O almoço de domingo era muito animado e a comida era servida numa mesa grande, feita de peroba. Tio Gerbúlio tinha ascendência moral nas conversas e dividia a palavra com nosso avô, que usava um tom mais sério. Como as conversas eram mais pitorescas, Gerbúlio se saía mais.
Nosso avô voltara do Sul de Minas adoentado e o médico disse que era a água da roça.
Ainda assim, chegou-se à mesa, devagar, e comeu aos poucos e calado.
Quando terminou, levantou um copo e dis
-Bota aqui, Gerbúlio, dessa cachacinha mineira.
Dona Eudésia protestou furibunda, pois não era o diabo de uma água que lhe tinha feito mal.
-Larga os diabos, mulher, devolveu ele com o copo à boca! Água que deu, água que leve!
Jão Gerbulius Sobrinho
sábado, 1 de outubro de 2011
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
NOVO IMPOSTO PARA A SAÚDE. SAÚDE DE QUEM? (Perguntero)
O governo federal e sua base no congresso estão procurando meios de recriar um imposto para a saúde. Mas devido aos desgastes políticos com a extinta CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras), que teve outros destinos e não ajudou a melhorar o Sistema de Saúde, eles estão mais cautelosos nas declarações. O Brasil é hoje um dos países mais ricos e que mantém os maiores tributos, que não voltam em benefícios para a sociedade. Mas, por que há esta necessidade de um novo imposto? O governo precisa de mais dinheiro? Será ele mais um necessitado, como as multidões que nos pedem dinheiro pelas ruas? Será mesmo para a SAÚDE o novo imposto? Se sim, para saúde quem?
Zé Nefasto Perguntero
Zé Nefasto Perguntero
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
ESTADOS UNIDOS VETARÃO ESTADO PALESTINO. ESTADO DE ISRAEL SURGIU COM VOTO DE UM DIPLOMATA BRASILEIRO
Discurso do Ex-chanceler brasileiro Celso Amorim na ONU - diplomacia brasileira tem papel histórico nas relações internacionais
O Conselho de Segurança da Nações Unidas (ONU) está reunido para examinar o pedido de adesão da Palestina como membro da ONU na condição Estado. O Conselho de Segurança é formado por quinze membros, sendo cinco deles membros permanentes com direito a vetar quaisquer decisões tomadas por este órgão. Em uma decisão democrática a Palestina poderia intergrar-se como membro com apenas nove dos quinze votos. Mas o problema está no poder de veto dos Estados Unidos, um dos cinco membros que possuem este poder e que está totalmente fechado à adesão palestina pela ONU. O presidente Obama declarou que o caminho não é uma declaração nem uma Resolução das Nações Unidas e sim o diálogo bilateral entre Israel e Palestina. Ao assumir a presidência dos EUA, Obama se mostrava como uma esperança para questões como um possível Estado palestino, mas sua política tem se tornado a mesma da era Bush. Israel também declarou que as manifestações de países da América do Sul, como Brasil, a favor do Estado palestino é entendida como uma intervenção indevida na região. Esta manifestação de Israel é bastante desrespeitosa para com a atitude da diplomacia brasileira, que foi responsável pelo voto decisivo que permitiu a criação do Estado de Israel, com o voto de desempate de Osvaldo Aranha em 1948.
Elói Alves do Nascimento
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
TIO GERBÚLIO E O ASSALTO À LIVRARIA
Envergado sobre o balcão da livraria Padre Dimas, na rua São Francisco, o gerente embrulhava com cuidado os livros de padre Gelfrido, que tio Gerbúlio fora buscar.
Os ponteiros de um velho relógio na parede marcavam dez horas da manhã e a livraria estava vazia. Apenas Gerbúlio, que agora olhava um quadro da crucificação, fazia companhia para o gerente.
Muito calmo, apareceu um rapaz magro que foi ao balcão e disse secamente:
-Um assalto!
-De que autor, perguntou o gerente, sem tirar os olhos do embrulho
-Eu mesmo, devolveu o rapaz, mostrando-lhe o revólver.
Um policial civil, que via tudo do outro lado da rua, deu voz de prisão ao assaltante, à saída da livraria.
Tio Gerbúlio, sem entender bem o que se passara, recebeu o embrúlho do gerente que lhe disse baixinho:
-Livros não são feitos para bandidos.
Jão Gerbulius Sobrinho
sábado, 10 de setembro de 2011
ANÚNCIOS PELA CIDADE
"PROCURA-SE" dizia o título de anúncio em um cartaz de um poste, próximo à Câmara Municipal de São Paulo no viaduto Jacareí. Apreensivo a princípio, fui relaxando, no entanto, e logo o achei pitoresco. Era sobre uma dessas aves que falam ou tentam falar. Havia sumido fazia dias, era um xodó para a família, sentia-se falta em casa, em fim, dizia a palavra “tatá” e seria recompensado com dinheiro o bom coração que o achasse e o devolvesse. Demorei-me ali um instante e minha namorada veio também ler o anúncio e acabou-se rindo.
Em caminho a um teatro da Brigadeiro Luis Antônio fui me lembrando de alguns anúncios antigos e curiosos que me ficaram à cabeça. Depois da época dos outdoors a cidade mudou de cara com a entrada em vigor em 2007 da “ Lei da Cidade Limpa”. Mas quem está habituado à cidade desde os anos anteriores vai se lembrar de como sua paisagem era diferente. Quem vai atualmente de São Paulo aos municípios da região metropolitana, ou faz o caminho inverso, sente rapidamente a diferença. Eu mesmo levei um susto há coisa de um ano quando fui a uma palestra em uma escola na entrada de Taboão da Serra, indo pela Avenida Francisco Morato, logo ali depois do Butantã. A escola funcionava em uma casa pequena e térrea, a rua era estreita e sem saída, a placa via-se a novecentos metros, com o nome e o lema da instituição em letras e cores chamativas.
Um dos lugares de maior concentração de publicidade externa era os grandes corredores viários da cidade, como as Marginais Tietê e Pinheiros e a Avenida Radial Leste. Mas as avenidas menores não ficavam excluídas. Na Rebouças, na Avenida São
João, na Rua da Consolação, na Avenida Doutor Arnaldo largos espaços eram ocupados por outdoors, placas, faixas de vários tipos e tamanhos. Também as faixadas dos prédios eram pintadas com anúncios ou tinham cartazes gigantescos colados em suas laterais, de modo que muito antes de se entrar na cidade já se podia ler na parte alta dos prédios do centro propagandas de roupas, marcas de calcinhas e cuecas, nomes de galerias comercias e a insistente ordem para se tomar coca-cola.
Mas a disputa por espaços não era harmônica nem benévola. Algumas marcas mais poderosas ocupavam os melhores locais ao longo de todo o ano. No entanto, em períodos eleitorais, mesmo marcas internacionalmente conhecidas não podiam disputar com alguns nomes tradicionais ou economicamente mais poderosos da política. No período da campanha as marcas comerciais cediam espaço às caras engravatadas dos candidatos. Mesmo alguns vereadores tinham propaganda em nível de candidato a prefeito. Era colossal.
Algumas propagandas nos distraiam, é verdade. Outras eram aturáveis. Mas a maioria era um tédio. Tédio infernal às vezes, quando a mesma placa era posta em grande quantidade numa mesma via. Dessa estirpe eram aquelas propagandas do candidato de quem não gostávamos. E lá estava ele, enorme, dando-lhe jóia e olhando no fundo dos seus olhos, rindo-se; e você querendo chorar.
Na parte da estratégia o publicitário não podia brincar. A concorrência era grande, o povo andava saturado, como ele iria captar atenção? Houve um de que me lembro bem, e nem sei como classificá-lo, que foi uma peça única. Numa segunda feira, ao entrar na Radial Leste, vi um outdoor de fundo branco com os dizeres garrafais: “ELE VEM A!”. Na verdade, foi espalhado por vários pontos da cidade. Na terça, ele não veio, nem na quarta; na quinta, já não tinha mais graça alguma. Mas na segunda feira da outra semana, ele lá estava no outdoor seguinte da série, firme e imponente: era um talco que fulminaria de vez com o chulé.
A Lei da Cidade Limpa surgiu com intenção de acabar com a poluição visual da cidade, proibindo a publicidade externa como autdoors, painéis em faixadas de prédios, backlights e frontlighs. Além disso, traz a proibição de anúncios publicitários em ônibus, táxis e bicicletas. Essas medidas e outras regulamentações da lei provocaram fervorosos debates na imprensa e em diversos setores da sociedade paulistana à época de sua promulgação e ainda hoje é tema importante e bastante recorrente.
Uma implementação dessa altura gera naturalmente vários descontentamentos. Nem todos que são contrários à lei deixam de ter bons argumentos para criticá-la e, assim, suas razões. O empresário quer anunciar seus produtos, o comprador precisa de ter ciência de tal fato. O empresário para anunciar contrata um agência de publicidade; ambos pagam impostos com essas atividades; precisam ainda de funcionários para levar as tarefas a cabo, gerando emprego para a população; e, por sua vez, o proprietário que cede o espaço para a placa de publicidade ganha também o seu dinheirinho.
Essas razões parecem ser boas e louváveis, mas também há o lado da cidade, de como fica ela em meio a tudo isso? É neste ponto que entra o papel da sociedade e do gestor público. Aí está a questão de ver o que é melhor para a cidade no seu todo. Como fazer a cidade mais limpa, como combater e diminuir a poluição visual e de outras naturezas, como melhorar a qualidade de vida dos que a habitam, que implica em resolver os problemas da cidade. Sem dúvida é uma questão complexa que exige firmeza e compreensão em seu enfrentamento.
Um meio termo são boas alternativas. O administração pública pode combater a poluição visual por outros meios, menos rigorosos. Poderia recorrer a conscientização das pessoas em geral, do empresário. Poderia ainda oferecer incentivos fiscais aos empresários de boas ações. Por outro lado, o empresário poderia anunciar também por outros meios. Há hoje a mídia eletrônica, a internet, as redes sociais, blogs, microblogs, além de torpedos por meio dos quais se pode atingir novos consumidores, inovar em seus meios de comunicação com seus clientes. Além disso, estão aí à disposição os velhos espaços dos classificados dos jornais, das revistas especializadas, o rádio e a televisão.
A cidade de São Paulo é com efeito um microcosmos, um mundo dentro do mundo onde as coisas fervem e borbulham, onde os interesses são vários e diversos. Para isso está a administração pública, com a tarefa de regulamentar, normatizar e ordenar o espaço público, procurando ajustar-se ao bem da vida comum dos munícipes.
Mas a Lei da Cidade Limpa tem uma tarefa árdua, pois, tanto organizações de todos os tipos e tendências como os populares possuem um espírito propagador. Quando
não se contentam em anunciar verbalmente, como faziam os arautos dos reis antigos, usam os inventos de Gutemberg, isto é, o papel e a tinta, que é mais interessante por ser mais moderno, sobretudo quando combinados com outros meios ou técnicas de imprensa ou de publicidade..
Mesmo depois dessa nova regulamentação, tenho saboreado vários anúncios jocosos dos quais lembrarei apenas um. Era de um jornalzinho do centro sem boa diagramação onde se dizia ter perdido certa quantia de dinheiro, que não era muito. Sem maiores provas, dava apenas as ruas por onde havia passado no dia em que o perdera. Tinha ido da baixada do Glicério à praça do Patriarca e andado por outras ruas imediatas. Lamento mesmo que tenha andado tanto e não vejo nada de inverossímil em que se perca dinheiro entre tantos milhares e até milhões de transeuntes que se esbarram e até se atropelam na correria do dia-a-dia no centro. O que me parece mais difícil, para dizer pouco, é alguém conseguir achar algum, e, se o achar, ter o tempo suficiente de abaixar para pegá-lo.
Elói Alves
As pílulas do Santo Cristo, romance de Elói Alves
Em caminho a um teatro da Brigadeiro Luis Antônio fui me lembrando de alguns anúncios antigos e curiosos que me ficaram à cabeça. Depois da época dos outdoors a cidade mudou de cara com a entrada em vigor em 2007 da “ Lei da Cidade Limpa”. Mas quem está habituado à cidade desde os anos anteriores vai se lembrar de como sua paisagem era diferente. Quem vai atualmente de São Paulo aos municípios da região metropolitana, ou faz o caminho inverso, sente rapidamente a diferença. Eu mesmo levei um susto há coisa de um ano quando fui a uma palestra em uma escola na entrada de Taboão da Serra, indo pela Avenida Francisco Morato, logo ali depois do Butantã. A escola funcionava em uma casa pequena e térrea, a rua era estreita e sem saída, a placa via-se a novecentos metros, com o nome e o lema da instituição em letras e cores chamativas.
Um dos lugares de maior concentração de publicidade externa era os grandes corredores viários da cidade, como as Marginais Tietê e Pinheiros e a Avenida Radial Leste. Mas as avenidas menores não ficavam excluídas. Na Rebouças, na Avenida São
João, na Rua da Consolação, na Avenida Doutor Arnaldo largos espaços eram ocupados por outdoors, placas, faixas de vários tipos e tamanhos. Também as faixadas dos prédios eram pintadas com anúncios ou tinham cartazes gigantescos colados em suas laterais, de modo que muito antes de se entrar na cidade já se podia ler na parte alta dos prédios do centro propagandas de roupas, marcas de calcinhas e cuecas, nomes de galerias comercias e a insistente ordem para se tomar coca-cola.
Mas a disputa por espaços não era harmônica nem benévola. Algumas marcas mais poderosas ocupavam os melhores locais ao longo de todo o ano. No entanto, em períodos eleitorais, mesmo marcas internacionalmente conhecidas não podiam disputar com alguns nomes tradicionais ou economicamente mais poderosos da política. No período da campanha as marcas comerciais cediam espaço às caras engravatadas dos candidatos. Mesmo alguns vereadores tinham propaganda em nível de candidato a prefeito. Era colossal.
Algumas propagandas nos distraiam, é verdade. Outras eram aturáveis. Mas a maioria era um tédio. Tédio infernal às vezes, quando a mesma placa era posta em grande quantidade numa mesma via. Dessa estirpe eram aquelas propagandas do candidato de quem não gostávamos. E lá estava ele, enorme, dando-lhe jóia e olhando no fundo dos seus olhos, rindo-se; e você querendo chorar.
Na parte da estratégia o publicitário não podia brincar. A concorrência era grande, o povo andava saturado, como ele iria captar atenção? Houve um de que me lembro bem, e nem sei como classificá-lo, que foi uma peça única. Numa segunda feira, ao entrar na Radial Leste, vi um outdoor de fundo branco com os dizeres garrafais: “ELE VEM A!”. Na verdade, foi espalhado por vários pontos da cidade. Na terça, ele não veio, nem na quarta; na quinta, já não tinha mais graça alguma. Mas na segunda feira da outra semana, ele lá estava no outdoor seguinte da série, firme e imponente: era um talco que fulminaria de vez com o chulé.
A Lei da Cidade Limpa surgiu com intenção de acabar com a poluição visual da cidade, proibindo a publicidade externa como autdoors, painéis em faixadas de prédios, backlights e frontlighs. Além disso, traz a proibição de anúncios publicitários em ônibus, táxis e bicicletas. Essas medidas e outras regulamentações da lei provocaram fervorosos debates na imprensa e em diversos setores da sociedade paulistana à época de sua promulgação e ainda hoje é tema importante e bastante recorrente.
Uma implementação dessa altura gera naturalmente vários descontentamentos. Nem todos que são contrários à lei deixam de ter bons argumentos para criticá-la e, assim, suas razões. O empresário quer anunciar seus produtos, o comprador precisa de ter ciência de tal fato. O empresário para anunciar contrata um agência de publicidade; ambos pagam impostos com essas atividades; precisam ainda de funcionários para levar as tarefas a cabo, gerando emprego para a população; e, por sua vez, o proprietário que cede o espaço para a placa de publicidade ganha também o seu dinheirinho.
Essas razões parecem ser boas e louváveis, mas também há o lado da cidade, de como fica ela em meio a tudo isso? É neste ponto que entra o papel da sociedade e do gestor público. Aí está a questão de ver o que é melhor para a cidade no seu todo. Como fazer a cidade mais limpa, como combater e diminuir a poluição visual e de outras naturezas, como melhorar a qualidade de vida dos que a habitam, que implica em resolver os problemas da cidade. Sem dúvida é uma questão complexa que exige firmeza e compreensão em seu enfrentamento.
Um meio termo são boas alternativas. O administração pública pode combater a poluição visual por outros meios, menos rigorosos. Poderia recorrer a conscientização das pessoas em geral, do empresário. Poderia ainda oferecer incentivos fiscais aos empresários de boas ações. Por outro lado, o empresário poderia anunciar também por outros meios. Há hoje a mídia eletrônica, a internet, as redes sociais, blogs, microblogs, além de torpedos por meio dos quais se pode atingir novos consumidores, inovar em seus meios de comunicação com seus clientes. Além disso, estão aí à disposição os velhos espaços dos classificados dos jornais, das revistas especializadas, o rádio e a televisão.
A cidade de São Paulo é com efeito um microcosmos, um mundo dentro do mundo onde as coisas fervem e borbulham, onde os interesses são vários e diversos. Para isso está a administração pública, com a tarefa de regulamentar, normatizar e ordenar o espaço público, procurando ajustar-se ao bem da vida comum dos munícipes.
Mas a Lei da Cidade Limpa tem uma tarefa árdua, pois, tanto organizações de todos os tipos e tendências como os populares possuem um espírito propagador. Quando
não se contentam em anunciar verbalmente, como faziam os arautos dos reis antigos, usam os inventos de Gutemberg, isto é, o papel e a tinta, que é mais interessante por ser mais moderno, sobretudo quando combinados com outros meios ou técnicas de imprensa ou de publicidade..
Mesmo depois dessa nova regulamentação, tenho saboreado vários anúncios jocosos dos quais lembrarei apenas um. Era de um jornalzinho do centro sem boa diagramação onde se dizia ter perdido certa quantia de dinheiro, que não era muito. Sem maiores provas, dava apenas as ruas por onde havia passado no dia em que o perdera. Tinha ido da baixada do Glicério à praça do Patriarca e andado por outras ruas imediatas. Lamento mesmo que tenha andado tanto e não vejo nada de inverossímil em que se perca dinheiro entre tantos milhares e até milhões de transeuntes que se esbarram e até se atropelam na correria do dia-a-dia no centro. O que me parece mais difícil, para dizer pouco, é alguém conseguir achar algum, e, se o achar, ter o tempo suficiente de abaixar para pegá-lo.
Elói Alves
As pílulas do Santo Cristo, romance de Elói Alves
Prefácio:
http://realcomarte.blogspot.com.br/2012/11/prefacio-de-as-pilulas-do-santo-cristo.html
Primeito
capítulo:
http://realcomarte.blogspot.com.br/2012/10/as-pilulas-do-santo-cristo-1-capitulo.html
Segundo
Capítulo:
http://realcomarte.blogspot.com.br/2012/10/as-pilulas-do-santo-cristo-2-capitulo.htmlquarta-feira, 7 de setembro de 2011
NÃO HOUVE MUDANÇA (change) E OBAMA ESTÁ CAINDO
Por Elói Alves do Nascimento
A difícil situação econônica dos Estados Unidos tem levado a uma desaprovação de Obama pelos americanos, que o consideram responsável pelo fracasso da economia do país. Nesta semana, o jornal americano The Washington Post publicou uma pesquisa que indica uma desaprovação de 60% dos eleitores no modo como o presidente americano vem conduzindo o processo econômico do país. Como tem sido demonstrado reiteradas vezes, a questão econômica tem sido decisiva para os projetos eleitorais em diversos países. Aqui mesmo, a chegada de Lula se deveu à crise econômica no segundo mandato de FHC e o crescimento da economia no segundo mandato de Lula levou Dilma a sucedê-lo. Deste modo, a disputa pela presidência nos Estados Unidos não será algo fácil para Obama, na tentaiva de um segundo mandato, devido exatamente à crise econômica.
Na verdade, o que se esperava de Obaba era a mudança (change) tão propagada em sua capanha. E não só na economia a mudança não veio, como também não ocorreu na condução da política externa americana, onde o presidente anterior, W. Bush, cometeu tantos erros. Um erro que se mostrou depois absurdo foi a crença de que seria fácil instituir no Iraque uma democracia de modelo ocidental, como se espera agora para Líbia.
A política externa americana de Obama mostrou muita semelhança com seu antecessor. Em 2009 houve em Honduras um golpe de Estado apoiado pelos Estados Unidos, já na era do atual presidente americano. A própria ONU (Organização das Nações Unidas) considerou, na Resolução da Assembleia Geral, o ato como Golpe Militar, uma vez que o exercito de Honduras se prestou ao serviço de expulsar do país o presidente Zelaia, ainda de pijamas. Além do que a constituição hondurenha proibe a entrega de qualquer cidadão do país a autoridades do exterior.
Na questão dos bombardeios da Líbia pela OTAN também houve um descumprimento da resolução do Conselho de Segurança da ONU, que não permitia ataques a alvos na Líbia, exatamente como Bush, com sua doutrina de “ataques preventivos” a potenciais inimigos. Bush também havia patrocinado um golpe militar na Venezuela, que chegou a tirar Chaves do poder por dois dias em abril de 2002.
Com a situação complicada, principalmente no setor econômico, Obama terá uma tarefa muito dura na tentativa de se reeleger, seja qual for o republicano que vier a disputar a presidência com ele. O certo é que terá que trabalhar muito antes para interomper seu declínio na aprovação dos eleitores.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
DO MANUAL DOS GRANDES CORRUPTOS
ALGUMAS FRASES ESTRAÍDAS DO MANUAL DOS GRANDES CORRUPTOS:
"Estamos apurando todos os indícios e vamos até o fim neste processo. Se preciso for, cortaremos na própria pele, doe em quem doer, sangre quem sangrar".
Revelação de um ex-motorista parlamentar
"Estamos apurando todos os indícios e vamos até o fim neste processo. Se preciso for, cortaremos na própria pele, doe em quem doer, sangre quem sangrar".
Revelação de um ex-motorista parlamentar
domingo, 4 de setembro de 2011
DIÁLOGO SOMBRIO
-Olá! Que cara é esta?
-Soube que vou morrer.
-Que história é esta? Cada um tem seu dia, é óbvio. Mas...
-Um vidente me falou. Minha vida corre contra o relógio. Pereço-lhe mal?
-Não, não! O que foi que lhe disse?
-Disse-me que via a morte em meu caminho, adiante de mim.
-Sim...
-E que via uma sombra.
-Uma sombra...?
-Sim, escura e móvel, quase a me encobrir.
-Não compreendo...
-Às vezes ela se fazia altíssima.
-Hum...
-Disse-me também que meus dias estão contados, que se vão diminuindo, como o bate-bate do relógio.
-Nossa!
-Antes de consultá-lo, já havia me sentido mal.
-Por que não vai ao médico?
-Não vem ao caso a medicina tradicional. Três vezes por semana, vou à clinica espiritual do vidente.
-E sua família?
-Estão todos contra mim. Graças a Deus, o vidente me compreende. Se não melhorar, modificarei meu testamento, destinando-o à clínica onde me trato. Adeus!
Elói Alves do Nascimento
-Soube que vou morrer.
-Que história é esta? Cada um tem seu dia, é óbvio. Mas...
-Um vidente me falou. Minha vida corre contra o relógio. Pereço-lhe mal?
-Não, não! O que foi que lhe disse?
-Disse-me que via a morte em meu caminho, adiante de mim.
-Sim...
-E que via uma sombra.
-Uma sombra...?
-Sim, escura e móvel, quase a me encobrir.
-Não compreendo...
-Às vezes ela se fazia altíssima.
-Hum...
-Disse-me também que meus dias estão contados, que se vão diminuindo, como o bate-bate do relógio.
-Nossa!
-Antes de consultá-lo, já havia me sentido mal.
-Por que não vai ao médico?
-Não vem ao caso a medicina tradicional. Três vezes por semana, vou à clinica espiritual do vidente.
-E sua família?
-Estão todos contra mim. Graças a Deus, o vidente me compreende. Se não melhorar, modificarei meu testamento, destinando-o à clínica onde me trato. Adeus!
Elói Alves do Nascimento
Assinar:
Postagens (Atom)
Postagens populares (letrófilo 2 anos 22/6)
-
Riquíssima em possibilidades interpretativas e uma das músicas mais marcantes que retrataram as terríveis ações do regime ditatoria...
-
Entre meus cinco e doze anos morei em mais de uma dezena de casas. Como não tínhamos casa própria e éramos muito pobres, mudávamos ...
-
Falo de uma notícia velha. Há alguns meses, faz quase um ano, os jornais deram a notícia acima, não exatamente com estas palavras...
-
Teresa e o namorado tinham ido ao cinema assistir Tudo vai bem na República de Eldorado. Quando saíram do estacionamento do shoppin...
-
Há dias que me nutre uma angústia, Poros adentro, formigando sutilmente Potência se fazendo pela ausência De tudo, de nada, de mim mesmo ...
-
O Brasil não tem monarquia, já há mais de cem anos, mas tem reis, diversíssimos, inumeráveis. E como um rei não vive com pouc...
-
"Um rei, longe de proprcionar subsistência a seus súditos, tira deles a sua" Rousseau, Contrato Social Acabo de vir...
-
Confesso a você que nunca fui fã de minha sogra. No início até que tentei. Fiz vários discursos, todos retórica e politicamente corr...
-
As páginas seguintes formam o primeiro capítulo do romance de minha autoria lançado pela Linear B Editora em novembro. As p...
-
Dona Maria morreu numa tarde em que as flores da primavera se abriam no imenso jardim das terras que ela herdara de seus antepassados e ...