Pulou a biografia e a introdução e foi à primeira parte, onde leu encantado: “Mude e mude-se! Você, se quiser, poderá mudar até o mundo. Comece mudando o que há de mais comum em você. Mude a roupa! mude a comida! Mude os hábitos! Faça coisas diferentes. Viva os dias de um modo diferente! Faça que cada dia seja diferente! Troque o que há de comum em cada dia! Troque-o pela noite! Troque seus horários! Troque a noite pelo dia e quando perceber, sua vida já estará mudada”
Soltou o livro sobre a mesa e levantou-se decidido a mudar tudo, radicalmente. Mudar a sua própria vida. Saiu da biblioteca às pressas pela porta de entrada, ignorando as chamadas do guarda. Chegou em casa e foi direto ao chuveiro, decidido a tomar banho frio, mesmo com a baixíssima temperatura que trazia aquele dia de inverno. Esvaziou o guarda-roupa para procurar uma peça diferente. Mas tudo lhe parecia velho demais para sugerir uma mudança. Resolveu correr para comprar roupas novas, antes que as lojas se fechassem, naquela noite gelada.
Saiu da garagem mais rápido que de costume, como se estivesse realmente mudando de hábitos. E, seja como for, não colocou o cinto de segurança. Decidiu mudar de faixa rapidamente, para não precisar reduzir a velocidade e bateu no carro de polícia. Foi socorrido desacordado ao hospital, onde voltou a abrir os olhos dias depois, enfaixado e vestido com uma roupa estranhamente diferente.
Elói Alves
Prefácio de As pílulas do do Santo Cristo, romance de Elói Alves:
Primeito
capítulo:
Segundo
Capítulo:
