sexta-feira, 14 de agosto de 2015

O JARDIM POÉTICO DE MARCOS FONSECA - posfácio de Elói Alves

Posfácio para o livro O inevitável amor, do poeta, músico e historiador Marcos Fonseca

Entramos. Diante dos olhos, então, este jardim, ao qual Marcos nos convida, e que floreou com talento, arte e, sobretudo, amor: O inevitável amor.
À entrada, uma e outra flor nomeadas, a um amigo, um companheiro de trabalho, ou uma homenagem sob condições da pungente intimidade e separação extrema. Mas é trilhando vagarosamente por seus pequenos caminhos que nos detemos diante de um magnífico encanto, de uma pérola, onde a beleza do que brilha ante os olhos junta-se a sons, a ritmos, cantos de pássaros, desse jardim de poesias, aos sons e ao sabor de águas refrescantes e litorâneas.
A obra do poeta é amplamente sinestésica. Nela, o sentido se excita por um conjunto de sensações que se remetem ao visual, aos sons, aos sabores, ao tátil, a uma mescla sensorial fruto de seu trabalho artístico, de sua mão de artífice coadunada à sensibilidade que o marca como humano. Seus poemas ao passo que apela aos sons, o faz ao mesmo tempo aos olhos, pela justaposição, pela disposição, de seu trabalho na tela.
Sua poesia, que pulsa a subjetividade e lirismo, é igualmente fruto de uma relação humana objetiva. Refere-se a situações concretas do cotidiano, de um olhar atento ao outro, dos gestos que pensam e cuidam, de contato com as pequenas coisas, numa busca de poetizar as relações humanas.
O inevitável amor parece-me um livro-jardim para ser revisitado sempre. Sua leveza, sua beleza, ao mesmo tempo que nos amenizam o peso da tumultuada vida agitada, também, ensinam-nos muito sobre as relações humanas, não apenas como mestres e alunos, mas, acima de tudo, como seres humanos.  Logo volto ao portão da primeira página.
Elói Alves
 
O poeta Marcos Fonseca, à esquerda, e o escritor Elói Alves

domingo, 2 de agosto de 2015

O LEÃO E HOMEM: DOIS CÁLCULOS, DUAS BARBÁRIES


Nesta semana, o caso de um leão que fora atraído para fora do Parque Nacional do Zimbábue, por um guia pago por um dentista estadunidense, que o assassinou de um modo estúpido, espalhou-se nas redes sociais e os jornais pelo mundo desdobraram os detalhes, inclusive os valores pagos pelo dentista aos comparsas, descobertos agora. No Rio, uma outra barbárie: a empresa responsável pela circulação de trens ordenou que uma composição prosseguisse o caminho, passando sobre um corpo estendido nos trilhos e que fora atropelado pela composição anterior. As imagens, gravadas num telefone móvel, também circularam na internet.
No Rio de Janeiro, a empresa justificou-se com cálculos: o trem era mais alto que o corpo e, por isso, não se justificaria atrasar o horário da viagem, deixando os usuários esperar. Na verdade, o transporte de trens no Rio nunca respeitou horários, nem se preocupou com as condições em que viajam os passageiros. Assaltos a faca no interior dos vagões, tiroteios, falhas sistêmicas são noticiadas diária ou semanalmente pela imprensa, não só local, mas nacionalmente. A justificativa revela na verdade o oposto: o flagrante desrespeito às pessoas, aos usuários pagantes, e até mesmo morto nas dependências do sistema. Aliás, um outro crime constitucional, o desrespeito aos mortos insepultos.

No caso bárbaro da morte do leão pelo caçador amador norte-americano também houve cálculo maléfico, esquematização e arregimentação de cúmplices pagos a altas quantias de dólares. Interessante que o caso do animal comoveu mais; ambientalistas entraram em cena e organizaram protestos, nas redes sociais o assunto ganhou grandes proporções e foi muito mais longe do que o caso do anônimo atropelado e vilipendiado depois de morto pela companhia que age em nome do Estado. Ambos os crimes são inaceitáveis, ambos usam o cálculo humanamente desumano: essa racionalização perversa que degrada a vida.
Elói Alves

sábado, 1 de agosto de 2015

ENCONTRO LITERÁRIO E MUSICAL EM SÃO BERNARDO DO CAMPO

   Sexta feira, 31 de julho, o escritor Elói Alves esteve em São Bernardo do Campo num encontro literário e musical, juntamente com o músico, poeta e historiador Marcos Fonseca. No evento houve leituras, conversas literárias e boa música cantadas por Marcos. O Escritor Elói Alves também fez sorteio de seus livros para os presentes. Abaixo, seguem fotos do encontro.



domingo, 26 de julho de 2015

I FEIRA LITERÁRIA NO CENTRO - FLUC


      Dia 12 de setembro acontecerá em São Paulo a I Feira Literária no Centro -  FLUC - das 14h as 17h na Praça da República. o evento será realizado pela Editora APMC e tem apoio do Instituto Letrófilo. A FLUC terá inúmeras atividades voltadas para literatura,  com a presença de autores e profissionais do livro.



segunda-feira, 20 de julho de 2015

CAPA DO LIVRO "CONTOS PAULISTANOS"


       O livro Contos Paulistanos, antologia organizada pelo escritor Elói Alves para o Instituto Letrófilo, em parceria com a Editora APMC, será lançado no fim deste ano e está em fase de seleção e organização dos textos. Participam da antologia diversos escritores de imenso saber literário e capacidade criativa. O projeto foi idealizado a partir  debates literários e apresentações autorais periódicos, organizados pelo Instituto Letrófilo em São Paulo. 


OS RATOS E OS REIS DO BRASIL

 O Brasil não tem monarquia, já há mais de cem anos,  mas tem reis, diversíssimos, inumeráveis. E como um rei não vive com pouco, dito antigo de Rabelais, é preciso vesti-los, a cada canto e por todo o corpo, com a mais esplêndida  gastança.
            Nem sempre se há de querer rei com pompa em toda potestade ou o sonho com a volta dos que se foram, como o imortal e desaparecido D Sebastião. Na Suécia mesmo dá-se outra coisa que em Roma e numa outra república abaixo dos trópicos. Lá, se o rato roer a roupa do primeiro ministro, este terá de costurá-la, pois não dispõe de mil servos para servi-lo à cama sempre que o queira, e a todo canto, a tempo e hora:
           -A comida do rei!
           -O vinho do rei!
           -As calças do rei!
          -O avião do rei!
           -As diversões do rei!
Mas abaixo da linha do equador não há pecado, já se dizia no período da colonização. Ausência de títulos hierárquicos ou nobiliárquicos não os desautoriza a vida que exigem e que lhes dão; ao contrário, autoriza-os muito maior disposição ao preito e à realeza, mesmo despido de toda nobreza. Assim, o deputado reina com toda grandeza; o vereador, com toda imponência; os ministros, com toda gastança, convictos da grande tolerância das leis flexíveis e da bajulação dos que se lhes curvam como a um trono, tendo o país um rei para cada parte, mesmo que se reúnam todos em só um canto, para juntos melhor roerem o que o trabalho alheio, o suor e a exploração ajuntaram.
Elói Alves




domingo, 19 de julho de 2015

A ÚLTIMA MORADA DA SABEDORIA

É bom ter amigos. Principalmente amigos gentis. Eu guardo alguns e algumas em uma lista de coração, digo, de cor, que dá no mesmo, pelo latim, uma língua considerada morta por muitos. Lembrei-me disto a propósito de uma crônica onde um amigo achou algo que nomeou como: Sabedoria. Agradeci a gentileza, que julgo própria daquela alma pura que adoçou-me a vida no período da faculdade, corrido e extenuante. Não lhe pedi mais análises filosóficas ou semânticas, nem literárias. Infelizmente, hoje a Sabedoria não está assim tão à mão ou tão aos olhos - nesta era de miopia de alma.


        A Sabedoria era em outro tempo muito encontradiça. Houve quem lhe contou mil casas numa certa cidade antiga, onde repousava. Ali reunia-se com sua irmã mais próxima, que chamava-se Prudência, guardiã da Discrição. 
Além de suas casas, vivia nas de seus amigos, onde era querida e sempre bem vinda. Em Somos, viveu um tempo grande com Pitágoras. A pesar de evitar uma ágora onde houvessem sofistas, gostava de deixar-se pelas praças e pelas ruas. Conta dessa época sua amizade com Diógenes – o cínico.
Sua afinidade com tais homens fez surgir os filósofos – que eram os amigos da Sabedoria. Depois surgiram homens que não a conheciam e chamavam a si mesmos de sábios.
Mas os impérios se fortaleceram. A Soberba e Impiedade foram então honradas nos palácios e nas praças, condecoradas com moedas de ouro. 
E a Sabedoria exilou-se em lugares longínquos.
Contam uns manuscritos históricos, resgatados por arqueólogos, que nos tempos da idade média, um ermitão que fugira para as grandes florestas da Escócia ali conviveu com ela. Era uma vida impar. Grandes cavaleiros o foram encontrar, perdendo-se pelas florestas e morrendo nelas. Dizem que eram assassinados pela Ganância. É dessa época o desaparecimento de muitos cavaleiros da távola redonda. Mas Ricardo Coração de Leão com seu grande amigo Ivanhoé, quando se refugiaram naquelas florestas, no exílio pela libertação de seu povo, encontraram o ermitão. Este lhes salvou a vida, com abundantes vinhos e carne de javali. Mas a sabedoria - contou o ermitão aos nobres cavaleiros - morrera dias antes de solidão e tristeza.
Meu amigo deixou-me curioso de saber se há por aí ainda alguma pequena notícia da Sabedoria. Quereria saber ao menos onde está sua última casa, para passar por lá, com algumas flores, neste dia de finados.



Elói Alves


do livro Contos Humanos


terça-feira, 14 de julho de 2015

BANQUETE OU INDIGESTÃO NO LONGO ALMOÇO DE DILMA/LULA? - Perguntero

    

      Hoje, almoço entre Lula e Dilma, no Palácio do Alvorada, demorou quase quatro horas; qual terá sido o cardápio? Terá sido um grande banquete à revelia dos avessos político-econômicos ou um indigesto cardápio a Lava Jato? 
      Segundo a colunista do G1 Cristiana Lobo, depois do almoço, todos foram para biblioteca do Alvorada. Influenciados pelo ambiente, será que leram ou coloriram? Ou será que consultaram algum manual para crises e emergências?


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