sábado, 4 de setembro de 2010
terça-feira, 31 de agosto de 2010
DO QUE MAIS GOSTO EM VOCÊ?
Do que mais gosto em você:
De seu olhar, sereno e calmo,
De suas palavras soando como salmo,
No seu singelo jeito de dizer?
Como se pode, então, priorizar,
Se se divide, diversa, sua beleza,
Numa amplitude de toda natureza,
Afastando-se e juntando-se de para em par?
Se seus pés são belos,
Seus olhos são singelos,
Formando tudo uma mesma inteireza.
Come se poderá assim escolher,
Se a parte eleita é a própria incerteza?
Porque a certeza é inteira: é você!
Lançamento do livro Contos humanos, de Elói Alves, dia 27 de novembro:
http://realcomarte.blogspot.com.br/2013/11/lancamento-do-livro-contos-humanos-de.html
De seu olhar, sereno e calmo,
De suas palavras soando como salmo,
No seu singelo jeito de dizer?
Como se pode, então, priorizar,
Se se divide, diversa, sua beleza,
Numa amplitude de toda natureza,
Afastando-se e juntando-se de para em par?
Se seus pés são belos,
Seus olhos são singelos,
Formando tudo uma mesma inteireza.
Come se poderá assim escolher,
Se a parte eleita é a própria incerteza?
Porque a certeza é inteira: é você!
Lançamento do livro Contos humanos, de Elói Alves, dia 27 de novembro:
http://realcomarte.blogspot.com.br/2013/11/lancamento-do-livro-contos-humanos-de.html
sábado, 5 de junho de 2010
O BISPO MACEDO, A SAÚDE DOS RINS E A CAIXA DE ÁGUA
O bispo Macedo, o grande líder neo-pentecostal brasileiro, soube usar em sua liturgia, antes mesmo de se fazer bispo, algo maravilhosamente saudável que é a água, fazendo os fieis tomá-la imediatamente após suas rezas e orações. Não obstante aos protestos de muitas igrejas co-irmãs que julgam este ato diabólico, a água opera maravilhas. E, ainda que para muitos as curas religiosas sejam fruto de efeitos psicológicos, ou reações positivas às técnicas retóricas fantásticas e às excelentes oratórias de cujo uso nosso bispo é grande mestre, mesmo incomensurável, a introdução litúrgica da água é um ganho nunca antes tão bem utilizado neste país, sobretudo devido sua tropicalidade e ao nosso gosto de nos expormos ao sol.
Essa prática é uma grande bênção de cuja graça deve haver amplo testemunho, inclusive por meio da mídia e da propaganda. Mais ainda: é medicinalmente recomendada uma boa ingestão de água ao longo do dia. Alguns recomendam sete ou oito copos por dia. Isso no entanto não é matemático, como não é unânime a crença e a fé. Com as mudanças climáticas, ou "el cambio climático", como dizia All Gore, ou com a prática de esportes isso pode variar para mais. Para o bom funcionamento dos rins, da circulação do sangue, do equilíbrio da temperatura do corpo etc, a água é vital, e seu uso contínuo pelos fieis (pelos infieis também) deve ser mesmo recomendado, até mesmo porque, no caso de o milagre não acontecer, a água ajudará na saúde do amigo fiel e pio, para que ele não pereça.
Apenas um cuidado. Num pais, cujo saneamento básico ainda é precário, e cujos inúmeros esgotos não são tratados, mesmo em "regiões nobres", é sempre preciso tomar cuidado para não ingerir água contaminada por vírus, por bactérias e por outros organismos microscópicos, mesmo sabendo que a fé não costuma falhar, que a nossa reza é forte e que o “companhero Lula” acabará com a miséria e os esgotos “desse país”.
No entanto, só acordei para essa maravilhosa maneira de se promover o saudável uso da água depois de um certo acontecimento com um amigo meu. Sendo ele ateu obstinado,daqueles que têm carteirinha para entrar no inferno, foi chamado, numa tarde chuvosa em que lia Swift sob os cobertores, pela vizinha crente para explicar a ela o que dizia um pastor gringo que lhe lia uma bíblia diferente. Era um mormo. Meu amigo, vendo o lugar em que se metia, piorou logo o seu inglês aprendido na Austrália, misturando-o com espanhol de sotaque argentino. Antes de sair, traduziu ainda o pedido da vizinha que vinha da cozinha com um galão de água nos braços “para ser orado”, e emendou à tradução também o seu pedido: “o senhor não podia orar logo pela caixa de água?”
Elói Alves
Leia o primeiro capítulo de As pílulas do Santo Cristo romance de Eloi Alves:
http://realcomarte.blogspot.com.br/2012/10/as-pilulas-do-santo-cristo-1-capitulo.html
Abaixo, pode-se ler também o prefácio feito pelo escritor e mestre em Literautra Comparada pela FFLCH-USP prof. Edu Moreira: http://realcomarte.blogspot.com.br/2012/11/prefacio-de-as-pilulas-do-santo-cristo.html
Adquirir o livro:http://realcomarte.blogspot.com.br/p/as-pilulas-do-santo-cristo-adquiri.html
Essa prática é uma grande bênção de cuja graça deve haver amplo testemunho, inclusive por meio da mídia e da propaganda. Mais ainda: é medicinalmente recomendada uma boa ingestão de água ao longo do dia. Alguns recomendam sete ou oito copos por dia. Isso no entanto não é matemático, como não é unânime a crença e a fé. Com as mudanças climáticas, ou "el cambio climático", como dizia All Gore, ou com a prática de esportes isso pode variar para mais. Para o bom funcionamento dos rins, da circulação do sangue, do equilíbrio da temperatura do corpo etc, a água é vital, e seu uso contínuo pelos fieis (pelos infieis também) deve ser mesmo recomendado, até mesmo porque, no caso de o milagre não acontecer, a água ajudará na saúde do amigo fiel e pio, para que ele não pereça.
Apenas um cuidado. Num pais, cujo saneamento básico ainda é precário, e cujos inúmeros esgotos não são tratados, mesmo em "regiões nobres", é sempre preciso tomar cuidado para não ingerir água contaminada por vírus, por bactérias e por outros organismos microscópicos, mesmo sabendo que a fé não costuma falhar, que a nossa reza é forte e que o “companhero Lula” acabará com a miséria e os esgotos “desse país”.
No entanto, só acordei para essa maravilhosa maneira de se promover o saudável uso da água depois de um certo acontecimento com um amigo meu. Sendo ele ateu obstinado,daqueles que têm carteirinha para entrar no inferno, foi chamado, numa tarde chuvosa em que lia Swift sob os cobertores, pela vizinha crente para explicar a ela o que dizia um pastor gringo que lhe lia uma bíblia diferente. Era um mormo. Meu amigo, vendo o lugar em que se metia, piorou logo o seu inglês aprendido na Austrália, misturando-o com espanhol de sotaque argentino. Antes de sair, traduziu ainda o pedido da vizinha que vinha da cozinha com um galão de água nos braços “para ser orado”, e emendou à tradução também o seu pedido: “o senhor não podia orar logo pela caixa de água?”
Elói Alves
Leia o primeiro capítulo de As pílulas do Santo Cristo romance de Eloi Alves:
http://realcomarte.blogspot.com.br/2012/10/as-pilulas-do-santo-cristo-1-capitulo.html
Abaixo, pode-se ler também o prefácio feito pelo escritor e mestre em Literautra Comparada pela FFLCH-USP prof. Edu Moreira: http://realcomarte.blogspot.com.br/2012/11/prefacio-de-as-pilulas-do-santo-cristo.html
Adquirir o livro:http://realcomarte.blogspot.com.br/p/as-pilulas-do-santo-cristo-adquiri.html
terça-feira, 23 de março de 2010
TREVAS EM BRASÍLIA, 3º apagão em dez dias na capital deste país
Herculano era contra o iluminismo, mas eu nada entendo de filosofias, sei apenas que é necessário haver luz. Mas Brasília, a capital deste país, está em trevas nesta terça feira. É o terceiro apagão em dez dias. Baiano Velho, personagem cego de Alcântara Machado, diz no velho e apagado trem de Maguari que "viver nas trevas é cuspir no progresso da humanidade" Olha, quero convocá-lo ou convidá-lo, cego Baiano Velho, para gritar comigo, pois como haverá progresso e ordem se não há luz? Como poderão trabalhar nossos brasileiros de Brasília? Como poderão trabalhar nossos deputados? Como poderão assisnar seus importantes documentos, mesmo aqueles que são assinados sem ler, assinados em confiança aos colegas de partido? Como poderão viver tranquilos na Câmara, no Senado e no Planalto todos seus habitantes, mesmo que confiem uns nos outros de olhos fechados. O ex-governador Arruda está seguro, é certo, mas viverá tranquilo sem luz, mesmo na carceragem da polícia federal onde está? Não me lembro, mas será que Brasília esteve em trevas outras vezes? Seria seguro viver em trevas em Brasília, seria mais econômico para os contribuintes? No conto de Alcântara Machado,"Apólogo Brasileiro Sem Véu de Alegoria", houve uma revolução, mas em Brasília não será preciso. Será preciso apenas ter luz, sobretudo para que ninguém ponha por engano as mãos nas meias alheias, e tenham mais cuidado na hora de guardar o dinheiro. E olha, isso pode valer até um mandato.
sexta-feira, 19 de março de 2010
Perguntero: O "companhero Lula", a paz no mundo, a guerra dos Estados brasileiros e o Anti-Cristo
O " companhero presidente" Lula foi ao oriente médio assumindo a posição unilateral de portador da paz no mundo, pretendendo a união fraterna dos povos que guerreiam a milênios, para cujo conflito o Apocalipse prevê uma grande união momentânea com governo único.
Ao mesmo tempo, diante do conflito entre os Estados da República Brasileira, que tem de um lado o Rio de Janeiro e o Espírito Santo e os demais Estados do outro, envolvidos no conflito político-econômico dos royalties do petróleo brasileiro, o presidente disse que nada tem a fazer, e que o problema é do Senado, ainda que tudo tenha começado com um projeto do governo federal para arrecadar mais que os Estados produtores de petróleo.
Só resta perguntar, será que o presidente Lula se esqueceu que numa República Federativa, como a brasileira, cabe ao presidente a mediação dos conflitos interestaduais e que a paz entre as nações fraticidas, por sua vez, caberá, segundo o Apocalipse de São João Batista, ao Anti-Cristo???
Por hoje é tudo, amanhã acho que volto não.
Zé Nefasto Perguntero (colunista)
Ao mesmo tempo, diante do conflito entre os Estados da República Brasileira, que tem de um lado o Rio de Janeiro e o Espírito Santo e os demais Estados do outro, envolvidos no conflito político-econômico dos royalties do petróleo brasileiro, o presidente disse que nada tem a fazer, e que o problema é do Senado, ainda que tudo tenha começado com um projeto do governo federal para arrecadar mais que os Estados produtores de petróleo.
Só resta perguntar, será que o presidente Lula se esqueceu que numa República Federativa, como a brasileira, cabe ao presidente a mediação dos conflitos interestaduais e que a paz entre as nações fraticidas, por sua vez, caberá, segundo o Apocalipse de São João Batista, ao Anti-Cristo???
Por hoje é tudo, amanhã acho que volto não.
Zé Nefasto Perguntero (colunista)
sexta-feira, 12 de março de 2010
Coluna do Perguntero: Dilma x Zé Dirceu (estréia da coluna)
Segundo Roberto Jéferson, que desvelou o chamado mensalão, Dilma Rousseff é o "Zé Dirceu de saia". Pergunto: Por essa logica, o Zé Dirceu seria a Dilma de calças?
E diante da declaração da então ministra Marta Suplicy, onde dizia que os passageiros que ocupavam os aeroportos brasileiros com vôos atrasados deviam "relaxar e gozar", um preocupado ouvinte de uma rádio de São Paulo escreveu à emissora o seguinte: "Gozá, nóis goza, ministra, mas pra relaxar não tá dando". A propósito, na hora da turbulência, como a do citado caos aéreo, a ministra relaxa e goza ao mesmo tempo?
Hoje é tudo, volto amanhã não.
Zé Nefasto Perguntero
E diante da declaração da então ministra Marta Suplicy, onde dizia que os passageiros que ocupavam os aeroportos brasileiros com vôos atrasados deviam "relaxar e gozar", um preocupado ouvinte de uma rádio de São Paulo escreveu à emissora o seguinte: "Gozá, nóis goza, ministra, mas pra relaxar não tá dando". A propósito, na hora da turbulência, como a do citado caos aéreo, a ministra relaxa e goza ao mesmo tempo?
Hoje é tudo, volto amanhã não.
Zé Nefasto Perguntero
domingo, 28 de fevereiro de 2010
IMORTAL JOSÉ MIDLIN MORRE EM SÃO PAULO
José Midlin, imortal pela Academia Brasileira de Letras, cuja cadeira de sua propriedade como imortal era a de número 29, morreu hoje em São Paulo por falência múltiplas de órgãos aos 94 anos. Segundo o blog de notícias Folha do Seu Paulo (blogspot), o imortal que também fora diretor da Editora da Universidade de São Paulo (EDUSP) tinha bibliofilia desde os treze anos e um acervo com quarenta mil volumes. Antes de morrer, o imortal Mindlin doou sua biblioteca para a USP.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
A SOBRIEDADE DA EMBRIAGUEZ E A RAZÃO NA LOUCURA
É sabido que já se foi longe e ao fundo, sob todos os aspectos, no sentido de apontar os males de todas as loucuras, de todos os vícios, de toda embriaguez irrefletida e o excesso de zelo a Baco. Já se tem cantado e decantado todas as loucuras dos fanatismos políticos, do ufanismo egoísta e inconseqüente, do fundamentalismo cultural e religioso, do absolutismo teológico e doutrinário, da burocracia da corrupção do Estado e do sectarismo partidário e político, da confiança no capital, no cientificismo e no academicismo. Desde os filósofos mais antigos, antes mesmo dos peripatéticos, desde os oradores romanos, desde a escolástica, se tem condenado os excessos e a ausência de humanidade no homem, bem como, na era cristã, a distância do “Cristo histórico”, ou da humanidade do homem.
Mas se tem, no entanto, esquecido, a função humana e social de toda embriaguez, mesmo sua flagrante razão e, (por que não?,) sua sobriedade. Explicarei isso com a narração de um fato:
Certa feita, durante um dos mais rigorosos invernos que já viu a nossa importante Moscou, em pleno stalinismo, bebiam juntos, já a altas horas da noite, três colegas de copo, ou de garrafa, que apreciavam sempre uma boa vodika. Tendo sido, devido à hora, expulsos da venda pelo vendedor, colocaram-se trambos_desculpe o português na tradução_ trambos os três em marcha ébria para casa. Viram-se de repente frente a uma casinha já quase coberta pela neve e resolveram apertar a campanhia. Nada demorou e veio ao exterior da casa uma senhora entrada nos quarenta, danada nos nervos e já furibunda, falando aos berros:
___Sem vergonha, além do adiantado da hora, chega bêbado e acompanhado. Aposto que vem também sem dinheiro. Hoje...
Antes de mais nada, um dos bêbados, certamente o mais lúcido, cheio de filosofia de garrafa, no auge de toda e calculável razão que pode ajuntar ali, naquele instante decisivo para sociedade stalinista, num passo estratégico e militar, pôs-se adiante, interrompendo e fazendo calar, num instante, sua oponente com as seguintes palavras:
___ Que diabos, minha senhora, fala logo qual dos três é seu marido, que os outros dois querem ir embora.
Com o alento da existência dessa “verdade histórica”, talvez encontre-se também alguma razão ou sobriedade em meio à loucura e à embriaguez do mundo contemporâneo, que na verdade é a loucura do homem.
Mas se tem, no entanto, esquecido, a função humana e social de toda embriaguez, mesmo sua flagrante razão e, (por que não?,) sua sobriedade. Explicarei isso com a narração de um fato:
Certa feita, durante um dos mais rigorosos invernos que já viu a nossa importante Moscou, em pleno stalinismo, bebiam juntos, já a altas horas da noite, três colegas de copo, ou de garrafa, que apreciavam sempre uma boa vodika. Tendo sido, devido à hora, expulsos da venda pelo vendedor, colocaram-se trambos_desculpe o português na tradução_ trambos os três em marcha ébria para casa. Viram-se de repente frente a uma casinha já quase coberta pela neve e resolveram apertar a campanhia. Nada demorou e veio ao exterior da casa uma senhora entrada nos quarenta, danada nos nervos e já furibunda, falando aos berros:
___Sem vergonha, além do adiantado da hora, chega bêbado e acompanhado. Aposto que vem também sem dinheiro. Hoje...
Antes de mais nada, um dos bêbados, certamente o mais lúcido, cheio de filosofia de garrafa, no auge de toda e calculável razão que pode ajuntar ali, naquele instante decisivo para sociedade stalinista, num passo estratégico e militar, pôs-se adiante, interrompendo e fazendo calar, num instante, sua oponente com as seguintes palavras:
___ Que diabos, minha senhora, fala logo qual dos três é seu marido, que os outros dois querem ir embora.
Com o alento da existência dessa “verdade histórica”, talvez encontre-se também alguma razão ou sobriedade em meio à loucura e à embriaguez do mundo contemporâneo, que na verdade é a loucura do homem.
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