionar subsistência a seus súditos, tira deles a sua" Rousseau, Contrato Social

     Acabo de vir da rua com meu coração ainda saltando, em júbilo!
     Ora, indo pela rua Líbero Badaró, esse nosso mártir de quase dois séculos, vi uns papeis em cores chamativas espalhados pelo chão. Como não é época de eleição, devia ser propaganda útil - pensei. Julgai por aí se o era, mas minha alegria emergiu ali.
    Dizia o panfleto, abaixo da foto de três políticos abraçados e risonhos:
    “OS TRÊS VERDADEIROS AMIGOS DOS POBRES E DA CLASSE MÉDIA".
     Não sei se meu coração exagera ou ando carente, mas regozijei em saber que, finalmente, os pobres terão esses amigos, raros, e que são, principalmente, amigos verdadeiros.
     Fiquei todavia com certa dó dos ricos - agora excluídos e talvez deprimidos -, mas contrabalancei esse meu fraco sentimento com a histórica notícia, que concluí daí, de que os pobres terão esses tão nobres amigos ao almoço e ao jantar e à ceia de fim de ano, que poderão ser saboreados, alternadamente, em suas casas, sejam onde forem, ou nas casas dos nossos verdadeiros amigos, digo dos pobres e da classe média, nas Câmaras, nas Assembleias, no Congresso, nos palácios, no Planalto Federal, onde encontrarem-se Suas Verdadeiras Amizades.
     Os ricos que sosseguem! Já possuem o bastante, inclusive milhões que desperdiçam, doando-os para as milionárias campanhas eleitorais daqueles que os excluíram agora do rol de seus “verdadeiros amigos”. Também todos aqueles que enriqueceram com a corrupção que sofram calados, padecendo sem a companhia dos nobres amigos do povo pobre. E não só esses, mas todos os grandes empresários, proprietários de petrolíferas, de refinarias, industriais, empreiteiros que restrinjam-se às suas amizades menos nobres e menos influentes, porque - para vosso choro – doravante, o povo terá sozinho o privilégio que era e fora só vosso. Ouso dizer que teremos, a partir de já e oxalá para sempre, um governo dos pobres e dos ex-oprimidos.
     Quanto a mim, que não tenho a honra de ser incluído nessas nobres amizades, porque nem os fui apresentado e ando meio atarefado, além de ser tímido, não entendendo nada de suas conversas, contento-me em saber que, mesmo com o analfabetismo funcional impregnado na formação de tanta gente que sai das escolas e das faculdades sem entenderem e interpretarem bem os textos, sem conhecimento básico dos diferentes gêneros textuais e das muitas manobras e formas de convencimento e persuasão retórico-política, além de outros males sociais, contento-me em saber que os pobres estão, como nunca, repletos e acompanhados de tão maravilhosas e benditas e verdadeiras e magníficas amizades!
Elói Alves

 Leia o primeiro capítulo de As pílulas do Santo Cristo romance de minha autoria

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sábado, 10 de novembro de 2012

A EDUCAÇÃO E A DITADURA POLÍTICA (Perguntero)

      Sabe-se que com uma má educação, o nível de discussão torna se cada vez mais baixo. É sabido também que mesmo os “formados” muitas vezes não acompanham com profundidade muitas das relevantes discussões políticas, históricas e sociais, uma vez que o nível da educação em geral é infelizmente baixo. Prova cabal disso é o deslavado nível de fanatismo de tanta gente que se acha “sabido”, na verdade são intolerantes a diferenças de opinião, de gosto em todos os níveis. Super valorizam sua visão de mundo – que para cada um nunca é míope - em detrimento de outras. Querem que prevaleçam seu time, sua religião, seus hábitos, o gosto dos iguais, seu partido- e mesmo dentro desse, quer que governe seu líder preferido e até pessoal.
      Nossa sociedade ou nosso “amontoado de indivíduos” mostra ainda que está bem distante de uma razoável boa convivência entre as diferenças, ainda que seja bonito defendê-la discursiva e teoricamente. Inicia-se pela indiferença com o outro para recair finalmente no conformismo de todas as espécies.
       Aliás, será que há interesse de que as coisas sejam realmente discutidas? Há entre nós o gosto pela dialética, pela “outridade”, pela audição da narrativa alheia, pela experiência do outro? Por que os temas que realmente importam são jogados à margem das discussões políticas e não entram nas campanhas eleitorais, e menos ainda circulam no congresso, que deveria ser a maior casa de debates? Por que o instituto do plebiscito é historicamente negado aos cidadãos no Brasil e quase em toda parte do mundo?
       E - a última, se me permitem - se um líder político que tenha grande poder de convencimento popular e fás incondicionais decretar ditadura política, esses seus fás lutarão contra ele ou o ajudaram a acabar com a oposição que restar, aniquilando-a?
Zé Nefasto Perguntero

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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Capa do livro AS PÍLULAS DO SANTO CRISTO

Esta é capa do livro "As pílulas do Santo Cristo", romance de minha autoria, cujo lançamento será realizado no dia 27 de novembro, no Restaurante Rose Velt, praça Roosevelt, 124, centro de São Paulo, das 19 às 22 h. A editora é a Linear B.

Leia o primeiro capítulo de As pílulas do Santo Cristo :http://realcomarte.blogspot.com.br/2012/10/as-pilulas-do-santo-cristo-1-capitulo.html

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sábado, 3 de novembro de 2012

Prefácio de AS PÍLULAS DO SANTO CRISTO

      Abaixo, postei um trecho do prefácio de meu romance "As pílulas do Santo Criso", Linear B Editora, feito pelo escritor e professor Edu Moreira, mestre em Literatura Comparada pela FFLCH-USP e autor do romance "O jornalista".

       Prefácio por Edu Moreira
       "Elói Alves nos leva a uma praça pública para experimentar as Pílulas de Cristo. Para os que têm fé, ou para os que acham que a têm, o autor oferece um pedaço de chocolate que curaria os males da humanidade. Um emplasto aos ignorantes, para lembrar o Bruxo do Cosme Velho epigrafado. Em tom irônico, o autor traça um panorama da modernidade das grandes metrópoles. A escolhida, com não podia deixar de ser, é São Paulo – seu centro, seu cerne, seu útero que pari violência, o estômago que digere a hóstia feita por mãos impuras. Uma organi-cidade onde o jeitinho, a corrupção, a apatia social, o estelionato são potencializados por uma população cansada, pobre e acima de tudo complexada.
      Placeborréia.
     Fé e ciência na verdade são dois lados de uma mesma moeda quando o objetivo é se dar bem. Em seu processo narrativo, Elói mostra a criação de um mito, de um mártir (ou mártires), o que para nosso país não é de fato difícil. Basta boa retórica, olhar carismático: pronto, criam-se mitos e organizações, assim como o PCC, o Comando Vermelho e a Universal do Reino de Deus.
      É mostrada a cidade visceral, repleta de gritos num tumulto amorfo. As ruas do centro tornam-se centopeias e perambulam por si mesmas, em círculos, quadrados, quarteirões e desenhos geométricos vistos de cima, de baixo e do subsolo. Tipos das mais variadas estirpes urbanas são explorados pelo autor. Transeuntes que habitam às margens da lei e da cidade. - Se queres um relógio, terás facilmente, se queres uma carteira do exame da Ordem, terás, se queres um atestado médico terás, se queres o CRM, terás, e tudo isso limpo, limpo. – Porém nada é limpo na literatura de Elói; as relações humanas são rebaixadas ao nível da cordialidade falsa, da educação contraditória, da ajuda traidora e da atenção conveniente.
     (...)"
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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A ÚLTIMA MORADA DA SABEDORIA

     É bom ter amigos. Principalmente amigos gentis. Eu guardo alguns e algumas em uma lista de coração, digo, de cor, que dá no mesmo, pelo latim, uma língua considerada morta por muitos. Lembrei-me disto a propósito de uma crônica onde um amigo achou algo que nomeou como: Sabedoria. Agradeci a gentileza, que julgo própria daquela alma pura que adoçou-me a vida no período da faculdade, corrido e extenuante. Não lhe pedi mais análises filosóficas ou semânticas, nem literárias. Infelizmente, hoje a Sabedoria não está assim tão à mão ou tão aos olhos - nesta era de miopia de alma.
     A Sabedoria era em outro tempo muito encontradiça. Houve quem lhe contou mil casas numa certa cidade antiga, onde repousava. Ali reunia-se com sua irmã mais próxima, que chamava-se Prudência, guardiã da Discrição.
     Além de suas casas, vivia nas de seus amigos, onde era querida e sempre bem vinda. Em Somos, viveu um tempo grande com Pitágoras. A pesar de evitar uma ágora onde houvessem sofistas, gostava de deixar-se pelas praças e pelas ruas. Conta dessa época sua amizade com Diógenes – o cínico.
     Sua afinidade com tais homens fez surgir os filósofos – que eram os amigos da Sabedoria. Depois surgiram homens que não a conheciam e chamavam a si mesmos de sábios.
     Mas os impérios se fortaleceram. A Soberba e Impiedade foram então honradas nos palácios e nas praças, condecoradas com moedas de ouro.
     E a Sabedoria exilou-se em lugares longínquos.
     Contam uns manuscritos históricos, resgatados por arqueólogos, que nos tempos da idade média, um ermitão que fugira para as grandes florestas da Escócia ali conviveu com ela. Era uma vida impar. Grandes cavaleiros o foram encontrar, perdendo-se pelas florestas e morrendo nelas. Dizem que eram assassinados pela Ganância. É dessa época o desaparecimento de muitos cavaleiros da távola redonda. Mas Ricardo Coração de Leão com seu grande amigo Ivanhoé, quando se refugiaram naquelas florestas, no exílio pela libertação de seu povo, encontraram o ermitão. Este lhes salvou a vida, com abundantes vinhos e carne de javali. Mas a sabedoria _ contou o ermitão aos nobres cavaleiros _ morrera antes de solidão e tristeza.
     Meu amigo deixou-me curioso de saber se há por ai ainda alguma pequena notícia da Sabedoria. Quereria saber ao menos onde está sua última casa, para passar por lá, com algumas flores, neste dia de finados.
Elói Alves

 
 Leia o primeiro capítulo de As pílulas do Santo Cristo  romance de minha autoria:
http://realcomarte.blogspot.com.br/2012/10/as-pilulas-do-santo-cristo-1-capitulo.html

Abaixo, pode-se ler também o prefácio feito pelo escritor e doutor em Literautra Comparada pela FFLCH-USP Edu Moreira: http://realcomarte.blogspot.com.br/2012/11/prefacio-de-as-pilulas-do-santo-cristo.html
 

domingo, 28 de outubro de 2012

AS PÍLULAS DO SANTO CRISTO (2º capítulo)


As pílulas do santo Cristo, romance de Elói Alves lançado em novembro de 2012




Editora Linear B



O advento das pílulas (2º capítulo)

     No restaurante, enquanto almoçávamos, fui indagando-os sobre as seqüências da história inacreditável de como os três futuros médicos, jovens tão lúcidos e de raciocínio tão brilhante, com tão bela e promissora carreira acadêmica entraram naquela confusão, indo parar na delegacia, sendo escrachados pelos jornais e pela opinião pública. Ao longo da oitiva da narrativa que me faziam, o interesse puramente advocatício a partir de que eu pretendia começar a minha defesa processual foi esvaindo-se e dando lugar, aos poucos, a uma curiosidade que passou a me absorver inteiramente, conduzindo toda a minha atenção para um olhar íntimo e detalhista dos vazios humanos e dos meandros e encruzilhadas em que se veem muitas vezes os homens e do lugar que encontram entre estes o racional e o adventício.
     A questão fora a seguinte:

     Os três tinham chegado à difícil situação de gastar seus últimos recursos sem ter mais de onde tirar outros, sequer para as demandas básicas, que não lhes pediam pouco. O curso na faculdade era integral, os livros eram muito caros e o que os pais lhes enviavam do interior para ajudar nas despesas não era suficiente para quase nada.
      Como as dívidas acumulavam-se indefinidamente, foram cortando onde as sobras ainda permitiam, que era praticamente em lugar nenhum, e, assim, logo passaram a tirar do essencial. No fim de um tempo, deixaram de pagar o aluguel do apartamento que dividiam no centro da cidade. Depois, o condomínio entrou na mesma lista de débitos. O próximo passo, que era inevitável, era também o último: estavam na iminência de ser despejados. 
     A solução não parecia simples. Não podiam trabalhar o tempo suficiente para ganhar uma quantia que resolvesse o problema, que aliás ia sempre aumentando. Depois, ainda assim ganhariam apenas como estagiários, que era o mesmo que nada, na situação em que se encontravam. Não demorou muito e o condomínio os intimou à justiça, com ultimato para que deixassem o apartamento, por vontade própria ou por ordem judicial e por força da polícia.
Cogitaram ainda sobre algumas possibilidades: Empréstimos financeiros, abandono temporário do curso em função de emprego, um apenas trabalhasse enquanto os outros dois se formariam. Pululavam as hipóteses, contudo, não escorria delas um simples acordo.
     Depois de um momento, Pedro, que era o mais atirado, propôs a ideia de se por em prática algo que diziam às vezes por brincadeira: distribuir as pílulas de Cristo.
     -Como será isso?- perguntou Teodoro.
     -Muito simples- disse Pedro. Vamos à praça com nossas roupas brancas e lá oferecemos chocolates para as pessoas, apenas trocando o nome para pílulas do Santo Cristo.
     -Mas que chocolates?- insistiu Teodoro, sem entender o negócio.
     -Convém que seja de um tipo diferente- afirmou Silvano, interessando-se. Podemos fazer em casa, com marca registrada.
     -Sim- continuou Pedro, tomando a frente. Totalmente típico e sui generis, desde o sabor à própria forma.
     -E vocês, por acaso, entendem de coisas da bíblia?- insistiu ainda Teodoro.
     -Ora, Teodoro!- fez Pedro, aumentando a voz. Atualmente não se usa mais a bíblia a toda hora. Mesmo nas religiões, isso já é antiquado. Somente o presidente do Paraguai ainda jura com a mão sobre a bíblia.
     -E o que sai foi cassado e o que entra é golpista- emendou Silvano, rindo.
     A coisa deu mais certo do que esperavam. Já de início houve grande sucesso e eles reuniram muitos adeptos, que simpatizavam com suas ideias, logo à primeira vista. Vestidos inteiramente de branco, com avental pelos joelhos, seguravam uma bandeja com pequenos tabletes redondos de chocolate e anunciavam em tom moderado e firme:
     -Conheçam as pílulas do Santo Cristo, são o alívio pronto para todos os males!
     Os desempregados e ociosos que lotavam a praça vieram logo ver a novidade, formando-se uma roda que Teodoro, com típica vocação adjutória, ia organizando ao entorno deles. Não havia doutrina nem liturgia alguma, nem o povo as requeria nem indagava por elas. Apenas anunciava-se a nova medicina milagrosa das pílulas de Cristo e muitos dentre a multidão incessante de transeuntes, ansiosos por coisas novas, vinham ao encontro dela.
     Os doentes também pouco tardaram, juntando-se rapidamente aos primeiros; e, desse modo, o número ia sempre crescendo. Assim, os inúmeros ajuntadores de gente que lotavam a praça acharam agora uma terrível concorrência. O homem da cobra, o que se queima no fogo, o que mastiga pregos e cospe pedras, o que esconde a bolinha entre os dedos no jogo das tampinhas, o que vende raízes, o que advinha os números de documento de identidade com olhos vendados e até os outros religiosos e as prostitutas começaram a perder clientes.
     E como alguns dos novos adeptos anunciavam publicamente que tinham conseguido dinheiro, após a sagrada ingestão das pílulas, os roubadores de bolsas e levantadores de carteiras, os jogadores de cartas, os vendedores de sonhos e os que emitiam certidão de idoneidade e antecedentes criminais, os que repassavam entorpecentes e alucinógenos, os estelionatários e até alguns políticos vieram conhecer a nova seita. 
     Na manhã do terceiro dia, Silvano veio até Pedro, que levantara-se acima dos outros na liderança, e lhe pediu permissão para receber as doações em bens, porque o povo, comovido e agradecido, insistia nisso e nem sempre se trazia dinheiro em espécie. Pedro afirmou logo que a Sublime Medicina não era ingrata nem soberba, que Silvano recolhesse os bens que viessem de bom coração e de modo voluntário. Mas o advertiu severamente em seguida:
     -Só não receba relógios, porque não há encrenca maior na Praça da Sé de que se por a mão em relógios.



Adquirir exemplar do livro:




LEITURAS DE "AS PÍLULAS DO SANTO CRISTO" NA TOCA DOS ESTUDANTES


Ontem, 27, estive no já tradicional  sarau da Organização Toca dos Estudantes, de cujos trabalhos participo já há alguns anos e a qual sou grato. A leitura consistiu nos dois primeiros capítulos do romance "As pílulas do Santo Cristo" de minha autoria e que será lançado dia 30 de novembro.

Leia abaixo, o primeiro capítulo de "As pílulas do Santo Cristo", romance de minha autoria, cujo lançamento será no dia 30 de novembro( irei postar o segundo proximamente).

sábado, 27 de outubro de 2012

AS MÚSICAS ELEITORAIS, A LAVAGEM CEREBRAL E A LOUCURA (Perguntero)

     
       Até a última noite, eu guardava a inflexível convicção de que votaria nulo. No entanto, pelo meio desta madrugada acordei- ou fui acordado- sacudindo-me sem parar, cantando uma música eleitoral e dizendo que eu era o número XY, que é o número do partido e de seu candidato.
      Depois de uma pausa no sacudimento, fui ao banheiro e tomei um banho e consegui dormi um pouco, mas, ainda assim, sonhei que minha família toda era XY, meus vizinhos, os cachorros e os mendigos que vejo de minha janela, dançando ao som da música XY.
      Pela manhã, quando minhã mãe me ligou, ao invés de dizer “Alô”, cantei, inesperadamente: “Minha mãe é XY, minha mãe é XY, minhã é XY”, mas ela me interrompeu de lá com um grito:
     -Passa, Satanás!
Neste instante, música XY deixou os meus lábios e eu perguntei assustado a minha mãe, tão pia:
     -Que isso, mãe, sua excelência o candidato é um Satanás?
     Aí ela explicou-me que estava expulsando o Satanás, que é nome do gato de sua vizinha e que tinha acabado de entrar pela janela e ia lhe roubando a carne que deixara sobre a pia.
     Bem, contudo isso, tentei ainda me reposicionar para a nulidade eleitoral, no entanto, confesso que estou com muito receio de que continue com XY na cabeça, ou talvez mesmo que eu seja o próprio "Pintinho Piu" da música plagiada ou copiada autorizadamente, que segundo me informou uma professora de educação infantil, foi composta para os bebês pequenos e não, para os grandes.
    Do jeito que estou, será que, quando eu apertar o 'NULO” na urna eletrônica, ele saltará à minha frente cantando: “eu também sou XY, o nulo é XY, o nulo é XY, o nulo é XY? Ou será que estou é ficando ensandecido, doido com tudo isso e com essa capanha que nunca acaba?
Zé Nesfasto Pwrguntero
Leiam, no link abaixo, o primeiro capítulo de "As pílulas do Santo Cristo", romance de Elói Alves, cujo lançamento será no final de novembro.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

OS FILHOS DA POLÍTICA (Perguntero desvairado)

      
      Entre os conhecidos protestos que os espanhois vêm fazendo nos últimos tempos contra a crise político-econômica, achei diferente e interessante o que ia na camisa de algumas manifestantes: " las putas insistimos que los políticos no son nuestros hijos".
       Votei muito justo que essas moças repilam com veemência a suposta maternidade, negando com toda ênfase que esses seres sejam fruto de seu ventre.
        Porém, veio-me logo a pergunta: será que não seria o contrário, sendo muitas delas filhas dos políticos e da política?
Na verdade, estou com dúvidas entranháveis: a paternidade será de quem gera ou de quem assume?
        Ora, a bíblia reza que o “diabo é o pai da mentira” (ainda que Lúcifer negue), mas são os políticos quem mais a nutrem e não largam dela, confessando o que convêm ou não sabendo de nada conforme a ocasião, negando, muitas vezes, que eles são eles próprios.
        É corrente também se auto-denominarem “o pai do povo”, "a mãe dos pobres". Nesse caso, quem é que gera a pobreza? E quando um determinado político enriquece sem trabalho que o justifique, quem será o pai de sua riqueza?
        Se são pai dos pobres, não são também mantenedores e perpetuadores da pobreza? Ou são pai dos pobres, mas o pobre que se vire pelas ruas e pelas esquinas e em outros lugares inumanos?
A última dúvida (prometo! Não, não prometo!): os políticos gostam de dar o leite e outros mantimentos em porções diárias, que é para o amamentado ter força para vo(l)tar sempre no próximo dia, para próxima dosagem, racionada perpetuamente. Porém, no caso de quem “mama nas tetas do governo”, será que a dose é apenas em pequeninas porções diárias? Basta por hoje!
Zé Nefasto Perguntero
       Leiam, no link abaixo, o primeiro capítulo de "As pílulas do Santo Cristo", romance de Elói Alves:
http://realcomarte.blogspot.com.br/2012/10/as-pilulas-do-santo-cristo-1-capitulo.html

 POESIA CINZA - Análise do livro Sob um céu cinzento
 http://realcomarte.blogspot.com.br/2014/09/poesia-cinza-analise-de-sob-um-ceu.html

domingo, 21 de outubro de 2012

AS PÍLULAS DO SANTO CRISTO (1º capítulo)

     As páginas seguintes formam o primeiro capítulo do romance de minha autoria lançado pela Linear B Editora em novembro.



As pílulas do Santo Cristo





     Elói Alves





     Linear B editora









  



© Elói Alves






1ª edição: novembro de 2012





Dados Internacionais de Catalogação na Publicação – CIP





Doutores na delegacia
     Quando ingressei na universidade, eu tinha apenas dezessete anos e estava totalmente perdido. Ainda nos primeiros dias, travei amizade com um grupo de veteranos do curso de medicina, de quem me acerquei por longo tempo. Era o meu sonho ser médico, mas como não obtive nota suficiente nos exames vestibulares, conformei-me com o curso de Direito, que, àquela época, exigia nota inferior.
     Andei muito apegado a esses meus colegas. Era de causar estranheza ao pessoal do meu curso, que, provavelmente, sentia-se preterido ou discriminado. Por longo tempo, acompanhei-os nos cafés e nas festas. Gostava também de vê-los vestidos de branco. Estavam entre esses os melhores amigos que reuni durante os anos que passei na universidade.
     Um dia, sem o mínimo aviso, alguns deles sumiram. Era comum que um ou outro desaparecesse por uns dias, ocupado em quaisquer afazeres; no entanto, desta vez, houve um grupo que resolveu ausentar-se ao mesmo tempo, sem que eu tivesse noção alguma de onde andavam.
     Alguns meses depois, numa manhã antes das aulas, sendo aquele o quarto ano de minha graduação, vieram me trazer, no saguão de entrada, os jornais do dia, com uma notícia estarrecedora.

10 . As Pílulas do Santo Cristo

     − Olha quem está preso!- disseram-me.
Eram três dos meus amigos mais próximos, todos do curso de medicina. Peguei os jornais e os li rapidamente, ali mesmo de pé.
     − Mas não será engano? − perguntei, sem convicção.
     − Que nada !− disse-me um companheiro de turma. Aí diz tudo. Estão numa geladeira! Foram presos em uma delegacia próximo da Sé. Estelionato, curandeirismo, falsificação de remédios. Enfim, pegam pelo menos uns dez anos cada um. Se já estivessem formados, teriam subterfúgio jurídico. Mas ainda precisam de uns seis meses para colar grau.
     Desisti imediatamente das aulas e me dispus a ir à delegacia. Provavelmente, nem suas famílias, que eram do interior, estivessem já informadas. Na saída, peguei ainda uma gravata com um amigo e coloquei-a no pescoço. Era preciso que me apresentasse adequadamente.
     Durante o caminho, fui montando uma defesa possível. Não me parecia haver necessidade de um pedido de habeas corpus, todavia, fui conjecturando algumas ideias básicas, assentes no Direito e que vinham à ocasião. Tinham residência fixa, sem antecedentes criminais, não eram delinquentes que apresentassem periculosidade, eram estudantes de uma universidade pública, em um curso de alta relevância social. Porém, o problema maior era se ficassem detidos. Como não tinham terminado o curso, seriam postos em uma cela comum, com dezenas de presos por metro quadrado.
     Não sei como me lembrei naquele instante de que a universidade dava um documento com status de provável bacharel ao aluno de último ano. Aferrei-me a esta nomenclatura e me preparei para enfrentar o delegado.
     Quando cheguei à delegacia, os três tinham sido levados a uma cela, onde havia também outros presos. Apresentei-me e pedi para ver meus clientes.
     − No momento será impossível, doutor!- disse-me o delegado.
     − Como, doutor? − devolvi-lhe, mas sem desafiá-lo. Meus clientes não se negam a responder à justiça nem pretendem obstar o trabalho do Ministério Público, mas devem ter o benefício que a lei lhes outorga. Ademais, são prováveis bacharéis de uma universidade pública.
     Fiz, propositadamente, mais sonoros os termos bacharéis e universidade pública, no entanto, o delegado interrompeu-me.
     − Seja como for, doutor. Veja o barulho que o caso está fazendo, os jornais da cidade e até os protestos da Igreja.
     − Não nego, doutor! − retruquei, retomando a palavra. Apenas lhe digo, com a devida vênia, que observe o fato de que meus clientes não possuem antecedentes, têm origem em famílias de cidadãos decentes e uma formação que será útil à sociedade. Além disso, todos têm residência fixa e responderão aos chamados que lhes fizer a justiça. Com a máxima licença, doutor, não havendo decisão judicial em contrário, o que se impõe no momento é impetrar a fiança e dar-lhes a saída, para que aguardem em liberdade a tramitação do inquérito, que, além do mais, meus clientes não podem permanecer em prisão comum.
      Nesse instante, o delegado recebeu a notícia de que haviam roubado um banco praticamente contiguo ao estabelecimento policial, onde havia reféns e um soldado, seu subordinado, tinha sido ferido. Em questão de segundos, ele colocou o paletó, pegou a arma e correu a uma sala adjacente. Depois voltou às pressas, chamando os policiais que o acompanhavam:
     − Rápido! Rápido! Vamos!
     Já fora, aparecendo à porta, gritou a seu auxiliar para que providenciasse a soltura dos estudantes, de acordo com a lei e pagando a fiança.
     Na rua, a confusão era grande. Por todas as partes, viam-se policiais com fuzis nas mãos e viaturas estacionadas, além de outras que chegavam com sirenes ligadas. O trânsito, totalmente parado, ia sendo desviado para ruas paralelas por policiais e por agentes da Companhia de Tráfego. Ao redor, o povo, apesar dos cordões de isolamento que bloqueavam a passagem, ia enchendo as ruas e as calçadas para conhecer o que acontecia.
     Caminhando com os três, pelas vias do centro da cidade, agora mais solto e aliviado, atendi o organismo que me lembrava de verificar as horas. Olhei no pulso esquerdo, os ponteiros abraçavam-se afetuosamente no meio do dia ao som rítmico dos eternos tic-tac. A propósito, convoquei os amigos com uma pitada de malícia:
     − O almoço fica por conta dos meus clientes!

Adquirir exemplar do livro:


Ler o segundo capítulo de As pílulas do Santo Cristo no link: http://realcomarte.blogspot.com.br/2012/10/as-pilulas-do-santo-cristo-2-capitulo.html








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