Em nova obra, que introduz visão inovadora no Direito Constitucional em diálogo com a sociologia, o jurista, professor de Direito Processual e Penal Thales Ferri Schoedl, prefaciado pelo professor de Direito Penal Fernando Capez, faz referências ao livro o Olhar de lanceta, de Elói Alves. Os juristas são autores de obras de referência para o Direito Penal e as citações ao livro de Alves aparecem tanto no prefácio, como ao longo do novo livro, de abordagem interdisciplinar. O lançamento ocorrrerá no dia 2 de julho, às 19h, na Livraria Martins Fontes, na Av. Paulista.
quinta-feira, 27 de junho de 2019
quinta-feira, 29 de março de 2018
PARABÉNS AOS SERVIDORES PAULISTANOS
PARABÉNS a todos os servidores paulistanos que, a partir de
um grupo de professores corajosos, se uniram contra às injuriosas mentiras do
prefeito da cidade, que, aliás, já largou o cargo para se candidatar a
governador, sem mostrar sua cara de grande gestor prometido aos eleitores.
Vi na rua, como cidadão, como pai, professor e escritor, a
energia daqueles que, injustiçados, erguem a cabeça para morrer lutando. Às mentiras de
que seu salário é a causa do “rombo” na previdência e escassez de verbas para
saúde, educação e outras áreas sociais, levantaram a voz, rouca e cansada, mas
fortalecida pela indignação, pela coragem e pelo ânimo dos injustiçados que não
se entregam.
Foi pedagógico. Foi uma lição nas ruas, foi
gratificante ver o apoio dos alunos e pais e mães. Foi, ainda que falte muito,
uma vitória da verdade e do bem.
Elói Alves
Elói Alves
sábado, 24 de março de 2018
TRIBUNAL DIZ QUE PROJETO DE DÓRIA É CONFISCO SALARIAL
Um relatório elaborado pelo Tribunal
de Contas do Município de SP – TCM, apontou diversas falhas e irregularidades, além
de vários pontos que contrariam a Constituição Federal, no Projeto de Lei de Reforma da Previdência Municipal, enviado pelo prefeito João Dória à Câmara dos vereadores, sendo, portanto, incompatível
e ofensivo ao ordenamento jurídico do país.
Segundo o relatório do Tribunal, noticiado
pelo jornal Folha de São Paulo, on line, o projeto do prefeito Dória, que prevê aumento da
alíquota de 11% até 19%, tem “caráter de
confisco” salarial, devido a perdas salariais que chegam a 42% dos
servidores entre 2008 e 2017, resultantes dos baixos ajustes salariais no
período.
Outra crítica do Tribunal vai de
encontro à alegação de Dória que busca justificar os
aumentos das contribuições dos servidores do Município com a alegação de
que falta verba para outras áreas, como saúde, educação e outras áreas sociais.
Segundo o Tribunal, esse caráter do
Projeto de Lei formulado por Dória caracteriza-se como confisco por ser
indevida a retirada de contribuição dos servidores para cobrir gastos que não
sejam com a própria seguridade social.
O projeto de Dória tem sido
questionado por várias categorias de servidores que estão em greve, juntamente
com os professores do Município, protestando contra o confisco salarial, sem
que haja qualquer tentativa de diálogo por parte do prefeito com os
trabalhadores municipais, que inclusive foram atacados por bombas dentro da
Câmara Municipal, com algumas pessoas saindo feridas.
Segundo o Tribunal de Contas o
Projeto de Dória é apressado, sem cálculos certos, além de chocar-se com
questões que devem ser discutidas no plano federal e que, inclusive, há pendências
no Supremo Tribunal Federal que ainda serão discutidas, como “o caráter confiscatório
ou não da elevação da contribuição previdenciária”.
Elói Alves
segunda-feira, 19 de março de 2018
Editora Essencial: : A MORTE DE MARIELLE E OS DISCURSOS JUSTIFICADORE...
Editora Essencial: : A MORTE DE MARIELLE E OS DISCURSOS JUSTIFICADORE...: Escritor Elói Alves escreve em seu blog sobre a trágica situação das mulheres no Brasil. A MORTE DE MARIELLE E OS DISCURSOS JUSTIFICADORE...
A MORTE DE MARIELLE E OS DISCURSOS JUSTIFICADORES DO MAL
A forma infeliz como algumas pessoas têm tratado o horrível caso da morte da vereadora Marielle, executada cruelmente no Rio de Janeiro, leva-me a escrever sobre um tema que até agora procurei refletir silenciosamente.
O que mais preocupa, além de toda “banalidade do mal”, parafraseando Hannah Arendt, sobre a maldade nazista, estudado no Brasil pelo Professor Fabiano Tizzo, é a disseminação, parece-me que até certo ponto inconsciente, de discursos justificadores do mal por pessoas que aparentam bondade de espírito e razoável grau de compreensão das coisas, em razoáveis planos.
Tais discursos justificadores do mal associam-se às falas daqueles que, ao serem informados sobre casos de violência sexual contra mulheres, perguntam: “COMO ELA ESTAVA VESTIDA?”
O discurso lunático que busca culpar a vítima de estupro insinuando a responsabilidade da mulher devido a seu traje ou nudez não é inocente em sua formulação, em sua origem, mas, tristemente, ele tem se alastrado como as mais cruéis epidemias, que roem até onde mais não podem, feito ratos e vermes, que criam escaras que penetram a sociedade enfermando seus tecidos.
Não é apenas o Estado, com suas instituições e líderes que fracassam, a sociedade perece amplamente. Quando pessoas que consideramos do bem e cuja compreensão do que julgamos bom assumem o discurso muito bem forjado de que a vítima é culpada porque tinha tais e tais qualidades, portava-se de tal modo, ainda que fosse verdade, assume-se com isso o lado dos malfeitores, no caso de Mariela ou das vítimas da violência sexual, o lado de seus algozes – bandidos sem qualificação adequada.
Há uma cegueira no país que prejudica a todos, que leva à cisão social, ao esfacelamento de nossa consciência como pessoas humanas, que inocenta os verdadeiros responsáveis por nossas mazelas, que, tristemente nos afasta de buscar solução para nossos grandes problemas e que contribui ampalmente com aqueles que formulam, executam e disseminam o mal.
Diante disso, custoso é nos indagarmos se a própria razão
cansou-se do nosso meio humano e social,
partindo para lugar não sabido, ou será que também foi executada?
Espantoso
enormemente ainda é o papel execrável da desembargadora e do deputado que, utilizando informações de falsificadores de perfis que invadiram contas, disseminaram
notícias pela internet cujos conteúdos eram altamente atentatórios à própria
ordem pública, pela qual devem zelar, e ofensivos à honra da vereadora executada, de sua família e aos
sentimentos de seus amigos e de seus eleitores.
Pior ainda é o
deplorável papel da desembargadora, cuja alta função na estrutura jurisdicional
não lhe permite atentar contra a ordem social, contra autoridades de outro poder,
como a vereadora, e contra a honra das pessoas, cuja responsabilidade penal e
civil, com obrigação de indenizar, inclusive a família do falecido difamado,
ela não pode desconhecer, por tratar-se de direitos constitucionais básicos de
toda pessoa humana, que são, aliás, de seu ofício conhecer e defender.
Acima de tudo, é
inconcebível a justificação de sua morte e mais ainda responsabilizá-la por
isso, alegando, escabrosamente, que ela lhe teria dado causa, que teria falado o que
não deveria. Ora, qual é a função essencial do parlamentar? Aliás, a ideia
unicamente razoável da imunidade parlamentar não é a proteção para que ele
exerça com a segurança da lei seu direito de falar? Ora, não teria nisso o
próprio Estado falhado por não proteger o agende público que tem por função e
prerrogativa do cargo falar? Seria muito- como se tem dito incompreensivelmente-
protestar, ainda que tardiamente, contra todas essas inversões que este caso
demonstra? Se de fato a quisessem calá-la, não haveria em sua execução um atentado
contra o próprio direito inerente a sua função parlamentar, portanto contra o Poder Legislativo, crime não menos aterrador?
No entanto, insanidade ainda maior, e
não menos ofensiva, humana e juridicamente, é concluir, depois de um de rol de
ofensas que associam sua imagem ao crime e à marginalidade, afirmando que ela
teria ido cedo. Será que, realmente, a razão também nos deixou, de toda forma, tragicamente?
Elói Alves
quarta-feira, 14 de março de 2018
A PALAVRA E A BALA
Quando uma autoridade pública, cujo papel não é outro senão administrar segundo a lei, fere o principal mandamento legal, de não atingir a dignidade das pessoas, usa, para fazer calar aqueles que levantam a voz para dizer o que pensam sobre uma decisão política que compromete suas vidas, a força da bala e da borracha, esse agente público iguala-se à pior tirania.
A proposta de mudança da Previdência dos Servidores Públicos da cidade de SP não poderia, obviamente, ser discutida sem que estes levantassem sua voz para dizer o que pensam sobre aquilo que compromete suas vidas, seu suor e sangue. Mas, à voz deles, responderam com a força do porrete e da bala de borracha e com outros instrumentos militares.
Tristemente, em um país onde sobram bandidos - privados e públicos-, os que querem exercer o direito sagrado e Constitucional de fazer ouvir o que pensam sobre aquilo que toca a sua condição humana, o que com sua força produz, são reprimidos como bandidos.
Pior ainda: como bandidos meticulosos, os que assim se portam, culpam habilidosamente as vítimas de sua truculência, porque, se elas se curvassem, obedientemente, nenhum outro dano teriam. É isso?
Elói Alves
domingo, 25 de fevereiro de 2018
OS HOMENS, A LÍNGUA E O CACHORRO– Tio Gerbúlio
A rua do bar
tinha passado à rua de lazer e esportes nos feriados; nesses dias, muitas
pessoas vinham de lugares vizinhos caminhar e passear. Numa manhã, dois rapazes
incomuns por ali pararam no bar para tomar água. Vinham, pelo aspecto, já de
uma boa caminhada. Um deles, que parecia o mais jovem, perguntou ao
companheiro, olhando para rua:
-
Que têm essas pessoas que andam com pescoço duro e olhando para cima?
-
Nada.- disse o outro- Apenas andam olhando para o céu.
-
Só? - Retornou ainda inconformado.
-
Sim- continuou o que respondia- e também, às vezes, esquecem de olhar onde
pisam.
Os
dois rapazes, que saíram logo, não iam longe quando, à porta do bar, um homem
que puxava um cachorro pela corrente, escorregou numa casca de banana,
esparramando-se pelo chão. O cachorro, que escapara com a corrente, solta pelo
dono na hora da queda, ao invés de gozar a liberdade agora adquirida, correu a
lamber o sangue que escorria dos braços do homem, ralados pelo asfalto.
Do
fundo do bar, um freguês que bebia atrás de umas caixas de bebida e cuja
caninha parece ter-lhe afinado mais alguns dos sentidos, disse, devolvendo com
força o copo vazio à mesa:
-
Que língua!
Tio Gerbúlio: Outras histórias
Elói Alves
domingo, 31 de dezembro de 2017
AS BARCAS
Fez-se última parada.
Aquela barca chegava ao final,
Não era a primeira vez,
Batia um frio,
Daqueles que dão na barriga,
Era certa indecisão,
Ou medo,
Medo pode ser que não fosse.
A sorte era não estar sozinho,
E se estivesse?
Era preciso desembarcar,
E continuar,
De toda forma
Tudo de novo...
De novo?
Mas tudo podia ser novo
Nova barca
Novas paragens e paradas
Novas forças
Sempre
O olhar é que se transforma,
Com os passos nem sempre iguais
No ir e vir dessas sucessivas barcas
Que se não deixam pará-las
Ignorando o nosso ritmo
E a disposição para viajar
Elói Alves
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