sexta-feira, 22 de julho de 2011

TIO GERBÚLIO E O ROUBO DO ERUDITO

Padre Gelfrido ia dar palestra na Universidade Católica e levou tio Gerbúlio como motorista. Chegando lá, nosso tio se convenceu de que já bastava ter ouvido o padre na viagem e preferiu o passeio dos corredores. Depois de meia hora por ali, já estava íntimo dos funcionários. Conversava com a bibliotecária, que fumava no jardim, quando surgiu um senhor de repente. Era um professor, erudito, gramático e filólogo das antigas. Parou no corredor principal da faculdade e escorou-se numa pilastra de feitio barroco, da época colonial. Vinha esbaforido, com a língua de fora. Enxugava o suor no lenço quando uma funcionária do departamento de letras modernas lhe interrompeu.
-Tudo bem, professor, posso ajudá-lo de algum modo?
-Agora não, minha filha. Mas um pouco mais cedo seria preciso. Acreditas que dois ladrões , com tamanha agressão, roubaram-me a pouco, no portão da universidade?
-Nossa, professor! Mas ninguém viu, o senhor não pediu ajuda?
-Gritei, gritei muito: “Meliantes! Larápios! Ratoneiros! Gatunos! Prendam-nos! Peguem-nos!” Mas ninguém me ajudou.
Jão Gerbulius Sobrinho

quarta-feira, 13 de julho de 2011

TIO GERBÚLIO, O PRIMO LEZÉ E O PADRE GELFRIDO


     Tio Gerbúlio tinha memória alada. Quando estava só a um canto, dava asas à lembrança de algum ocorrido antigo; geralmente notório ou ao menos jocoso. Nesses momentos, parecia não estar ali, mas logo soltava um gargalhada, que era uma confissão da lembrança.
Certa tarde, depois das gargalhadas solitárias, lembrou a seguinte história:
Era São João e padre Gelfrido andava a coçar a cabeça com o atraso da reforma na igreja.
    -Desse jeito não sai quermesse, Gerbúlio, disse o padre à porta do bar.
Depois, distribuiu os doces e as bênçãos aos pequenos que brincavam na rua e tornou à conversa.
    -Amanhã às seis. Leve os homens. Não perderão com Deus e ganharão comigo.
No outro dia cedo, Gerbúlio passou chamando os amigos que tinham prometido ajuda. Eram seis. Três vizinhos do bar, homens já experimentados em serviço pesado e dois sobrinhos de corpo franzino. Mas um dos sobrinhos, o Lezé, quando dizia que já ia, podia-se esperar por ele mais algumas horas. Mas nesse dia ninguém o esperou.
     Padre Gelfrido estava contente com a disposição e ia abençoando os homens de boa vontade. Mandou que viessem logo o café e o lanche, porque eram todos filhos de Deus. Mas, sem que o padre soubesse, eles iam tomando a cachaça do tio Gerbúlio, que sabia melhor que o eclesiástico como despertar a força naqueles homens.
     Às dez horas, quando os trabalhos já iam longe, apareceu enfim o sobrinho retardatário.
     -Chega a propósito para a feijoada, Lezé, disse o tio passando-lhe uma lata cheia de concreto.
Depois, virando-se para padre Gelfrido, emendou:
     -Esse, meu sobrinho, padre, descansa seis dias e trabalha no sétimo. É um pagão.
Padre Gelfrido riu-se da analogia da criação do mundo e foi ver quem o chamava de dentro da igreja. Quando o sino deu meio dia, o padre veio convocar para o almoço das santas mulheres de nossa capela. Tinham feito de tudo pela santa causa e pela disposição dos bons homens. O padre ordenou que se servissem à vontade. Tio Gerbúlio, chamado primeiro, usou de cautela. Depois vieram os outros. Lezé rejeitou o prato de louça, de fundo raso, e foi servir-se numa tijela de alumínio; depois foi comer na tranquilidade da sombra de uma coluna antiga. Mas reapareceu logo com a tigela vazia, dizendo:
     -Experimentei um pouco, padre Gelfrido, está uma bênção!
     -Está um regalo, realmente, respondeu o padre. Prove de tudo. O quanto puder, meu filho!
Jão Gerbulius Sobrinho
 
Outras histórias do Tio Gerbúlio
 
http://realcomarte.blogspot.com.br/2011/11/tio-gerbulio-e-o-doutor-armando.html
 

terça-feira, 12 de julho de 2011

GOVERNO CULPA IGNORÂNCIA DO MERCADO POR FRACASSO DO TREM BALA


No episódio da licitação do trem bala, onde ninguém apareceu para apresentar proposta, agentes do governo disseram pela imprensa que “o mercado não entendeu a proposta do governo”. A verdade é que este projeto nunca foi levado a sério por ninguém, nem o governo sabe bem como será isso. O projeto está entre aquelas maravilhas do PAC, filho de Dilma, segundo Lula, no projeto de sua sucessão. E olha lá, quando nem as empreiteiras, que são doadoras para campanhas políticas querem se envolver, eu também não sei! Interessante esta questão da ignorância dos outros, não? Quando o governo Lula perdeu para a população no referendo do desarmamento, com quase 80% no sul e 68% no centro-este, os governistas, que tinham investido pesado em propaganda, disseram também que a população não tinha entendido o projeto. Ora, entendidos são eles, não? Pois bem. Mas e nos casos de corrupção, onde eles não sabem nada? Agora mesmo, na pasta do transportes, o ministro nem ninguém sabia de nada. Todo mundo caiu. Primeiro os assessores do ministro, que são do PR como seu chefe, depois o próprio ministro; mas, ainda demitidos, não sabem de nada. Bom, tudo bem! Tiririca também não sabia de nada a respeito do cargo para o qual se candidatava e foi eleito, muito bem votado, no mesmo PR. No novo caso de denúncias da Petrobras, ninguém também sabe de nada. Quando se perguntava a Lula sobres os vários tipos de corrupção no governo do PT, ele dizia que não sabia de nada. Que não tinha lido os jornais, que tinha sido traído. Agora, se foi traído, quem o traiu? Será que nem mesmo os traidores do eleitor sabem quem são eles mesmos? Opa! Será que teremos que pagar agora para contratar Os Caça-Fantasmas? Deixa lá, que é capaz de alguém gostar da ideia.
Zé Nefasto Perguntero

segunda-feira, 11 de julho de 2011

O SANTINHO DO CAPETA CANDIDATO


Uma coisa que nunca entendi, em política, é o porquê daquelas propagandas pequenas de candidato, que vêm com a foto, ter o nome de santinho. Uma vez fiquei olhando bem para uma e perguntado: Santinho? Santinho? Será mesmo? E se o diabo for candidato? Espera aí, é apenas uma suposição. Suposição atrasada, caso já tenha sido, e alguém conhecido seu já tenha votado nele. Aí o diabo candidato terá também o seu santinho? Sim, claro! Já pensou, você na rua, caminhando tranquilo, de mente pura, despreocupado, e de repente a sua frente está o assessor do diabo, pedindo votos.
___Pega aí, você! Um santinho, é do capeta! Boa gente, viu! Da a ele o seu voto de confiança!
De confiança? O que você faria se te dessem, na rua, o santinho do capeta, candidato? Ou será que o capeta já estaria eleito?
Zé Nefasto Perguntero

sábado, 9 de julho de 2011

A ONÇA DE TIO GERBÚLIO E MACUNAÍMA


Uma das histórias mais recontadas por tio Gerbúlio , lá na varanda, era a da onça, sobre a qual ele dizia ter montado quando moleque, no interior do Paraná.
Era assim:
O povoado era pequeno, havia muito mato e muito morro. Um dia correu um boato de que uma onça enorme andava por aqueles matos à noite. Alguns diziam que já a tinham visto de dia.
Como o povo era medroso, ninguém se arriscou a ir lá verificar a verdade e apenas proibiram as crianças de ir à beira dos matos.
Mas Gerbúlio era curioso e teimoso desde muito cedo.
Passou a sondar o caso de perto, sempre com cuidado e sozinho. Quando amanhecia, ia para próximo dos matos. Logo achou uma boa árvore, e montou ali o seu quartel general. Depois de uns dias, viu a onça. Não era tão grande como tinham dito. Mas era verdade que tinham visto a bichona. Só que também não era pintada, como tinham dito.
___O povo mente muito, dizia o tio, interrompendo a história.
Como a onça se mexia pouco, concluiu que ela estava doente ou fazia-se de esperta. Gerbúlio resolveu testá-la. Pegou o estilingue e acertou-lhe a cabeça da bicha com uma das cinco pedrinhas que trouxera. A pequena pedra foi bater bem no meio da testa da onça
___Mas ela não tombou, feito o gigante da bíblia, alertou logo o tio.
. Ela levantou-se, bem devagar, e se foi sumindo dentro da mata, sem por no chão uma das patas de trás. Pronto, estava mesmo machucada!
__Resolvi não contar nada para ninguém
Gerbúlio tinha reflexão. Ou iam proibi-lo de voltar aos matos ou iriam todos juntos matar a onça machucada.
No outro dia acordou bem cedo. A bem dizer, pouco dormiu. No caminho para os matos, viu que a arapuca do Bimboca tinha pego um preá gordo e resolveu levar essa comida à onça. A bichona aceitou satisfeita. No dia seguinte, mais cedo, levou água e uma galinha e, no terceiro, montou no pelo escuro da amiga.
__Quando fecho os olhos, ainda vejo a danada, dizia.
Mas a onça sumiu de vez, e Gerbúlio só acordou o segredo depois de grande.
Uma vez que ele contava de novo a história, meu avó gritou lá da sala:
___Esse Gerbúlio é um Macunaíma!
Jão Gerbulius Sobrinho

sexta-feira, 8 de julho de 2011

RECEITA DO EXUBERANTE APETITE SEXUAL DE BERLUSCONI

    
    A Itália está em crise econômica, como boa parte da Europa, e em crise diplomática bilateral, com o Brasil, mas seu primeiro ministro, Silvio Berlusconi, não está. Ao contrário, tem mostrado, mesmo aos setenta e quatro anos, um apetite sexual exuberante. Fotos suas, com mulheres novas em festas, em suas mansões, são recorrentes na imprensa mundial. Nesta semana, apareceu um médico, na grandiosa imprensa brasileira, bendizendo sua energia sexual. Daí a pergunta: qual a receita, minha cara Itália, desse velho gladiador das lidas amorosas? Quem ma dará, A divina comédia? Ou teremos que buscá-la no Decamerão?
    Como não tinha a resposta para pô-la aqui nesta minha coluna, aceito a de um amigo que jura que é a da venerável figura do vetusto italiano: Língua, dedo e dinheiro; não necessariamente nesta ordem, isto é, o último convém que seja o primeiro. Sendo, mais que quaisquer membros, o dinheiro a parte de maior excitação; para suas parceiras, claro. Aliás, quanto maior a quantidade, de dinheiro, mais potente se mostrá o garanhão. Uma outra versão muito prazerosa da mesma receita é a composta pelos seguintes ingredientes: dinheiro antes e dinheiro depois. Será por aí mesmo? Ou será que o Calígula terá a resposta ideal e mais apimentada para por no lugar certo?
Zé Nefasto Perguntero

 
Prefácio de As pílulas do Santo Cristo, romance de Eloi Alves
 
Primeito capítulo:
Segundo Capítulo:



quinta-feira, 7 de julho de 2011

PARAJORNAL ARGENTINO GOVERNO DILMA SOFRE COM HERANÇA MALDITA DE LULA

O jornal argentino La Nación refere-se à saída do ministro dos transportes Alfredo Nacimento, a segunda queda no minstério em um mês, como uma "herança maldita" que a presidente recebeu de seu antecessor, ex-presidente Lula. Nascimento, do Partido da Repúlblica( que trocou a sigla PL na sujeira do mensalão), teve primeiramente todo seus assessores demitidos por Dilma, mas não aguentou as novas suspeitas de corrupção praticada por seu filho no ministério. A saída do ministro foi protelada devido sua estreita ligação com Lula e ao esforço pessoal deste para manter o seu ex-ministro no Cargo.
Interessante que o termo "herança maldita" era atribuído por Lula a Fernando Henrique Cardoso, referindo-se ao período econômico do governo de FHC. Exatamente agora que Cardoso tem recebido elogios pela estabilização econômica no seu governo, o termo "herança maldita" troca de lado, mas com sentido moral. Poderia dizer-se que Lula paga com a língua se não fosse o país quem está pagando por essas mazelas, de que Dilma tenta se livrar com dificuldade, pois precisa de apoio para governar. O dilema de Dilma para governar é como o de quem quer Deus mas precisa do diabo. O quê você acha?

quarta-feira, 6 de julho de 2011

NOVA LEI QUE FAVORECE CRIMINOSOS NO BRASIL JÁ CAUSA EFEITO EM SÃO PAULO

Hoje cedo, na primeira manhã após entrar em vigor a nova lei que permite criminosos permanecerem soltos mesmo se forem flagrados e presos cometendo crimes, cuja pena seja inferior a quatro anos, bandidos agiram barbaramente na principal via da cidade de São Paulo, a Marginal Pinheiros, próximo à Universidade de São Paulo-USP. Os atos criminosos foram de tremenda ousadia. Com pedras postas na via, paravam os carros para roubarem os motoristas. Houve batidas de carros, esfaqueamento de motorista, socorrido no hospital Universitário, roubo de dinheiro, de documentos e roubo das cargas dos carros batidos. Nenhum bandido havia sido preso pela manhã. É uma desgraça após a outra para as pessoas de bem, abandonadas à sorte. Ali mesmo na Cidade Universitária foi assassinado um estudante da faculdade de Economia - ECA - algumas semanas atrás, com um dos participantes confesso no crime sendo liberado na delegacia, onde se apresentou acompanhado de um criminalista ( teve prisão preventiva dias depois). Será que é investigado se o dinheiro da fiança é ou não dinheiro roubado? Será possível andar por aí com alguma tranquilidade? Ou temos que entregar a alma para Deus ao acordar?

Postagens populares (letrófilo 2 anos 22/6)