quarta-feira, 19 de junho de 2013

O RESSURGIMENTO DA AUTO-ESTIMA CÍVICA DOS BRASILEIROS

    Em poucos dias, a movimentação que se viu em São Paulo, provocada pelas manifestações contra o reajuste das passagens dos meios de transporte público, conquistou um enorme espaço que é difícil de se calcular ainda. Por alguns momentos, o movimento conseguiu notabilidade superior a todas as demais notícias, inclusive econômicas, como as preocupantes altas do dólar e da inflação, que ressurge, e do grande evento esportivo internacional realizado aqui: a Copa das Confederações. O enorme ajuntamento de pessoas pelas ruas com consciência dos problemas sociais assustou os governantes, acostumados às reuniões festivas devotadas ao futebol e a festas populares, como o carnaval, além de outras comemorações como as marchas para Jesus e da parada gay.
      Em várias grandes cidades, para as quais o movimento se alastrou, houve uma resposta rápida, com a redução das passagens e discursos de reconhecimento da força do movimento. Em São Paulo, ao contrário, houve truculência dos agentes Estado, seja do prefeito ou do governador, recusando-se a aceitar como legítimas as manifestações e a opção pela repressão indiscriminada, inclusive com violação evidente de direitos fundamentais ao Estado Democrático de Direitos, como a liberdade de imprensa, a prisão arbitrária de cidadãos, reconhecidas posteriormente pelo governo, como a prisão por porte de vinagre, o disparo indiscriminado da polícia contra as pessoas e profissionais da imprensa como tentativas óbvias de causar a dispersão de manifestações democráticas, com acirramento de ânimos. Mas a grande vitória desse movimento não está restrita às reduções das tarifas do transporte público. Muitíssimo longe disso, ela deve ser vista pelo quadro maior do sentimento da população em relação à situação política, social e econômica do país.
     Sobre esse sentimento, é histórica a atribuição de grande apatia política e da ausência de um espírito crítico dos brasileiros, que demonstraram ao longo dos tempos um apreço pelos “pais e painhos políticos”, uma postura de “endeusamento” dos agentes políticos, desprovidos de uma atuação continuamente crítica e de cobrança responsável desses administradores públicos, demonstrando uma aceitação das coisas “como elas são”.
      É exatamente isso que se rompeu nestes últimos dias em uma parcela da população, que saiu às ruas, em São Paulo e em várias cidades do país, a pretexto do valor das tarifas do transporte, para cobrar, com energia política incomum, com espírito crítico histonicamente apartidário, os que possuem mandatos outorgados pelo voto dos cidadãos a responsabilidade com a qual devem arcar e denunciar seus abusos. Para muito além de todos os avanços, da notoriedade dessas ações cívicas pelo mundo, da redução em si, o despertamento, a publicidade da indignação, a  recuperação da auto-estima cívica, cobrança efetiva, não se deixando intimidar, a coragem de transformar em ação o sentimento da injustiça dentro de uma consciência cívica é, sem dúvida, o que houve e há de melhor e que precisa, devido a seu preço, ser muito bem regado.

Elói Alves

Leia o prefácio do romance "As pílulas do Santo Cristo" de Elói Alves

Primeito capítulo:

Segundo Capítulo:

domingo, 16 de junho de 2013

O QUE ESTÁ PROIBIDO EM SÃO PAULO E O QUE É TOLERADO A PROPÓSITO DA QUESTÃO DO VINAGRE

       Diante do problema da absoluta repressão demonstrada pela Governo do Estado de São Paulo através de sua polícia com a prisão, feita por um capitão, de um jornalista da revista Carta Capital, que trabalhava acompanhando o protesto contra a reajuste das passagens de ônibus e portava um frasco de vinagre, elencam-se abaixo várias ações toleradas neste Estado e aquelas que estão proibidas.

Tolerado:
* A prisão de bandidos após 24 h do crime não será permitida, pois a lei lhe garante a liberdade mesmo com todas as provas de seu ato criminoso.
* Arrastão em condomínios feito por bandidos tem-se reiterado .
* Assalto e ateamento de fogo em trabalhadores por bandidos reiteram-se
* Latrocínios com requinte de crueldade reiteram-se
*Conduções absolutamente lotadas reiteram-se
*Inadequado gerenciamento da educação reitera-se
*Assassinatos por razões fúteis reiteram-se
*Votar em corruptos está permitido, uma vez que os próprios partidos lhes garantem legenda.
*Caixa dois e três e mais somente aos partidos políticos.
*Proteção de criminosos pela imunidade parlamentar e fôro privilegiado estão permitidos aos políticos
*Jogar bombas em manifestações pacíficas está permitido somente à polícia
*Gastar dinheiro público em estádios e não em áreas sociais prioritárias está permitido.
*Não devolver os recursos dos impostos em serviços decentes está garantido.
*Não cumprir promessas feitas aos eleitores continuará eternamente permitido
*Os partidos se igualarem nas mesmas práticas que condenam nos outros está garantido.

Não será permitido:
*A prisão de parlamentares condenados pelo STF não será permitida em São Paulo devido aos infinitos recursos.
*Motorista errar o caminho e entrar em região controlada por bandidos não é permitido, pois poderá ser alvejado por balas, devido a restrição do território nacional pelos traficantes.

*Portar armas somente os bandidos, inclusive fuzis, mesmo que menores de idade.
Eloi Alves
Leia também:

TIO GERBÚLIO E O CASO DO VINAGRETE

TIO GERBÚLIO E A REVOLTA DO VINAGRETE

     Gerbulinho fazia anos e o pai prometera-lhe que se rezasse direitinho, depois da missa ia à feira comer pasteis. Os dias andavam nublados, mas havia esperança naquele amoroso coração de pai adotivo de que se cumprissem as promessas de padre Gelfrido do nascimento do Sol da justiça, e que a justiça a fizesse Deus e não os homens, pensava ele.
        Depois da missa, padre Gelfrido conversava com as pessoas ao lado da entrada principal da pequena igreja. Um Cristo crucificado pelos homens estendia os braços cheios de chagas aos cristãos que entravam por aquelas velhas portas carcomidas pelo cupim. Gerbulinho puxava o pai pela mão e como este demorava-se ao pé do padre, o menino lembrou-lhe ao pé do ouvido que rezara tudo direitinho e que agora era a vez do pastel. Tio Gerbúlio não teve escolha, despediu-se do padre e de alguns amigos e rumou para feira, sempre puxado pelo pequeno.
       Jaca, caju, caja, pêssego e até feijão de corda e carne seca, de tudo vendia-se nas barracas a preços amargos e alguns mais doces. Tio Gerbúlio, parando aqui e acolá, cumprimentava os velhos conhecidos, pegava numa uva para experimentar, apertava esta ou aquela fruta, mas sempre puxado por Gerbulinho que só olhava adiante, procurando as barracas de pasteis.
       Finalmente chegaram à barraca do chinês que era a predileta, pois o pastel não era espremido e havia razoável liberdade para se colocar o vinagrete, e podia-se comê-lo gostosamente ali na rua. Um homem, muito gordo, que não deixava quase ninguém enxergar o balcão procurava pelo vinagrete. O chinês, do outro lado, falava agora com a mulher em sua língua nativa, esticando muito as palavras. Um menino que atendia achou o pote embaixo do balcão e passou para o homem. Outros fregueses agora também o pedia mas quando o homem gordo o largou, o chinês correu a escondê-lo de novo.
        -Onde está o vinagrete, gritou uma mulher?
        -Acabou, senhora!- disse o chinês.
       -Mas como, sem vinagrete não como pastel- disse Tio Gerbúlio recebendo da chinesa os dois pasteis que pedira.
       A chinesa olhou para os lados e pegou o pote de vinagrete e antes que ela o colocasse no balcão, o homem gordo puxou da mão dela.
       Neste momento apareceu um fiscal e gritou para o chinês:
       -Ô china, o vinagrete está proibido!
       -Mas porque, perguntou uma mulher?-
       - É questão de saúde pública, minha senhora.
       -Da saúde a gente trata é comendo- disseram atrás dele.
     A mulher, ignorando as ordens, pegou o pote de outro freguês que comia e foi despejando no pastel. O fiscal tentou puxar o pote, o chinês tentou tomá-lo, na confusão alguém empurrou o fiscal e a vasilha de vinagrete foi pelos ares, esparramando-se sobre as pessoas.
       O fiscal, vermelho como pimentão, limpava os olhos na blusa e disse em tom de ordem:
        -Todo mundo dessa banca me acompanha para a delegacia!
     Neste momento houve uma gritaria sem fim seguida de um corre-que-corre, parecia o início de uma revolução- coisa na vila jamais imaginada devido ao caráter ameno do povo. Tio Gerbúlio, que segurava o pastel em uma mão tinha o menino na outra. Gerbulinho, na agilidade dos que começam a vida, agachou-se, passando por baixo da barraca de abaxi e o pai, sem titubear, o seguiu, curvando as espinhas rígidas de sua virilidade cansada.
Na calçada, cortaram por trás da banca de jornal e fugiram por um estreito terreno baldio que dava para a rua do bar.
        Gerbúlio e o filho, de mãos dadas, entraram pelo quintal de casa com os pulmões pela boca e sentaram-se na varanda, mas nem tiveram tempo de descansar. De dentro, veio a mulher esbaforida e esbravejando:
     -Onde andavam vocês que não aparecem para o almoço? Entrem logo que estou terminando o vinagrete.
        Neste momento, pai e filho se levantaram correndo e sumiram-se de novo pelo meio da rua.
Jão Gerbulius Sobrinho
Elói Alves

Leia outras histórias do Tio Gerbúlio:


AS QUESTÕES OCULTAS SOB A LUTA PELOS 20 CENTAVOS DO TRANSPORTE PÚBLICO

sexta-feira, 14 de junho de 2013

AS QUESTÕES OCULTAS SOB A LUTA PELOS 20 CENTAVOS DO TRANSPORTE PÚBLICO

      Às vezes a ficha demora a cair, mas isso não impede que haja pressa na resposta, daí que muita gente seguiu o bonde da grande mídia e o raciocínio conservador que tachou todo mundo de “vândalos” no protesto contra o aumento das passagens do transporte público em São Paulo. No entanto, a energia do movimento mostra algo mais profundo, mostra um incômodo muito maior.
    Vi da minha janela os primeiros passos desse movimento no centro da cidade. Os primeiros gritos pareceram-me coisa Futebolística, mas num segundo vi que havia coisa diferente, o espírito não era o mesmo, nem dos que protestavam nem o do lado que os queriam sufocar.
      Desde muitos anos não vejo no Brasil um movimento como este, onde o povo não luta simplesmente guiado por um grande partido ou por suas organizações sindicais, por uma grande figura que pretenda a presidência da República, com discurseria pretensiosa e salvadora. Por outro lado, a força do movimento não está apenas na perda de vinte centavos do aumento das passagens, como pensam ainda muitos que não entenderam o espírito do movimento. Este aumento foi apenas o estopim de um descontentamento maior que se acumula escorrendo de outras injustiças.
     A força que eclodiu nesses protestos está em camadas subjacentes que engrossam e fortalece o sentimento de indignação. A indignação contra o dramático roubo da esperança que muitos depositaram no partido e no governo que hoje comanda o país. Indignação dos que nunca votaram neles, mas que se surpreenderam com a fome e a sede com que foram ao pote do tesouro público, levando atrás de si toda a “companheirada” para os novos cargos de confiança. Indignação dos impostos que nos custam meio ano de trabalho e que não nos são devolvidos nos serviços públicos de péssima qualidade de que dispomos: como o próprio transporte público- caro, lotado, lento e deficiente-, a saúde, a educação, cujos alunos e profissionais são tratados como sub-gente etc.
     Há também a indignação com as mentiras da copa. A roubalheira para se fazerem os estádios, como já fora no Panamericano. A falsa pacificação das comunidades do Rio, onde os bandidos continuam atuantes sob um Estado curvado ou permissivo devido a corrupção. A indignação com os mensaleiros que, mesmo condenados, continuam paparicados legislando e zombando de todos os brasileiros ou gozando em suas fazendas.
        Depois, o rápido crescimento do movimento se dá também pelo modo fascista como o Estado trata os manifestantes. O governador manda bater, o prefeito se recusa a ouvir e dialogar, a imprensa- conservadora e reacionária- se apressa a desmoralizar e diminuir o movimento e o Governo Federal se dispõe a “ajudar” com mais tropas.
          Ainda é cedo para se dizer qual será o fim, se será derrotado pelas estratégias dos políticos, sejam quais forem, mas o movimento já nos deixou uma esperançosa lição que é esta: o povo pode, e se acordar, como leão que foi amansado, ele muda de fato o país, e  é o único que pode fazê-lo!
Elói Alves

Leia tabém:
A mentira do direito de ir e vir ca Constituição Federal
Coluna do perguntero:
Leiam, no link abaixo, o primeiro capítulo de "As pílulas do Santo Cristo", romance de Elói Alves,Linear B Editora



quinta-feira, 13 de junho de 2013

ADVOGADO ATROPELA BANDIDO AO INVÉS DE DEFENDÊ-LO (Perguntero)

     
      Ontem, em um cruzamento da Alameda Santos no Jardins, um advogado que saia para comemorar o dia dos namorados com sua mulher, atropelou um bandido que acabava de roubá-lo. O celular e relógio de quinze mil reais foram recuperados.
       Fico com algumas dúvidas do episódio. Primeiramente porque os bandidos se consideram "os caras" e acham que não dão bobeira, mas este foi atropelado justamente ao passar pela frente do carro que acabara de roubar, estando o motorista em plenas condições de atropela-lo, como veio a ocorrer com esse "elemento".
       Depois, acho estranho que o advogado que aí está para defender o bandido venha atentar contra sua preciosa vida; vida protegida por todos os nossos códigos jurídicos e por suas excelências criminalistas e até pelo excelentíssimo ministro da justiça que acaba de enfatizar que seu governo é absolutamente contra qualquer discussão sobre a diminuição da menoridade penal, independentemente do que a sociedade pense.
       Pergunto: Teria o ladrão confiado demais no advogado? Teria ele sido ingênuo ao passar pela frente do carro da vítima que acabava de roubar, mesmo sendo um advogado, cuja fortuna, em muitos casos se constrói com o dinheiro que o ladrão lhe paga e que este rouba de outras vítmas?
       Será que teremos, doravante, uma crise de confiança na relação de todos os bandidos com os advogados e criminalistas que os defendem? E será que no Brasil, bandidos continuarão sendo atropelados após concluirem os seus roubos? E será que as leis os ajudarão para que não sofram debaixo das rodas criminosas desses injustos carrros? Ainda, o que será que o ministro da defesa e o Ministerio  da Justiça têm a dizer em favor desses pobres bandidos e de outros condenados que andam por ai pelas nossas perigosas vias e, até mesmo, na afamada Brasília elaborando leis?
Zé Nefasto Perguntero
Leia tabém:
 
 
Leiam, no link abaixo, o primeiro capítulo de "As pílulas do Santo Cristo", romance de Elói Alves, Linear B Editora

domingo, 9 de junho de 2013

A MENTIRA DO DIREITO DE "IR E VIR" DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL"

        A lei maior que rege todas as demais leis brasileiras, a Constituição Federal, chamada também de Carta Magna e Constituição Democrática é um documento nulo, em muitas partes, cujo conteúdo é exaltado ufanisticamente por juristas e advogados constitucionalistas, como o último ministro do Supremo Tribunal Federal, Roberto Barroso, que acaba de ser nomeado pela Presidência da República e sabatinado pelo Congresso onde afirmou que "a constituição só não traz a pessoa amada". Uma das leis fundamentais para a real existência de um "Estado Democrático de Direitos" e que nunca funcionou no Brasil é o direito de "Ir e vir" do cidadão" em todo o território nacional".
              Em toda parte do Brasil há locais onde o cidadão não pode circular livremente, seja em São Paulo, no Rio ou em outras cidades. Desde décadas, as cidadades estão deliberadamente demarcadas e as pessoas não podem passar por certos perímetros urbanos sem autorização, sem o risco de serem baleadas, roubadas, sequestradas e mortas. No Rio de Janeiro, os próprios políticos pedem autorização aos "donos do pedaço" para poder buscar votos nos morros da cidade. Em Santos, em São Paulo e na própria cidade carioca pessoas foram baleadas e mortas nos últimos dias por errarem o caminho e entrarem numa região comandada por bandidos. Na Rocinha, nesta semana, um turista alemão se assutou ao ver um homem com fuzil e foi baleado. Além disso, há em todo espaço"urbanizado" locais pelos quais não ousamos passar por saber do perigo iminente.
        Mas essa limitação de mobilização espacial dos brasileiros não é nova. Há alguns anos, um torcedor santista que fora ao Maracanã foi morto no Rio de Janeiro ao errar a entrada da Avenida Brasil e foi alvejado por traficantes, "donos da área". Em São Paulo mesmo, que tem uma geografia diferente, as pessoas são orientadas como entrar em certos lugares, desligando as lanternas do carro, para não serem alvejadas.
           Mas o ufanismo e a exaltação apaixonada e cega das leis, a cegueira social e a resignação ao aceitar tudo, porque "é assim mesmo" também são coisas antigas. São novas apenas as formas de empurrrar o povo para a aceitação tranquila, as formas de perpetuar as antigas amarras com discursos emotivos, textos romÂnticos, inclusive nas leis e muita dinheiro gasto na propaganda televisiva para continuar o logro e a manuntenção do engano. Na verdade, para se ir e vir em muitísssimos locais do território brasileiro é preciso pagar pedágios a muitos e diversos tipos de bandidos e ter muita sorte para que eles não decidam que seja essa a última vez que a pessoa vá ou venha.
Elói Alves




Leia o prefácio do romance "As pílulas do Santo Cristo" de Elói Alves
Primeito capítulo:
Segundo Capítulo:

 

terça-feira, 28 de maio de 2013

DESILUDIDO COM A POLÍTICA, TIRIRICA É CONVENCIDO A FICAR NO PARTIDO

             Desiludido com a política, Tiririca - que obteve mais de um milhão de votos na eleição de 2010 - havia anunciado que não disputaria mais nenhuma vaga a cargo público após o final de seu mandato. O palhaço e humorista se viu ofuscado entre os políticos ao ter seus projetos impedidos de aprovação na Câmara.
             Sua retirada da vida política, no entanto, foi desestimulada pelo seu partido, o PR, antigo PL, que mudara de nome após o envolvimento nos escândalos do mensalão em 2006. Os líderes do partido, entre os quais Anthony Garotinho, o convenceram a continuar e a se candidatar nas próximas eleições.
              O argumento usado é que Tiririca é um "grande puxador de votos para a legenda" e por isso o partido conta  muito com ele para trazer eleitores para a sigla. Depois dos afagos, o palhaço e se disse feliz e firme de novo. Será que os que o elegeram estão firmes e felizes como ele e seus colegas de partido?
 
Elói Alves
 
Leia também a análise abaixo sobre Tirirca e outros "campeões de voto no Brasil:
http://realcomarte.blogspot.com.br/2011/11/quem-tiriricou-nas-eleicoes.html

quarta-feira, 22 de maio de 2013

A REVOLUÇÃO EDUCACIONAL E CULTURAL, SEGUNDO O PT

      Quando o atual ministro da educação, o político petista Mercadante, colocou suas mãos na pasta da educação brasileira em substituição ao atual prefeito de São Paulo, que saíra para se candidatar a chefe municipal sob orientação de seu tutor político, o antecessor da atual mandatária do Planalto, o governo do PT publicou nota onde afirmava que o novo gestor educacional continuaria “a revolução promovida por seu governo na educação do país”. Mesma fala, mas em ministério diferente, se deu na posse da política petista Marta Suplicy na chefia da cultura nacional, que, segundo nota do governo, também assumia para continuar a “revolução” na área cultural.
       Não entendo o que os petistas conhecem por revolução, nem sei exatamente o que eles entendem por revolução educacional e cultural, mas o referido na nota era especificamente o programa do PROUNI que só-mente em algumas cabeças célebres poderia ser chamado de revolucionário, pois nada há aí com força de mudar estruturas, rever o tipo de educação oferecida à maioria da população, redefinir modelos ou reverter rumos equivocados da política nacional ou liberar a população das opressões históricas, gerar hábitos de reflexão filosóficas ou indicar a promoção de uma cultura crítica e civicamente participativa, que é o que indica algo revolucionário, sobretudo no panorama de nossa história onde ao povo coube e cabe noções grosseiras e utilitárias voltadas à produção básica e não especializada e mesmo alguma qualificação primária visa ao enquadramento às necessidades do capital industrial; isto é, há em alguns poucos casos um enquadramento de pessoas como peças para setores mais específicos do mercado.
          A propaganda rasa e rasteira pode gerar equívocos e até enganar, mas ela não esconde a evidência que mostra que a simples substituição de uma peça por outra, ou de um partido por outro, de um coronel por outro de tipo renovado, um neo-coronelismo, que é o que se deu com o advento do PT ao Planalto, não proporciona um só elemento revolucionário em hipótese alguma. Isto porque não houve redefinição do modelo histórico de exploração da ignorância popular ou substituição das classes opressoras, mas sim- e somente- deu-se a ascensão de um novo grupo de políticos, aglutinando-se com os antigos, sem eliminá-los, mas compondo com eles, com todos os antigos coroneis e donos do país, que - os novos ocupantes do poder - trouxeram consigo seus ajudantes que chamamos correligionários ou militantes, assumindo cargos de confiança, espoliando ainda mais os recursos públicos uma vez que, agora, é preciso sustentar uma estrutura partidária muita mais inchada e muitíssimo mais sedenta de recursos que os locupletem.
        O PROUNI e mesmo o FIES, anterior ao governo do PT, são financiamentos de cursos em faculdades privadas que não trazem qualquer índice revolucionário no que se refere à qualidade da educação. Ao contrário, o ingresso de amplo número de alunos nas faculdades particulares sem qualquer rigor na qualidade do ensino, sem um vestibular criterioso já aponta para a má qualidade dos cursos que fornecem diplomas sem uma formação razoável. O diploma por si só não é, obviamente, indicador de oportunidades de melhorias de vida, de melhores empregos e formação de uma sociedade mais preparada para decisões políticas e cívicas. No limite, além da rentabilidade e transferência de renda para as empresas educacionais privavas, esses programas promovem números e estatísticas de diplomados com a triste ampliação do analfabetismo funcional entre os que concluíram o ensino superior.
        A menos que haja muita pressão popular, a educação no Brasil nunca mudará efetivamente de rumo; ao revés disso, o engodo se perpetua com propagandas, discursos e programas que visam a gerar dependência e não liberar a sociedade rumo à ampliação cultural e educacional, que geraria independência política e aumento de controle do poder público pela sociedade, muito diferente do que há hoje no país.
         Com o governo do ex-ministro da educação petista na prefeitura de São Paulo, diferentemente do que muitos ingênuos achavam, a educação é tratada exatamente como instrumento de manutenção da ignorância, como ferramenta de promoção de subserviência política e eleitoral. A diferença é que o fazem com maior truculência e ironia que seus antigos rivais políicos, hoje aliados - como Maluf -, mandando para câmara municipal, como acabara de fazer, um projeto de reposição salarial de 0,01% para ser votado; desrespeito tamanho que os próprios vereadores se negaram a encarar, oferecendo outro ridículo aumento de 0,18% para votação. Isso gerou uma histórica união de sindicatos na decretação de uma greve que levou às ruas até mesmo muitos que ainda defendem o partido que ocupa o poder federal e municipal e aos gritos de milhares de pessoas que chamavam o prefeito do PT de malufista.
        Outra questão a verificar, e que os petistas não encaram, é o problema estrutural da educação no Brasil. Este fato a chamada revolução desses políticos não pode mudar, porque é ineficiente, míope e desinteressada. O Brasil tem importado engenheiros e agora o próprio governo federal importará médicos em massa, exatamente porque não consegue formá-los aqui, devido, entre outras, à deficiência de seus programas como o PROUNI. A educação e seus profissionais são ironizados e avacalhados em todo o país e os postos de comando das pastas educacionais são ocupadas por homens de partido e apadrinhados políticos e não por profissionais adequados e sensíveis à causa da educação.
          Esta ideia de revolução, tão audaciosa quando risível, não pode sequer ser elevada à categoria de conceito. Ela traz em si o fantástico equívoco de formulação em sua direção pelo fato de estar apontada para o topo e não para base, para a saída e não para a porta de entrada, que é aducação básica. Por isso, esse tipo de ideia seria muito mais justa se a apelidássemos de "estética do telhado". Algo inócuo mais fácil de se mostrar por sua posição no alto, posta de cima para baixo.  
         Por fim, o pensamento e modo de atuar dos políticos que se denominam “revolucionários” ao chegarem ao poder demonstram a mesma cultura das velhas classes políticas, das eternas oligarquias, desde os barões do açúcar e do café até os donos das concessões públicas de rádio e televisão de todo o país, inclusive com as práticas de corrupção que evidenciam que o que chamam de revolução cultural é, a efeito, um conjunto de práticas arcaicas e podres, algo tão nefasto e corrosivo como todos os males mais vis e mais condenáveis que, tragicamente, nunca conseguimos expelir do seio da sociedade brasileira.
Elói Alves

Leia o prefácio do romance "As pílulas do Santo Cristo" de Elói Alves




Primeito capítulo:

Segundo Capítulo:

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