sábado, 15 de dezembro de 2012

O PESO DO MUNDO SOBRE OS INDIVÍDUOS: Algumas palavras sobre o "longânimo"

        Eu estava a toa quando me veio essa palavra: longânimo. Anoitecia, eu havia saído do trabalho e vagueava como quem descansa a um só tempo o corpo e as ideias. Meio estranha a palavra longânimo. Há tempos que não a ouvia nem de mim mesmo. Não condiz com as palavras que tenho ouvido. Certamente está desatualizada, seja o que for o que queira dizer ser atualizado. Assim, fui indo para outros tempos, retrocedendo. Em pequeno foi que ouvi esta palavra pela primeira vez, recordei-me.
        Morei longe de tudo em minha primeira infância. Nem nada havia às vezes. Matos, cabras, gentes dali, bem dali. E uns poucos rapazes já avançados, se atualizando no que diziam moderno, nos bailes, nas roupas, nas bebidas e brigas de bailes, que chamavam de “tretas”. Foi ali que ouvi de uns velhos essa palavra. Eu sabia que não podia ouvir as conversas dos velhos, mas ficava por ali como quem não quer nada. Esticava os ouvidos e ia guardando as palavras. Muita coisa não entrava, outras entravam e saiam, algumas sumiam com o tempo dando-se por mortas, para ressuscitar, toda empoeirada, em um dia longínquo ao findar de uma tarde: “longânimo”.
         Certamente alguns velhos me influenciaram bem mais que os jovens modernos que “tretavam” nos bailes naquele tempo. Sendo assim, devo a qualquer velhinho minhas leituras de ainda criança dos provérbios de Salomão. Se não foi este, deve ter sido um outro - Paulo, Pedro, Davi - que me deu o derivado longanimidade. Devo dizer, de passagem, que não havia gibi da Mônica ao alcance de meus olhos. Mesmo num vilarejo do antigo entorno de São Paulo havia uma bíblia. Não havia gibis, nem bibliotecas, mas havia uma bíblia, um Bradesco, um pouquinho mais para o centro, uma assembleia de Deus, a igrejinha católica no alto da praça e terras, muita terra com campos de futebol, onde corríamos descalços, contentes da vida. E havia principalmente todo o tempo infinito e possível para viver aquela vida nos momentos mágicos de sua inocência e daquela liberdade.
         A palavra longânimo é antiquada hoje, é desusada e estranha. Sobretudo longanimidade é mais incomum. Essas palavras significam ter um ânimo longo, que não se esgota rapidamente, algo flexível e duradouro. Lembra paciência, que é numa frase conhecida de Cícero a capacidade de suportar, “corpus patiens".
Não é apenas em relação aos outros que não se tem paciência e longanimidade hoje. É também em relação a si próprio, com seus projetos, com suas tarefas; uma ausência de consciência de uma constante auto-mutação. Há sim um comprometimento da relação com os outros, no trabalho, em casa, na escola, na rua, nas redes sociais; mas sua origem está por vezes em si próprio, no elo mínimo do todo. É uma questão de saúde em boa medida, psicológica ou de outras patologias; mais ainda, é já ao mesmo tempo algo mais complexo: uma doença da sociedade atual.
Há forças positivas e negativas em todas as direções no mundo de hoje, o que mostra a complexidade dos fenômenos. E as coisas não são gratuitas, existem interesses poderosos envolvidos. Mas para além de uma dualidade, há também dialética. Como se essas coisas estivessem misturadas no mesmo pote. Assim, como distinguir o bem e o mal?
        O mundo de hoje parece pesado demais para os indivíduos. Tanto maior o é quando a sociedade sucumbe toda ela diante de seus problemas. Quando as instituições são mais fortes que os indivíduos e seus interesses tomam rumos opostos. O indivíduo de início fraqueja, depois aceita apenas “empurrar com abarriga”, rejeitando os grandes embates e destratando a si e ao próximo. E torna-se um reflexo dessa sua vida em quase tudo que faz.
        Mas quero esperar que haja arte, haja audível música, haja alguma inocência, sobretudo haja indivíduos que se façam distintos, que se façam melhores. Que a paciência, fruto do cuidado de si, da projeção de si para com os outros imediatamente a sua volta ainda se renove. E que o prazer para si não seja o mal para o outro. Que a estranha palavra longânimo traga sua irmã: a longevidade, ainda que estejam fora de moda.
Elói Alves
 Leia o primeiro capítulo de As pílulas do Santo Cristo romance de minha autoria
http://realcomarte.blogspot.com.br/2012/10/as-pilulas-do-santo-cristo-1-capitulo.html

Abaixo, pode-se ler também o prefácio feito pelo escritor e mestre em Literautra Comparada pela FFLCH-USP Edu Moreira: http://realcomarte.blogspot.com.br/2012/11/prefacio-de-as-pilulas-do-santo-cristo.html

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

LANÇAMENTO DE AS PÍLULAS DO SANTO CRISTO -


 

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Primeito capítulo:
Segundo Capítulo:
 




 

domingo, 25 de novembro de 2012

ORAI PELA PALESTINA E POR TODA CIDADE

       Orai pela Palestina. Infelizmente este salmo não existe. Está por escrever-se, mas oxalá fosse escrito - por inspiração de Jeová, ou Alá, de Zeus ou Júpiter ou por Tupã e por nosso singelo anseio de harmonia - não em pedras desérticas ou papiros carcomidos e sim em mentes sãs, quais já poucas temos no seio enfermado do interesse econômico que se serve do belicismo industrial, do fanatismo, do desespero e tantos outros meios. Quem nos dera fosse escrito nos corações sensíveis ao bem comum, à convivência pacífica.
      Mas do lado de cá do heminsfério não estamos tão tranquilos. No Brasil mata-se mais que em muitas guerras. No recente conflito entre Israel e Palestina, mísseis foram disparados em direção a Jerusalem sem ferir um só pessoa, felizmente. Uma criança palestina morreu nesta quarta-feira, (21/11) em um novo ataque israelense contra o edifício que abriga o escritório da Agência France Presse (AFP) na Faixa de Gaza.
       Por aqui, mesmo não havendo guerras declaradas, os enfrentamentos entre policiais e criminosos e os ataques a civis, seja em assaltos ou em execuções têm levado a números de vítimas que assustam, embora o Estado em todos os seus níveis pouco sempre fez (e faz e pouco fará) para combater o crime organizado, a circulação de armas, inclusive as de grande porte e as de uso exclusivo das forças armadas.
     A mesma esperança e sonho do “dreamer” de Imagene dos Betles resta, no entanto. Imaginar “um mundo sem fronteiras”, imaginar “todas as pessoas vivendo seus dias em paz”. Para que haja paz em Jersalem, porém, como diz no salmo, tão belo e esperançoso, é preciso que haja paz na Palestina.
     Igualmente para que as pessoas vivam em paz pelas ruas de nossas cidades brasileiras será preciso que a perversa situação social se altere, que a corrupção estatal seja combatida, que juristas e operadores do Direto conheçam, amplamente, a realidade social, que o pensamento, já muito enraizado na sociedade, que indica que o crime e a irregularidade compensam seja alterado por meios legítimos e justos, que os espírito ou pensamento dos homens se altere, para recepção do bem dos que querem realmente a paz.

 Leia o primeiro capítulo de As pílulas do Santo Cristo
http://realcomarte.blogspot.com.br/2012/10/as-pilulas-do-santo-cristo-1-capitulo.html
Abaixo, pode-se ler também o prefácio feito pelo escritor e mestre em Literautra Comparada pela FFLCH-USP Edu Moreira:

 http://realcomarte.blogspot.com.br/2012/11/prefacio-de-as-pilulas-do-santo-cristo.html

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

LIVROS

Luz Total - Cláudio Laureatti
Livro de poemas, disponível no site da AGBOOK,  de autoria de Claudio Laureatti, poeta, ator e cidadão.
Cláudio é diretor artístico da AEP (Associação de Escritores Paulistanos).

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

CONVITE PARA O LANÇAMENTO DE "AS PÍLULAS DO SANTO CRISTO"

     No próximo dia 27, terça feira, a Editora Linear B fará o lançamento do livro "As pílulas do Santo Cristo", romance de minha autoria. O evento será realzado no Restaurante Rose Velt, Praça Roosevel, 124 com início às 19:00 e encerramento às 21:30. Gostaria de convidar a todos e ao mesmo tempo agradecê-los pelas dedicadas leituras de meus textos. O exemplar do livro terá o preço de lançamento a R$ 30,00.
Grato,
Elói Alves

Leia o primeiro capítulo de As pílulas do Santo Cristo
http://realcomarte.blogspot.com.br/2012/10/as-pilulas-do-santo-cristo-1-capitulo.html

Abaixo, pode-se ler também o prefácio feito pelo escritor e mestre em Literautra Comparada pela FFLCH-USP Edu Moreira: http://realcomarte.blogspot.com.br/2012/11/prefacio-de-as-pilulas-do-santo-cristo.html

domingo, 11 de novembro de 2012

SOBRE OS "AMIGOS DOS POBRES"

     "Um rei, longe de proprcionar subsistência a seus súditos, tira deles a sua" Rousseau, Contrato Social

     Acabo de vir da rua com meu coração ainda saltando, em júbilo!
     Ora, indo pela rua Líbero Badaró, esse nosso mártir de quase dois séculos, vi uns papeis em cores chamativas espalhados pelo chão. Como não é época de eleição, devia ser propaganda útil - pensei. Julgai por aí se o era, mas minha alegria emergiu ali.
    Dizia o panfleto, abaixo da foto de três políticos abraçados e risonhos:
    “OS TRÊS VERDADEIROS AMIGOS DOS POBRES E DA CLASSE MÉDIA".
     Não sei se meu coração exagera ou ando carente, mas regozijei em saber que, finalmente, os pobres terão esses amigos, raros, e que são, principalmente, amigos verdadeiros.
     Fiquei todavia com certa dó dos ricos - agora excluídos e talvez deprimidos -, mas contrabalancei esse meu fraco sentimento com a histórica notícia, que concluí daí, de que os pobres terão esses tão nobres amigos ao almoço e ao jantar e à ceia de fim de ano, que poderão ser saboreados, alternadamente, em suas casas, sejam onde forem, ou nas casas dos nossos verdadeiros amigos, digo dos pobres e da classe média, nas Câmaras, nas Assembleias, no Congresso, nos palácios, no Planalto Federal, onde encontrarem-se Suas Verdadeiras Amizades.
     Os ricos que sosseguem! Já possuem o bastante, inclusive milhões que desperdiçam, doando-os para as milionárias campanhas eleitorais daqueles que os excluíram agora do rol de seus “verdadeiros amigos”. Também todos aqueles que enriqueceram com a corrupção que sofram calados, padecendo sem a companhia dos nobres amigos do povo pobre. E não só esses, mas todos os grandes empresários, proprietários de petrolíferas, de refinarias, industriais, empreiteiros que restrinjam-se às suas amizades menos nobres e menos influentes, porque - para vosso choro – doravante, o povo terá sozinho o privilégio que era e fora só vosso. Ouso dizer que teremos, a partir de já e oxalá para sempre, um governo dos pobres e dos ex-oprimidos.
     Quanto a mim, que não tenho a honra de ser incluído nessas nobres amizades, porque nem os fui apresentado e ando meio atarefado, além de ser tímido, não entendendo nada de suas conversas, contento-me em saber que, mesmo com o analfabetismo funcional impregnado na formação de tanta gente que sai das escolas e das faculdades sem entenderem e interpretarem bem os textos, sem conhecimento básico dos diferentes gêneros textuais e das muitas manobras e formas de convencimento e persuasão retórico-política, além de outros males sociais, contento-me em saber que os pobres estão, como nunca, repletos e acompanhados de tão maravilhosas e benditas e verdadeiras e magníficas amizades!
Elói Alves

 Leia o primeiro capítulo de As pílulas do Santo Cristo romance de minha autoria

Abaixo, pode-se ler também o prefácio feito pelo escritor e mestre em Literautra Comparada pela FFLCH-USP Edu Moreira: http://realcomarte.blogspot.com.br/2012/11/prefacio-de-as-pilulas-do-santo-cristo.html

sábado, 10 de novembro de 2012

A EDUCAÇÃO E A DITADURA POLÍTICA (Perguntero)

      Sabe-se que com uma má educação, o nível de discussão torna se cada vez mais baixo. É sabido também que mesmo os “formados” muitas vezes não acompanham com profundidade muitas das relevantes discussões políticas, históricas e sociais, uma vez que o nível da educação em geral é infelizmente baixo. Prova cabal disso é o deslavado nível de fanatismo de tanta gente que se acha “sabido”, na verdade são intolerantes a diferenças de opinião, de gosto em todos os níveis. Super valorizam sua visão de mundo – que para cada um nunca é míope - em detrimento de outras. Querem que prevaleçam seu time, sua religião, seus hábitos, o gosto dos iguais, seu partido- e mesmo dentro desse, quer que governe seu líder preferido e até pessoal.
      Nossa sociedade ou nosso “amontoado de indivíduos” mostra ainda que está bem distante de uma razoável boa convivência entre as diferenças, ainda que seja bonito defendê-la discursiva e teoricamente. Inicia-se pela indiferença com o outro para recair finalmente no conformismo de todas as espécies.
       Aliás, será que há interesse de que as coisas sejam realmente discutidas? Há entre nós o gosto pela dialética, pela “outridade”, pela audição da narrativa alheia, pela experiência do outro? Por que os temas que realmente importam são jogados à margem das discussões políticas e não entram nas campanhas eleitorais, e menos ainda circulam no congresso, que deveria ser a maior casa de debates? Por que o instituto do plebiscito é historicamente negado aos cidadãos no Brasil e quase em toda parte do mundo?
       E - a última, se me permitem - se um líder político que tenha grande poder de convencimento popular e fás incondicionais decretar ditadura política, esses seus fás lutarão contra ele ou o ajudaram a acabar com a oposição que restar, aniquilando-a?
Zé Nefasto Perguntero

Leia o primeiro capítulo de As pílulas do Santo Cristo romance de Eloi Alves:
http://realcomarte.blogspot.com.br/2012/10/as-pilulas-do-santo-cristo-1-capitulo.html
Abaixo, pode-se ler também o prefácio feito pelo escritor e mestre em Literautra Comparada pela FFLCH-USP  prof. Edu Moreira: http://realcomarte.blogspot.com.br/2012/11/prefacio-de-as-pilulas-do-santo-cristo.html

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Capa do livro AS PÍLULAS DO SANTO CRISTO

Esta é capa do livro "As pílulas do Santo Cristo", romance de minha autoria, cujo lançamento será realizado no dia 27 de novembro, no Restaurante Rose Velt, praça Roosevelt, 124, centro de São Paulo, das 19 às 22 h. A editora é a Linear B.

Leia o primeiro capítulo de As pílulas do Santo Cristo :http://realcomarte.blogspot.com.br/2012/10/as-pilulas-do-santo-cristo-1-capitulo.html

Abaixo, pode-se ler também o prefácio feito pelo escritor e mestre em Literautra Comparada pela FFLCH-USP Edu Moreira: http://realcomarte.blogspot.com.br/2012/11/prefacio-de-as-pilulas-do-santo-cristo.html

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