sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

CICLO DE PALESTRAS



        Iniciando ciclo de palestras sobre língua e comunicação, gêneros textuais, oralidade e escrita em Itaquaquecetuba. Com início ontem, 16, os próximos encontros serão realizados ao longo de todo o primeiro semestre do ano.
         Muitíssimo grato ao dr. Arthur Del Guércio, por seu gentil convite, e, pela receptividade, a toda sua prestimosa equipe.
Elói Alves

domingo, 12 de janeiro de 2014

TIO GERBÚLIO ASSUME OS SERVIÇOS DA CASA

      Era domingo. Dona Prudência, pela primeira vez desde que se casara, tinha caído doente e, muito contrariada, se sujeitou às ordens do médico, que lhe receitara repouso absoluto e algumas pílulas amargas, que ela tomava com café e o dobro de açúcar.
      Gerbúlio, solícito em tudo, deixou a missa e o costumeiro passeio na feira para substituir a mulher nas tarefas de casa. Mandou que o menino brincasse no quintal, à frente da porta, e principiou o serviço com uma varredura geral. Depois passou ao fogão, de onde, deixando o feijão no fogo alto, correu ao tanque, ensaboando e esfregando as roupas que a mulher separara na véspera.
      Depois de verificar onde Gerbulinho brincava, saiu em vistoria pela casa à cata de outras roupas sujas. À porta do banheiro, passou a mão numa toalha molhada e perguntou à mulher, parando na entrada do quarto:
      -Oh, meu bem, não tem por aí mais alguma roupa precisando lavar, só encontrei aqui esta toalha?
      -Ora!- disse de dentro a mulher- têm esses panos de bunda aí do teu filho no cesto. Tu não tem nariz, não, homem?
Jão Gerbulius Sobrinho
 
Lançamento do livro Contos humanos, de Elói Alves (imagens)

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

SOBRE OS CONTADORES DE HISTÓRIA NOS HOSPITAIS


           Terminei há pouco a leitura de uma história tocante que mostra o percurso da Associação do contadores de história para crianças hospitalizadas. A narrativa tem o feliz acerto de não dramatizar o sofrimento, de não por o foco na dor, mesmo quando relata casos, em si tocantes, de pacientes em fase terminal. A história é antes de tudo uma mostra de que amar o ser humano ainda é possível neste mundo insensível, que é possível promover a dignidade humana para quem está com a vida por um fio. Fico especialmente enternecido por ver o valor que a literatura humanística e não comercial tem neste trabalho difícil e pungente. Só quem consegue transcender a superfície pode visualizar e experimentar o que por ali vai. Parabéns aos áureos contadores Valdir Cimino e Iraci Ciritelli e a todos que fazem esse angélico trabalho.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

A DOR DE DILMA PELOS CORRUPTOS PRESOS - Perguntero

     
     Fiquei realmente tocado pela ultra sensibilidade que a mandatária do Planalto demonstra agora com a situação dos políticos condenados e presos por corrupção e que ela mesma chamou em entrevista sua a rádios de "questão humanitária", referindo-se ao ex-presidente de seu partido, o político Genuíno.
        Interessante, não há mais que quatro ou cindo dias que seus amigos e colegas de partido e de governo estão presos e já há toda disposição para se lhes amenizar as consequências da condenação. Pergunto; e quanto ao povo roubado nos seus impostos pagos com trabalhos árduos em condições às vezes sub-humanas, em condições, como de muitos, em escolas, fábricas, hospitais sem as mínimas condições de se trabalhar com dignidade e com impostos - destinados à roubalheira - taxados na fonte, descontos e mais descontos, não será também o sofrimento dos trabalhadores honestos uma "questão humanitária"? Será também que os condenados por corrupção estão a sofrer mais que as outras centenas de milhares de presos pelo país? Será que a rápida sensação de sofrimento agudo tem a ver com a diferença de vida que levavam antes, agarrados a mamatas no governo?
           Acho interessante esse apego da alma de Dilma à alma dos corruptos e lamento apenas que não se compadeça tanto assim com os milhões de doentes que não dispõem de um hospital de ponta pago por trabalhadores como os petistas Lula e Genuínos e outros tiveram e têm.
           Agora, e quanto aos outros bandidos, ladrões e presos comuns, ela também terá esse sentimento "humanitário" ou seria só aos seus "companheiros de luta"? Pois é, vejam que a luta sempre continua ainda que tenham posto o bordão de lado.
Perguntero



Contos humanos, novo livro de Elói Alves

 lançamento no próximo dia 27, quarta feira, na Praça Roosevelt, 118, São Paulo das 19,00 às 22,00 h.

Convite:

Prefácio de Contos humanos:
            

domingo, 17 de novembro de 2013

A POLÍTICA E O AMOR ENTRE PAI E FILHO

Domingo, à espera do almoço, pai e filho conversam ao sofá da sala. O pai tenta costurar os rumos da conversa:
         -Basta de amores! Troquemos de assunto!
         -Mas estou curioso desses seus namoros antigos, pai.
 -Realmente, são coisas antigas. Falemos de política, que a grande rainha, que é tua mãe, vem chegando...
 -Mas política...?
 -Melhor! Falemos de políticos, mas dos grandes, dos maiores.
 -Não sabia deste teu interesse...
 -Sim, interessam-me os grandes, os grandes homens. E onde será, senão na política, que os teremos? Sim, na política, como ciência e como vocação.
         -É Weber, não é?
-Sim! Weber emergiu de uma época política esplendorosa, a magnífica transição do século que deu à luz à ciência política para o século da tecnologia, para o saber avançado, para o entendimento entre os homens.
-Entendimento...? Mas justo aí, a guerra...
         -Sim! A primeira grande guerra deu-se nesse tempo e coube aos seus grandes homens a condução do mundo que herdamos, cheio de progressos. Mas deixa-me ir adiante, lembrando de alguns nomes...
-Claro!- fez o rapaz com um gesto para que o pai prosseguisse.
-Veja que mente teve o grande estrategista político que foi Maquiavel! Que visão de mundo! Que amplitude de percepção! Sem ele certamente a Itália não seria hoje a Itália que conhecemos, unificada e sólida. Todos seus sucessores - e não só em sua terra - grandes e pequenos, beberam em sua fonte: O Príncipe. Veja também D. Sebastião...
-O português? Mas o pai fala assim só dos antigos...
         -Sim. Este rei das conquistas sobre os mouros, de tantas glórias, de tantas vitórias, deixou também o legado da esperança de sua volta, que é também a esperança de felicidades para os homens.
-Um mito, um ideal...
         -Sim. E está aí a outra face de sua força. Como o sangue de Caim, que, depois de morto, clama aos céus desde a terra.
         -Mito e transcendência...
-Ambos dentro da política, que é a realidade. Sem política não há sonho - e ela já é sonho – sem sonho não há esperança e não há transcendência. A transcendência só pode surgir da política e do sonho, que é a realidade e a esperança de mãos dadas. Da realidade junta com a esperança transcende-se para um novo mundo.
         -Não sei... não consigo ver isso assim no meu tempo...
         -Fiquemos um pouco em terra lusa. Quem senão a esperança sebastiana para gerar as conquistas e glória de seu povo? A expansão de seu reino e de sua política para civilizar tantos povos, para levar a ciência e propiciar a transição dos novos mundos para a prosperidade nunca imaginada, para um salto tão amplo em tempo tão curto, surgindo a ciência e a felicidade no reino e no seio da política.
         -Mas a história também está manchada de sangue; as disputas desiguais, o extermínio do vencidos...
         -Sim! Mas veja, disputas passageiras de dois mundos que se cruzam em um breve tempo. O que chega, faz breve sombra ao que se vai, e que se demora ainda, a contemplar o noviço e esplendoroso que o substitui. É a vida! A vida saudada pelo seu tempo, viçoso e jovem, esbelto e risonho.
         O pai ergue-se um pouco e pega um cigarro em cima da cômoda, o filho vai à janela e vê a mãe saindo, e logo volta-se a ouvir o pai, que continua:
-E a morte, no derradeiro minuto, no último instante do velho edifício que tomba e se vai; vai-se, para o encontrar de seus iguais, que já se foram e o chamam para o lado de si, para um sono único.
O filho, desviando-se da fumaça, interrompe de novo a fala do pai:
-Já podemos voltar a falar dos seus amores, pai, que a mãe saiu para os lados da feira.
O pai, apagando o cigarro, volta à história de seus amores antigos, com a mesma paixão e saudade com que há pouco falava de política antiga, como se esta fosse nada mais que uma imagem ou metáfora de alguma deusa escondida em sua época juvenil.
Elói Alves



Prefácio de Contos humanos:

 Leia o primeiro capítulo de As pílulas do Santo Cristo  romance de Elói Alves:
http://realcomarte.blogspot.com.br/2012/10/as-pilulas-do-santo-cristo-1-capitulo.html



domingo, 10 de novembro de 2013

DO QUE MAIS GOSTO EM VOCÊ?

Do que mais gosto em você:
De seu olhar, sereno e calmo,
De suas palavras soando como salmo,
No seu singelo jeito de dizer?

Como se pode, então, priorizar,
Se se divide, diversa, sua beleza,
Numa amplitude de toda natureza,
Afastando-se e juntando-se de para em par?

Se seus pés são belos,
Seus olhos são singelos,
Formando tudo uma mesma inteireza.

Come se poderá assim escolher,
Se a parte eleita é a própria incerteza?
Porque a certeza é inteira: é você!
Elói  Alves


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

LANÇAMENTO DO LIVRO CONTOS HUMANOS, DE ELÓI ALVES

     A Editora Linear B e o escritor Elói Alves têm o prazer de convidar a todos para o lançamento do próximo livro do autor, Contos humanos, que terá o prefácio de Jácomo Fácio Neto e o posfácio do escritor Edu Moreira. O lançamento ocorrerá no próximo dia 27, quarta feira, na praça Roosevelt, 118, no Restaurante e bar do Doca, entre 19:00 e 22:00 h. A praça Roosevelt está localizada ao lado da Igreja da Consolação, entre as estações do metrô Anhangabaú e República. O livro custará R$ 30,00 (dinheiro ou cheque).

Prefácio do livro:

Link do convite no facebook com mapa do local:  https://www.facebook.com/events/1381244985429626/?fref=ts

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