Por que a carne é "fraca" e não PODRE? Seria um eufemismo da Polícia Federal? Será, então, que PODRES são os donos dessas empresas sujas e as autoridades públicas envolvidas na falta de fiscalização e recebimento de propina? Qual a punição aos partidos cujas campanhas foram financiadas pelo mau cheiro durante as eleições?
sexta-feira, 17 de março de 2017
quarta-feira, 1 de março de 2017
O CAMPEÃO BLOCO DO MIJÃO
O Bloco
campeão do carnaval deste ano, no centro de São Paulo, é, disparadamente, o
Bloco do Mijão. A prova fática de seu desempenho está no ar, já no início da
tarde da quarta-feira de cinzas, mesmo em locais restritos como a área dos caixas
do Banco do Brasil da Rua Xavier de Toledo, agência de banco público cujas portas
já foram quebras e requebras por vândalos, ostentam sua passagem, ou melhor,
seu cheiro, disputando altivamente os ares citadinos com os pobres produtos de
limpeza, usados para retirá-los, levantando-se entre as narinas inquietas dos clientes.
Em ruas como a
24 de Maio percebe-se, entre a multidão de transeuntes, que o Bloco desfilou
por essas paragens com longa energia, apesar das vassourinhas dos funcionários da Prefeitura
mostrarem um chão aparentemente limpo. Como estive em São Paulo durantes esses
dias, naturalmente já havia observado marcas indeléveis dos excessos da folia,
mas nada como ser convencido pelo próprio cheiro da matéria bruta que se dispersa, principalmente
no day after, quando as fantasias
despedaçadas já não luzem mais o mesmo brilho e a cidade busca, ainda confusa,
respirar seu ar rotineiro.
O Bloco do
Mijão lembrou-me uma outra crônica que escrevi tempo atrás, Odores da Cidade, mas no caso do Mijão,
a diversidade dos cheiros habitual é nula, pois não traz o grito democrático
que aguça todos os sentidos. O Mijão, além de sua largueza, que se dispersa por
todos cantos da cidade, não adota o lema da privacidade dos banheiros químicos,
distribuídos por diversas partes. Talvez, no próximo desfile, incorpore até o
grito contra o desperdício do dinheiro público usado para contratá-los, uma vez
que não se vai mesmo usá-los. Aliás, seu grito principal na folia deve ser o da
publicidade ampla e da transparência irrestrita, de quem não tem o que mostrar, e de optarem por um cheiro único, que é mais
evidente.
Certamente,
como imponte campeão, o Bloco do Mijão voltará no próximo fim de semana, se é
que houve alguma pausa para recarregar as baterias, ou os tanques, sempre pautados
pela alegria imensurável de um compartilhável cheiro só, porque, como disse o
mestríssimo João Adolfo Hansen, lecionando Vieira, qual o critério de fedor onde todo mundo fede junto?
Elói Alves
sábado, 11 de fevereiro de 2017
O MONOPÓLIO DOS PARTIDOS E OS CRIMES ELEITORAIS - Perguntero
No Brasil o monopólio das candidaturas aos Poderes Legislativo e Executivo pertence aos partidos políticos, que são protegidos pela legislação que seus filiados eleitos fazem. Por que não se permitir que entidades civis legalizadas indiquem nomes à sociedade para que esta escolha pelo voto? Mais ainda, por que não se dá ao eleitor, que vota individualmente, também o direito de se candidatar de modo independente de partido político?
Além disso, diante de um Estado onipotente, por que se permitir aos partidos poderes que a própria sociedade não tem? Por que aos partidos não cabe responder por candidatos cuja conduta, mesmo antes da candidatura, é incompatível com a Moralidade Pública? Por que os dirigentes dos partidos não respondem criminalmente por irregularidades e desvios feitos por representantes de suas siglas em casos que deveriam prever? Há alguma razão para não responsabilizar civilmente os partidos nos casos de danos à coisa pública? Por que não banir da vida pública o político condenado de cuja pena não caiba mais recurso? Por que não se cortar o fundo partidário, pago pelo imposto do chamado contribuinte, dos partidos compostos por corruptos?
Por último, qual o papel do eleitor na eleição dos sabidamente corruptos e dos absolutamente incompetentes?
terça-feira, 7 de fevereiro de 2017
A PASSAGEM DE TZVETAN TODOROV E SEU "JARDIM IMPERFEITO"
Hoje, terça feira, 07, faleceu o filósofo búlgaro Tzvetan Todorov, aos 77 anos; uma das mentes mais dedicadas a entender os valores humanos e o mundo da cultura, especializando-se na literatura, filosofia e ciências sociais. No livro abaixo, O Jardim Imperfeito, que li apaixonadamente há alguns anos, Todorov esmiúça a história dos autores humanistas, em que, de algum modo, creio incluírem-se os meus textos; no livro ele vai fundo mostrando como é pobre o entendimento de muitos acadêmicos e intelectuais que limitam o humanismo a determinado período histórico; é uma passagem que julguei realmente útil registrar, ressaltando que sua obra, no entanto, o torna perene.
sábado, 4 de fevereiro de 2017
RETORNO
Antes de tudo, respire fundo
Mas faça-o lentamente
Como uma visita matutina a ti
mesmo
Tocando, ao fim, a essência de tua alma
Tocando, ao fim, a essência de tua alma
Não desconecte-te
Enquanto vitaliza-te contempla à
tua volta
Decifra o canto dos pássaros que
despertaram antes de ti
Se houver montanhas, suba-as
mentalmente
Caminhe lentamente sobre o infinito
Se não estiverem ao alcance de
teus olhos
Feche-os e deixe que a Leveza os
conduza
Ao modo dos passos verdejantes do
poeta
Caminhe agora como se flutuasses
Sobre as pedras de que há
pouco não te desviaste
Pare à Fonte
Sinta-te, sem pressa
Na quietude leve do que é
essencial
Sem o mais que, irrequieto,
vagueia lá fora
E volta a ti numa visita
constante
De quem se ama e retorna com
flores
Elói Alves
sábado, 28 de janeiro de 2017
POLÍTICOS ANALFABETOS E ANALFABETOS POLÍTICOS
O título acima lembra, por um lado,
uma singela brincadeira de jogo de palavras - em que mudando-se a posição das mesmas,
muda-se seu significado - e revela, de outro modo, a horripilante maneira
como as questões políticas, que mexem profundamente com o modo de vida das pessoas,
são levadas sem a mínima seriedade necessária, por ampla parcela dos políticos e
por considerável parte sociedade brasileira.
A
propósito disso, viralizou nas redes sociais um vídeo de curtíssima duração, em que um
político mineiro, ex-vereador, e agora deputado, ao tomar posse, tentava ler
o juramento à Constituição, condição para que fosse empossado. No vídeo, cujo
link ponho abaixo, ele troca a palavra Constituição e, sem ler integralmente
três ou quatro palavras, desiste do juramento, afirmando “não ter
importância”.
A
Constituição da República Federativa do Brasil,
Lei maior que se impõe a todo ato público e privado no território nacional, afirma que “São inelegíveis os analfabetos” (CF, Art. 14, $ 4º) e voto facultativo
para os analfabetos (CF, art. 14, $ 1º, II a). O que espanta, no entanto, é que
reiteradamente pessoas em tais condições são eleitas para uma função pública
cujo ofício principal é exatamente fazer leis que impactam obrigatoriamente toda a vida das pessoas, além da função de fiscalizar a máquina administrativa sob o Poder Executivo,
sem os instrumentos de uma formação básica, rudimentar e fundamental para o bom exercício das
atividades legislativas, em afrontoso desrespeito à Lei Maior do país.
A
culpa não é apenas dos políticos iletrados, individualmente – políticos que apesar
de analfabetos têm, no entanto, suficiente capacidade de convencer pessoas sem
consciência de suas responsabilidades cívicas. O erro é, antes, das organizações
partidárias, que no Brasil gozam de larga proteção legal e, quando se emporcalham,
basta trocar a sigla, ou nome do partido, para estar limpa.
A
lei deveria ser rígida a ponto de banir as siglas partidárias e seus líderes da
vida pública quando não agem de acordo com a decência e o bem público. No caso, é
muito simples, no momento da filiação partidária, que deve, por Lei, vir muito
antes da escolha de seus candidatos, objetar a pretensão à candidatura se o
pretenso filiado não for alfabetizado. Seria simples, também, ensiná-lo a
escrever, ler e interpretar minimamente, e a fazer algumas continhas no
papel, nas próprias dependências do escritório partidário, contratando-se, para
isso, infelizmente por quase algumas moedas, algum professor de português. No entanto, isso não interessa, para eles, e, tristemente, para muito mais gente.
Por
último, deve-se dizer, a conta é também da sociedade, no que toca ao
analfabetismo político, que se verifica na ausência de consciência política, no
desinteresse pelas questões fundamentais da vida pública. Na verdade, o
político analfabeto e o analfabeto político se complementam, se retroalimentam.
Ambos sofrem do mesmo mal e a diferença cruel está no aproveitamento por aquele da situação pela via, digamos, de certa malandragem ou, ainda e também, de sua
instrumentalização pela organização partidária como puxador de votos para a
legenda. (Não custa lembrar que pior que tá não fica)
Lamentavelmente
os índices de analfabetismo funcional (os que leem, mas não entendem o que leem) e
político são, segundo o IBGE, altíssimos no país. São uma grande mazela de fazer
chorar, e não de rir, como faz o político ao não conseguir ler três palavras de
seu próprio juramento de posse, que um medíocre assessor o faria decorar em casa. Aliás, fico mesmo sem saber se ele ri, então, de si ou dos
outros analfabetos políticos de seu estado e do país.
Elói Alves
Vejam o vídeo pelo link abaixo
domingo, 8 de janeiro de 2017
Análise de AS PÍLULAS DO SANTO CRISTO, por Thiago Martins
A
princípio, os três alunos de medicina, Pedro, Silvano e Teodoro resolveram de
alguma forma usar a criatividade para juntar alguns trocados e pagar o aluguel
do local onde moravam e os manter na faculdade de medicina.
Entende-se claramente que
as pessoas que vão até eles, não buscam apenas as pílulas,
cria-se um vínculo onde a afável atenção dos estudantes para com as pessoas que
os procuram serve apenas como um alívio das mesmas. Elas encontram neles o
afago, o amor e confiança para que elas possam desabafar sobre suas vidas e
serem aconselhadas.
O
papel desses estudantes se assemelha a de um psicólogo, até mesmo um padre ou
pastor. Como agradecimento, eles recebiam dinheiro ou outras coisas de valores
como doação e assim se mantinham.
O
autor, Elói Alves, possui um refinado detalhe com o nome de cada uma das ruas e
as características de cada lugar. Isto mostra a veemente ligação entre autor e
a região central da cidade na qual se desenrola a trama narrativa.
O
desfecho desta história é realmente maquiavélico, a bondade
insólita desses três jovens se corrompe, no final dessa história
é visto com reluzência. O que no começo era apenas um plano provisório para
voltarem a se dedicar no curso de medicina, acabou mudando e tido como
principal objetivo para se sustentarem e largarem o curso em seu
último ano.
Aproveitaram-se
da carência e dos problemas de cada pessoa, para conseguirem o que realmente
queriam. Isto é algo corriqueiro em algumas igrejas e vai mais
além, pessoas que ajudam outras apenas pela mídia e repercussão,
visando aonde isso irá chegar e até mesmo empresas fazendo aquelas
campanhas emotivas para mostrarem que elas também ajudam quem precisa. (Exemplo
disso é a música ''Mozão- Lucas Lucco'', onde no clipe ele ama uma garota que é
diagnosticada com câncer e ele a apoia e lhe dá o respaldo em todo momento. Nem
preciso dizer o quanto isso fez bem para a propagação na imagem do cantor,
certo? Não fazendo crítica ao cantor, estou apenas tentando mostrar o
outro lado da moeda).
Agir
pelo bem, não é só um ótimo marketing, como pode lhe trazer rios de dinheiro,
de bônus você ainda se blinda das críticas.
Ai, daqueles que criticam. Pois quando alguém ousa criticar tais atitudes
nobres, será lançado ao fogo.
Thiago
Martins é acadêmico de Direito em São Paulo e autor de textos em prosa.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2016
SOBRE OS NOVOS ÍNDIOS ISOLADOS NO ACRE E A CIVILIZAÇÃO
Nesta semana fotografaram uma nova Tribo pelos lados do Acre; nas imagens eles se escondem entre as árvores,
assustados com o helicóptero tentando captar imagens; são grupos de seres
humanos - calculam uns trezentos - que optaram pelo isolamento total, pelo
afastamento dos “homens brancos”.
Os
agentes do Estado os perseguem pelo alto, para registrá-los, pesquisá-los, catalogá-los...;
daqui me vem a imagem da águia, ou mesmo do urubu, sobre suas caças, e
agarram-nas em voos rasantes contra o solo.
A
ideia, os discursos não mudam muito à época dos colonizadores quinhentistas; civilizá-los,
educá-los, salvar suas almas, protegê-los. Eles, por seu lado, escondem-se,
ocultam-se, embrenhados nas matas; querem ocultar-se e viver suas vidas, em sua felicidade silvestre, longe do
perigo da civilização; numa coragem que no fundo não temos e invejamos;
Escondemo-nos entre a selva de pedras, nas
várias maneiras ou manias ensimesmadas, e, para alguns, no mundo mais interior possível,
no mais íntimo, reconhecendo o perigo dessa vida tida por ideal e máxima da magna societas societatis, e da
qual os indígenas, agora poucos, e outrora muitos, sempre souberam, em sua
sabedoria simples, que no fundo não é nada mais do que é e do que a roupagem esconde.
Elói Alves
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