sexta-feira, 18 de outubro de 2013

RETRATO DE MULHER

Verso a verso pintava o seu retrato,
Olhos e nariz com todos os contornos
Lábios vivos como chamas de um forno
Tanta beleza não cabia só em quatro

Os movimentos (que magia!), a cintura,
O vai e vem que a custo se descreve,
Divina imagem que ao homem enlouquece,
Mais um quarteto para pintar essa feitura.

Os sons singelos lembram os seus beijos
Rosto, riso, calor num só encanto
A pele, a mão, ternura e toques meigos,

Suprema arte, faz tremer mais que o medo
Cujo Autor tem no ceu o seu recanto
E o poeta a retrata em seu soneto
Elói Alves


contos humanos
próximo livro do autor será lançado em novembro


Leia o prefácio do livro Contos humanos, escrito por Jácomo Facio Neto: 

QUANDO O ESTADO SE IGUALA AOS BANDIDOS

     O Estado, ao empreender sua política de tomada dos morros do Rio, apressada pelo advento da Copa, tem agido, repetidas vezes, como os criminosos que diz combater, torturando, assassinando e forjando provas contra suas vítimas para encobrir seus crimes. Depois do caso Amarildo, cuja denúncia partiu primeiramente dos protestos de ruas e que somente depois foi noticiado pela grande mídia com a muito posterior e consequente investigação e denúncia pelo Ministério Público, hoje foi a Vez de Manguinhos, onde a polícia atirou com arma letal em pessoas que protestavam contra a morte de jovem espancado por policiais  O uso de armas letais pela polícia do Rio em manifestação pacífica já havia sido registrada em vídeos e denunciada por manifestantes que registraram a ação de policiais - tanto fardados como à paisana - atirando em direção a manifestantes durante ato de professores na última terça feira, dia 15.
     Hoje, uma jovem de 17 anos foi baleada em uma manifestação na favela de Manguinhos, subúrbio do Rio, em repúdio à morte do jovem Paulo Roberto Pinho, que teria sido espancado e morto por PMs, na tarde desta quinta-feira (17). Ela foi encaminhada ao Hospital Salgado Filho, no Méier, também no Subúrbio, onde foi visitada pelo coordenador da Área de Polícia Pacificadora, Coronel Cláudio Halick.
      O fato é que as condutas dos agentes policiais não se mostram ações isoladas ou atos de explosão e descontrole emocional, ao contrário; a tortura não é uma conduta individual nem facilmente ocultável, como não o é a participação de policiais com arma  letal em protestos civis; essas ações são obviamente orquestradas. O problema é que esses abusos somente são apurados e punidos quando há forte questionamento popular. 
      Corrobora para a triste ideia da policia como órgão de repressão e violência planejada a fala do secretário de segurança do Estado do Rio de Janeiro nesta semana à imprensa, à qual disse que "o uso de bombas e balas de borracha pela polícia (contra cidadãos civis) representa um avanço", coisa extremamente lamentável. Para piorar, a própria mídia só divulga casos de abusos contra indivíduos anônimos quando estes casos são denunciados por mídias alternativas ou incorporadas aos temas dos protestos de rua, que felizmente têm surgido no país, como meio de denúncia dos abusos do Poder e de questionamento popular. O problema é que, ao agir fora e acima da lei, como um soberano, ou propriamente um tirano, o Estado se iguala aos piores bandidos que diz combater e se distancia ainda mais dos cidadãos que formam a sociedade desacreditada da justeza e da justiça do Estado.
Elói Alves



contos humanos

próximo livro do autor  será lançado em novembro

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

ERVAS DANINHAS

Terra do café de gosto bom
Do açúcar pra adoçar tão longe
Terra à vista que esticou os olhos de Caminha
De flores, de cores, de sementes boas
Chão fresco e bom para acolher o mundo
Mas, meu Deus, por que brota tanta erva daninha?

Elói Alves


Consultoria Linguística:
http://www.escritoreloialves.com.br/p/blog-page.html

domingo, 13 de outubro de 2013

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O GENIAL MODO AMERICANO DE RESOLVER CONFLITOS

       O país mais desenvolvido do mundo tem uma forma verdadeiramente genial de resolver os conflitos, não só nos confins do planeta como até mesmo debaixo das calças de seu presidente, não apenas do atual ocupante da Casa Branca, manchada por pólvoras, sangue e carnificina, mas de todos mandatários que por ela passam.
      O lema é jogar bombas em toda ameça que houver. Agora, em uma ocorrência interna, usaram das mesmas armas que voltaram contra a Al-Qaeda, contra o Iraque e contra todos os chamados fundamentalistas espalhados pelo mundo, como a provável Síria. Mas o inimigo dessa vez estava dentro de seus limites e era uma mulher desarmada que sofria com depressão pós-parto e que foi assassinada com a filha de um ano dentro do carro em Washington, onde os tiros provocaram o fechamento do Congresso.
     Acho interessante, magnífico! O país louvado por tantos como o mais desenvolvido é na verdade incapaz de lidar de maneira equilibrada nos momentos de conflito, onde, justamente, se exige maior preparo, maior equilíbrio por parte de profissionais muito bem preparados, onde é preciso serenidade para não se criar o caos.
     Na verdade, os EUA têm agido historicamente como essa infeliz vítima depressiva e fora de pleno juízo. No entanto, Eles o fazem como monstros, muito bem armados, que atiram até mesmo no vento se este lhe parecer um inimigo e não algo refrescador. Desenvolvido e nefasto desse modo é o Diabo, como é o organizado e perverso que temos aqui, chamado corrupção institucional.
Elói Alves

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

CONTOS HUMANOS

Livro será lançado pela Linear B, que editou o romance  As Pílulas do Santo Cristo

A CEGUEIRA DA CHAMADA JUSTIÇA -Perguntero


  •      A justiça tem, por prazer, a mania de se auto-definir como cega e no Brasil temos visto que ela também é manca, além de, desde sempre, lerda e, cada vez mais, dado o braço a gente moralmente suja, e que se suja mais, a medida que vai se enriquecendo. A questão que incomoda é: sendo cega e lerda, como se guia essa Dama que é parte fundamental na estrutura tripartite do Estado brasileiro?
           Tradicionalmente, a Justiça tem inocentado criminosos cujos fama e cheiro de seus crimes vão longe. Quando não absolve sumariamente, o faz através de sua eterna lerdeza para condenar, para decidir cabalmente pela punição de um réu contra o qual há todas as provas criminais; quando ao fim, prescreve-se a pena e finda o processo por se esgotar o tempo. Agora, em casos em que os réus não são criminosos influentes, mesmo que o sistema jurídico lhe favoreça, impõem-se penas de até centenas de anos a uma só pessoa, para tentar impactar a sociedade com ar de que se faz justiça, mesmo sendo de conhecimento de todos que pouco se ficará na prisão.
            Qual seria o critério dessa Dama indomável para visualizar os direitos individuais e intocáveis de alguns réus, invariavelmente poderosos da economia e politicamente influentes, para os quais há sempre mais um recurso na manga ou insuficiência de provas para sua condenação? Se é cega, como diferencia os casos? Será que, como os cães, percebe e distingue os que se aproximam pelo cheiro? E quando o cheiro é nacionalmente percebido por ser fétido?
          A justiça quer ser fria e historicamente, para o povo explorado pelos espoliadores dos bens públicos, ela se parece morta. Qual a razão no Brasil para não se condenar políticos cuja ficha criminal não se pode por mais em papel devido ao tamanho? Qual será dos quatro sentidos o que essa corretíssima e incorruptível senhora utiliza se não pode ver? Quais serão os braços de que se auxilia na decisiva hora de atravessar a ponte do julgamento? Será que, devido sua cegueira, teria ela incorporado a propriedade de cortar só para um lado? Seria esse lado cortável o mais  fraco? Quais serão os ruídos que mais lhe agradam e contra quais gritos ela tem fechado seus puríssimos ouvidos nestes momentos em que, mais e mais- e cada vez mais-, tantos bandidos roubam impunemente o país e seu povo, que sustenta e engorda essa crescente corja?
    Zé Nefasto Perguntero



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