quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

DILMA DIZ QUE MOODY`S NÃO SABE DAS COISAS - Perguntero

Dilma disse hoje que agência responsável por rebaixamento da nota da Petrobras não tem conhecimento do que se passa na estatal; curioso que parece que, "como nunca antes", desta vez ela acertou, pois a Moody`s, que retirou o grau de investimento da empresa brasileira, diz que desconhece o balanço financeiro, os valores desviados da Petrobras e se há capacidade de honrar suas dívidas, Aliás será que a Dilma ou seu padrinho sabem exatamente como andam as coisas no desgoverno da Petrobras ou perderam a mão até no que é feito de errado?

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

O ENTERRO DE MÃE MARIA


Dona Maria morreu numa tarde em que as flores da primavera se abriam no imenso jardim das terras que ela herdara de seus antepassados e que se transformara na Casa de mãe Maria, alcunha que surgiu um dia numa conversa qualquer, entre seus conhecidos, e que nunca mais saiu da boca do povo circunvizinho.
Filha única, mas rodeada de tias de cujos pais ouviram muitas histórias de senzalas, de engenhos, de Zumbi, ficou viúva antes dos quarenta anos e, não tendo filhos, pôs-se a cuidar dos moleques que viviam soltos nas ruas, tratando-os como se fossem seus. Tinha uma santa mão para curar bicheiras, fazia remédios para feridas que não cicatrizavam e temperava uma cachaça que arrastava gente de longe, pelo gosto e pelo cheiro. Até o Coronel Botelho, em cuja fazenda passara uma noite o presidente, vinha, vez ou outra, beber sentado à mesa dela, todo redondo com a barriga maior que o jumento que o arrastava por aquelas ruas tortuosas, e sempre fazendo muito barulho com suas risadas que imitavam trovões.
Dona Maria gostava da farra, isto é, da boa risada, da casa cheia, de uma boa prosa; na verdade tinha medo e até horror à casa vazia; não tinha o hábito da reflexão solitária e, quando não conversava, tocava a cantar. Gostava das cantigas antigas, das músicas festivas e trocava tudo por uma patuscada, regada à comida farta.
Quando suas tias foram morrendo e ela ficando mais velha, o antigo casarão de seus pais já era frequentado por uma vasta gente dos arredores e por outros que, vindo de longe, passavam ali um tempo a ouvir histórias, a receber rezas, remédios para diversos males e até prestar serviços naquelas terras.
No dia em que havia morte, ela chamava a “Turma do a arrasta-arrasta” e mandava tocar música noite afora; a não ser que fosse morte trágica, como foi a morte do prefeito Totonho, numa emboscada feia, dia em que proibiu a música e apenas mandou distribuir cachaça, dizendo:
- Também não é preciso tristeza.
Sua morte foi um assombro em toda a região de Serras Peraltas. De todos os lados se viam gentes povoando as estradas e se cumprimentando de chapéu na mão.
-Vamos ver mãe Maria!
-Vamos que é uma despedida tremenda!
Um outro, que chegava a cavalo, vendo as flores que desabrochavam ao longe em uma planície extensa, disse, aparelhando-se aos outros no caminho:
-É a primavera dos sonhos, morre o corpo e liberta a alma.
Dona Maria tinha por essa época oitenta e dois anos e uma alegria de menina festeira; amiga da ordem e da paz, mas inimiga de silêncio comprido: “Isso desagua em tristeza”, dizia ela quando ninguém conversava, e depois completava: “tristeza não manda saúde”.
A multidões que chegavam de longe, no entanto, se surpreendiam. Não encontravam ali um velório ou qualquer aspecto que lembrasse a morte. Encontravam uma algazarra única. Uma festa dos diabos que durou três dias, sem contar as noites, que se acabou, não por falta de tempo, mas, porque se acabaram antes a comida e a bebida, que era com que reanimavam a bagunça.
Ao fim de tudo, o delegado veio ver como ficara a coisa. Muita gente ainda dormia esparramado ao quintal, sob o sol já escaldante; uns quase sem roupa, outros enrolados às palhas de milhos, assados ao longo da festança. Por todo lado se viam ossos de animais e penas de galinha, os barris de cachaça estavam deitados, jogados a um canto. Sob as ordens gritadas pelo delegado, começaram a recolher a sujeira; mesmo cambaleando não houve quem desobedecesse a autoridade.
Logo depois chegou o prefeito no seu velho jipe sujo de lama. Deu umas voltas com o delegado e depois mandou lacrar a propriedade. Uma vez que a defunta não tinha herdeiros, tudo aquilo agora passava à propriedade do Estado.
-Que cada um faça o favor de procurar seu rumo! - sentenciou o prefeito.
Elói Alves

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

SOBRE A SOLIDARIEDADE GOVERNAMENTAL AOS GRANDES CRIMINOSOS

             A reação “indignada” das autoridades do Governo Federal com a execução do brasileiro condenado por tráfico de drogas na Indonésia na realidade não surpreende pelo fato de ser sintomático, mas o tom e a extensão do caso não podem passar despercebidos por tudo que representam.
Representa, antes de mais nada, a contradição dos princípios que o Estado e o governo que o rege afirmam quando apregoam e defendem os princípios inerentes ao Direito Internacional de não-ingerência em assuntos internos de outros Estados e a Soberania Nacional como inviolável.  Esta é a questão de fundo que toca às leis internas ao país vítima do ato criminoso e do qual seu agente, o condenado brasileiro, tinha plena consciência das consequências e tomando em conta que todos os trâmites do processo foram devidamente seguidos e se alongaram por cerca de dez anos.
É sintomático porque os governos petistas se especializaram desde o caso do italiano Cesare Battisti a dar guarida a criminosos de alta periculosidade. Além do mais, o próprio governo em questão colecionou membros corruptos e condenados pela justiça, cuja condenação a seus atos nunca foi feita pelas autoridades políticas de forma minimamente veemente ao contrário da forma “indignada” como a própria mandatária do governo se diz agora. Além disso, de forma absolutamente equivocada do ponto de vista minimamente ético, agentes do governo, como o atual ministro da justiça, se apressaram, no caso da corrupção na Petrobrás, a forjar uma teoria segunda a qual “a corrupção seria normal no país e todos a aceitam e até elegem políticos corruptos”.  Teoria barata logo refutada e descartada, pois a rejeição aos políticos que representam esse governo, juntamente com suas práticas, foi claramente mostrada pelo voto de quase metade dos votantes e por manifestações massivas nas ruas e nas redes sociais.
O fato é que esse governo, como vários outros, não se mostram nem se dizem indignados com a situação das vítimas do tráfico, que assassina a muitos todos os dias, seja pela consequência maléfica da própria droga ao usuário, seja pela execução cruel de seus devedores, seja em confronto entre “soldados do tráfico de facções inimigas na briga pela ampliação do comércio”, ou pelas balas perdidas que matam trabalhadores e crianças e mulheres indefesas, além da morte de policiais mal pagos por esse mesmo governo que não honra os trabalhadores honestos que os sustentam com seus impostos.
 Pior ainda: No Brasil, tanto o Governo como os traficantes já instituíram a pena de morte há muito tempo em seus domínios; o primeiro pela via da corrupção, sempre ampliável, que rouba recursos fundamentais à dignidade da pessoa humana, além do “assalto oficial” na não devolução dos recursos dos altíssimos impostos em serviços públicos eficientes e que, por isso, pessoas sofrem e morrem; o segundo porque julga, pelo tribunal do tráfico, tortura e executa, fria e cruelmente, a quaisquer que queiram. Como se não bastasse, as vítimas de ambos, no âmbito nacional, compõem número populacional que sempre se amplia, mas cujas piedade e indignação de certos líderes governamentais, e de certos defensores de direitos, não as alcançam.
Elói Alves

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

DIA DO lEITOR

Dia 7 de janeiro, comemora-se o dia do leitor, aproveito a oportunidade para parabenizar a todos os amigos que têm o belo gosto de navegar nesses mares de magia, de sonhos e realidade.
Aproveito também para dedicar-lhes este poema, que está no livro Sob um céu cinzento:
 
O ENIGMA DAS PALAVRAS
Quem penetra o mundo das palavras
Que se concentre e desconfie, prevendo o perigo
A cada canto fervilham segredos e armadilhas
Paragens abismais, ocultas por águas mornas
Há garras feias que assustam e nada fazem
E outras que ferem ao fundo e mortalmente
Que diluem a dor e deixam a ferida intacta
E escondem-se com maneiras discretas
Depois, os recantos onde pairam os bálsamos
Em que se banha quem conhece seus caminhos
E aprecia as formas sutis de seus deleites
Mas seus acessos não são francos ou sem riscos
Seus enigmas buscam a entrega, de corpo e alma
Eles não se revelam a quem não traz disposição
Ou guarda empatia com a pressa e a insensibilidade



 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

LIVRO GRÁTIS - disponibilizado pelo escritor Elói Alves em PDF

          Em agradecimento aos preciosos amigos leitores por mais um ano em que me honram com a leitura de meus textos,  estou disponibilizando o arquivo completo do meu livro As pílulas do santo Cristo. Para recebê-lo gratuitamente basta enviar um email com o pedido para:  eloialves75@hotmail.com 
 
       Para quem não conhece a narrativa, abaixo postei o prefácio do romance, escrito por Edu Moreira, escritor, professor de literatura, e mestre pela USP.
   
       "Elói Alves nos leva a uma praça pública para experimentar as Pílulas de Cristo. Para os que têm fé, ou para os que acham que a têm, o autor oferece um pedaço de chocolate que curaria os males da humanidade. Um emplasto aos ignorantes, para lembrar o Bruxo do Cosme Velho epigrafado. Em tom irônico, o autor traça um panorama da modernidade das grandes metrópoles. A escolhida, com não podia deixar de ser, é São Paulo – seu centro, seu cerne, seu útero que pari violência, o estômago que digere a hóstia feita por mãos impuras. Uma organi-cidade onde o jeitinho, a corrupção, a apatia social, o estelionato são potencializados por uma população cansada, pobre e acima de tudo complexada.
      Placeborréia.
     Fé e ciência na verdade são dois lados de uma mesma moeda quando o objetivo é se dar bem. Em seu processo narrativo, Elói mostra a criação de um mito, de um mártir (ou mártires), o que para nosso país não é de fato difícil. Basta boa retórica, olhar carismático: pronto, criam-se mitos e organizações, assim como o PCC, o Comando Vermelho e a Universal do Reino de Deus.
      É mostrada a cidade visceral, repleta de gritos num tumulto amorfo. As ruas do centro tornam-se centopeias e perambulam por si mesmas, em círculos, quadrados, quarteirões e desenhos geométricos vistos de cima, de baixo e do subsolo. Tipos das mais variadas estirpes urbanas são explorados pelo autor. Transeuntes que habitam às margens da lei e da cidade. - Se queres um relógio, terás facilmente, se queres uma carteira do exame da Ordem, terás, se queres um atestado médico terás, se queres o CRM, terás, e tudo isso limpo, limpo. – Porém nada é limpo na literatura de Elói; as relações humanas são rebaixadas ao nível da cordialidade falsa, da educação contraditória, da ajuda traidora e da atenção conveniente.
     (...)"

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

EVENTOS LITERÁRIOS NO FIM DO ANO

 
                                 Lançamento da Trilogia Eupuia, composta por  livros de poemas, crônicas e contos. organizada pela escritora e editora Ana Moraes, com textos meus e de diversos outros autores. O lançamento ocorreu na Biblioteca Rachel de Queirós, no CEU Alvarenga, zona sul de SP
                                Exposição  de meus livros e de outros autores na Biblioteca Rachel de Queirós


                              Evento de fim de ano na Herós processamento de dados, em comemoração de projetos na área de comunicação pelos quais fui responsável.

                                Integrantes da equipe da Héros processamento de dados que participaram do projeto dirigido pelo escritor
                      Participação no último programa do ano da Rádio Tambor, dirigido pelo jornalista e escritor Oswaldo Faustino, no auditório do CEU Alvarenga, zona sul de SP

                                          Lançamento da Trilogia Eupuia
                       Com o músico e poeta Dandy, no lançamento da Trilogia Eupuia, que traz textos dos dois autores e diversos outros, na Biblioteca Rachel de Queirós, SP
                          Bate-papo em SP com o jornalista Paulo Eduardo Martins do SBT sobre literatura e política

Escritor Elói Alves entrevista o poeta e músico Dandy, no lançamento da Trilogia Eupuia



 
A Trilogia Eupuia foi organizada pela escritora Ana Moraes, da Editora APCM e foi lançada no último dia 07, na Biblioteca Rachel de Queirós, no CEU Alvarenga, na zona sul de São Paulo. A trilogia foi dividida em três gêneros: poemas, contos e crônicas para qual escreveram vários autores, entre eles estão o músico e poeta Dandy e Elói Alves, que figura nos três livros.

domingo, 14 de dezembro de 2014

O DEPOIMENTO DO EX-PRESIDENTE LULA NA PF E SEU JULGAMENTO PELA HISTÓRIA

 
     No dia 09, o ex-presidente Lula depôs na Polícia Federal, como testemunha no caso Mensalão, cujo processo levou aliados estratégicos e colegas de partido à condenação. Segundo a Revista Época, Lula foi intimado. Ele teria recebido carta precatória na quinta-feira retrasada (dia 3) e comparecido à sede da Polícia Federal em Brasília na última terça (dia 9). Em setembro, a imprensa noticiou que a PF tentava localizá-lo para depor a sete meses, sem sucesso.
       Outros casos de corrupção que remetem a esquemas de desvios de dinheiro em seus governos, como a corrupção na Petrobras vão deixando o ex-presidente em uma situação delicada. No mensalão, o Procurador Geral fez preferência por não citá-lo, sequer como testemunha, ainda que seu principal ministro tenha sido responsabilizado e depois condenado como chefe do esquema. Agora, a destinação do dinheiro da Estatal compromete vários setores do governo, agentes públicos, executivos de empresas privadas, além de prejudicar acionistas no pais e nos exterior, com consequências judiciais e econômicas para o pais no plano internacional.
         A questão é como ficará a imagem do ex-presidente Lula diante dos fatos que vão aparecendo? Lula perdeu o tom altivo de seu discurso "que tinha mudado o Brasil".Isso foi exatamente em junho de 2003 quando milhões de pessoas foram às ruas do país questionando o governo e os políticos de forma geral. Na ocasião, todos, inclusive Lula, sumiram por algumas semanas, quando a única voz que saia na imprensa era a das ruas. A imprensa não pode escondê-lo nem defender os políticos, como faz muitas vezes. Desde então, Lula vem perdendo claramente muito de sua influência, Prova disso é que foi depor agora, num processo já praticamente encerrado - muita gente não noticiou isso.
            A pergunta mais importante agora é, como Lula se sairá diante das revelações dos novos escândalos, que apontam para o maior caso de corrupção da história? Terá influência suficiente para sequer ser citado como responsável, ao menos político, já que era o chefe do executivo federal, responsável pelas nomeações? Terá ainda outras implicações? Qual o nome com que ele ficará para história como presidente e como chefe político mais importante neste período? Qual será sua imagem para as novas gerações, qual será a interpretação de sua fala mais famosa reiterada amplamente por ele em seus governo: "nunca antes nesse país"?
Elói Alves

 
         

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