domingo, 14 de agosto de 2016

ENCONTRO DE AUTORES E LEITORES, em São Paulo - imagens

O Instituto Letrófilo, com apoio das Editoras APMC e Essencial, promoveu ontem o Encontro de Autores e Leitores, em São Paulo. O evento contou com autores nacionais e internacionais e teve como um dos organizadores o escritor Elói Alves.
Abaixo, seguem imagens do evento.



















domingo, 17 de julho de 2016

CONGRESSO PARA FELICIDADE DOS HOMENS




 Vindo de várias partes do mundo, reunindo-se para discutir a felicidades dos homens, um dos congressistas, depois de um longo tempo, notando que um colega, entre tantas vozes que se sucediam e se embaralhavam, nada dizia, embora se mostrasse atento e reflexivo, lhe inquiriu o porquê, como todos, também não tomava a palavra. Ao que, o até ali silencioso, respondeu em tom moderado:

             -A minha boca aguarda as boas palavras de meus ouvidos e dos olhos; estes, que a alimentam, têm, por isso, sempre o direito e preferência antes de minha fala.

               A sua volta, ninguém o bem entendeu ou bem o ouviu e o homem que o interrogara concluiu para si que o outro ou era um sábio ou era um louco.
Elói Alves 


quinta-feira, 14 de julho de 2016

LIVROS DO ESCRITOR ELÓI ALVES


O artista plástico Edu Diniz, ilustrador de Histórias do tio Gerbúlio, novo livro do escritor Elói Alves

sábado, 9 de julho de 2016

A IGNORÂNCIA COMO PROJETO DE DOMINAÇÃO NACIONAL



A ignorância e a má educação sistêmica no Brasil não é- e nunca foi- consequência da ausência do Governo em sua gestão; pelo contrário, é exatamente o seu grande projeto juntamente com os donos do poder cujo plano, infelizmente bem sucedido, consiste em acumular para si toda a riqueza do país, mantendo as camadas inferiores, que produzem essa riqueza com seu trabalho, afastadas dos benefícios dele pela inconsciência de sua exploração e satisfeitas com migalhas que lhes devolvem e iludidas com o circo montado para lhes entreter.
Esse projeto nacional, prioritário para o governo e para a elite econômica a quem os governantes servem, não é algo novo, apesar de todos os problemas que vemos aparecer a cada dia; ele vem da dominação colonial escravocrata, do voto restrito a minorias proprietárias dos latifúndios onde se produzia o açúcar e, depois, o café para exportação. Com a industrialização, as lutas dos trabalhadores por garantias de direitos, melhores salários, melhor saúde e melhor educação, sempre foram tratadas como coisa a ser combatida com uso da força, para cuja tarefa o primeiro instrumento sempre foi a polícia, como hoje, equipada com balas de borracha e outros instrumentos para frear as lutas sociais.
O grande projeto do governo,  e dos governos, para manter as classes oprimidas "pacificadas", isto é em ordem e fazendo a ecomomia progredir, como definia a máxima positivista "ordem e progresso", se dá de um modo mais sutil, como se diz em diplomacia: "soft power", uma dominação suave, um poder sutil ou "doce". Esse projeto histórico e perverso aparece, aliás, como uma aparente ineficiência dos governos em educar o povo, em gerir bem os programas essenciais da sociedade. No entanto, essa ineficiência é algo enganoso; o projeto para manter a maioria dos trabalhadores que produzem a riqueza dos país fora dos resultados dele é muito bem sucedido, ele se concretiza na perpetuação da ignorância, do fornecimento de noções básicas para a classe trabalhadora se inserir no sitema de produção, sem, entretanto, entender bem os mecanismos de exploração de seu próprio trabalho.
A má educação que se tem no Brasil não é, portanto, algo que surge de uma má administração do sistema educacional, ela é um projeto meticuloso que consegue manter milhões de pessoas afastadas da riqueza que ela mesma produz sem que se aperceba de como de se dão as coisas. Tragicamente para a maioria da apopulação e projeto tem sido algo contínuo, cruel e duradouro no Brasil.
Elói Alves

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