sexta-feira, 4 de novembro de 2011
A EX-FICANTE, NUM ANO BISSEXTO
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
A ÚLTIMA MORADA DA SABEDORIA
É bom ter amigos. Principalmente amigos
gentis. Eu guardo alguns e algumas em uma lista de coração, digo, de cor, que
dá no mesmo, pelo latim, uma língua considerada morta por muitos. Lembrei-me
disto a propósito de uma crônica onde um amigo achou algo que nomeou como:
Sabedoria.
Agradeci a gentileza, que julgo própria
daquela alma pura que adoçou-me a vida no período da faculdade, corrido e
extenuante. Não lhe pedi mais análises filosóficas ou semânticas, nem
literárias. Infelizmente, hoje a Sabedoria não está assim tão à mão ou tão aos
olhos - nesta era de miopia de alma.
A Sabedoria era em outro tempo muito
encontradiça. Houve quem lhe contou mil casas numa certa cidade antiga, onde
repousava. Ali reunia-se com sua irmã mais próxima, que chamava-se Prudência,
guardiã da Discrição. Além de suas casas, vivia nas de seus amigos, onde era
querida e sempre bem-vinda.
Em Somos, viveu um tempo grande com Pitágoras.
Apesar de evitar uma ágora onde houvessem sofistas, gostava de deixar-se pelas
praças e pelas ruas. Conta dessa época sua amizade com Diógenes – o cínico. Sua
afinidade com tais homens fez surgir os filósofos – que eram os amigos da
Sabedoria.
Depois surgiram homens que não a conheciam e
chamavam a si mesmos de sábios. Mas os impérios se fortaleceram. A Soberba e
Impiedade foram então honradas nos palácios e nas praças, condecoradas com
moedas de ouro. E a Sabedoria exilou-se em lugares longínquos.
Contam uns manuscritos históricos, resgatados
por arqueólogos, que nos tempos da idade média, um ermitão que fugira para as
grandes florestas da Escócia ali conviveu com ela. Era uma vida ímpar. Grandes
cavaleiros o foram encontrar, perdendo-se pelas florestas e morrendo nelas.
Dizem que eram assassinados pela Ganância. É dessa época o desaparecimento de
muitos cavaleiros da távola redonda.
Mas Ricardo Coração de Leão com seu grande
amigo Ivanhoé, quando se refugiaram naquelas florestas, no exílio pela
libertação de seu povo, encontraram o ermitão. Este lhes salvou a vida, com
abundantes vinhos e carne de javali. Mas a sabedoria- contou o ermitão aos
nobres cavaleiros- morrera antes de solidão e tristeza. Meu amigo deixou-me
curioso de saber se há por aí ainda alguma pequena notícia da Sabedoria.
Quereria saber ao menos onde está sua última casa, para passar por lá, com
algumas flores, neste Dia de Finados.
(Texto do livro Contos humanos)
Elói Alves é advogado, autor
do romance as pílulas do santo Cristo, de O olhar de lanceta,
Contos humanos entre outras obras.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
EUA SOFREM DERROTA NA UNESCO COM ADESÃO DA PALESTINA, QUE SEGUE COMO PAÍS OCUPADO
Elói Alves doNascimento
TIO GERBÚLIO E O EVANGELHO DE JUDAS ISCARIOTE
Jão Gerbulius Sobrinho
terça-feira, 25 de outubro de 2011
SOL SOB A MULHER
Seus raios se espargiam, penetrando a noite
Eu, cá embaixo, transpassado de uma foice
Do amor dela – impassível, e ele, esmero.
Cabelo ao vento, sobre os ombros repartido,
Lembrou-me Helena e toda a Grécia a buscá-la
Em gerra à Troia pela beleza que roubara,
Passos de deusa, fina leveza no vestido.
Olhei o sol, já estendido, abraçando o poente,
Destilando raios sobre ela ainda dourados,
Tudo ao dispor de um homem apaixonado;
Serena e firme, musa daquele espetáculo,
Ela ocultou todos raios de sol a minha frente,
E foi seguindo com os perfumes e o toucado.
Elói Alves
domingo, 23 de outubro de 2011
O SONO E O MUNDO
O sono é muito sensível como os homens e como as crianças. Às vezes fica de mal e some. Às vezes simplesmente não comparece ao encontro, como esperado.
Outras vezes ele aparece e, não encontrando ninguém no local marcado, à hora costumeira, vai-se por seu caminho, sozinho.
Mas às vezes ele nos pega à força, fazendo-nos submissos, como bonecas de pano, sem lhe importar o local ou os cúmplices, e nem mesmo outros implicados.
O sono quando contrariado veste-se com sua capa de soberano, pega seu controle do mundo, encapado como dócil cajado de condução de ovelhas e sai a vingar-se pelas entrâncias do mundo.
Mas ele odeia os ditadores baixos e não permite confundir-se com eles. Também rejeita a idolatria basbaque e ingênua, ignorando os sonólatras que se estendem pela estrada. A idolatria possui classes e subclasses. Ele as rejeita a todas. Ele age sempre ao seu modo, como soberano pacífico e indiferente ou como usurpador de entranhas e víceras.
O sono irado é como Posseidon, o sacudidor dos mares e da terra. Mas é também piedoso ao seu modo, não permitindo que as vítimas de sua ira o vejam agindo. Faz tudo na inconsciência absoluta.
Por isso, fui mansamente, deixando me levar junto às águas amenas e sossegadas, num acordo tácito com o sono. Fiz uma viagem tranquila, saborosa e, além do mais, restauradora.
Mas foi preciso ignorar o mundo.
Elói Alves do Nascimento
sábado, 22 de outubro de 2011
LULA - DEUS
Sonhei com Lula-deus.
E sim que antes do qual nada se fizera. E sim que, antes dele, nunca nada houvera. Nada, nem índios existiam. Só o caos! E seu espírito pairava sobre a terra seca.
E tudo que há, e aí está, foi feito por ele.
Em sete partes de tempo.
Tudo que há para o sono tranquilo e feliz de todos em repouso dourado.
E estátuas lhe erguia o povo.
Sonhei com um Governo de um Deus soberano que tudo sabia, e em cujo palanque corruptos não subiam. E cujas mãos, repletas de toda pureza, abençoava seus ricos filhos e seguidores.
Quando acordei, liguei para um amigo, que me disse que estava mais para pesadelo. Será? Em quem devo acreditar?
Zé Nefasto Pergunteiro
sábado, 15 de outubro de 2011
IMAGENS-CRÔNICAS - EXTREMOS PAULISTANOS
Estas imagens Mostram alguns contrastes da cidade de São Paulo de hoje. Os dois registros foram feitos por mim recentemente. A Avenida Paulisa é muito connhecida por ser o centro financeiro da cidade, sede também da FIESP - Federação das Indústrias de São Paulo. A outra é um registro do JD Elisa Maria, na V Nova Cachoeirinha - zona norte. Dei aulas ali há alguns anos e retornei para um evento educacional há poucos dias lá.
Elói Alves do Nascimento
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