sexta-feira, 8 de abril de 2011

COM A CORDA NA LÍNGUA

Há cordas, a corda. Acorda!!!
Concordas tu que nos amarre,
Com cordas tu ao pescoço?
Vocais essas cordas amarradas,
Nem de cor, nem in cor
Sair batidas dos acordes.
Sem acordos, assim,
Comendo açorda ,
Só há discórdia.
Concórdia, só um largo,
E muito largo.
Nem concórdia, pois,
Entre os cordatos,
E sem acórdãos e concordância,
E menos cordial com essas cores.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

NUNCA E PARA SEMPRE

Nunca e Sempre são os advérbios que não nos pertencem,
Na invejável estreiteza das propriedades humanas,
todavia vestidas de luxo e grandeza,
Cobertas da inconsciência e da razão.
As mais longas partes do eterno tempo são as que JAMAIS se dão a posuir.
Por ora podem os homens senti-la em seus lábios e enviá-las aos ouvidos, de si e de outrem, numa sensação de domínio ou perda, de vitória ou derrota, em riso e choro, euforia e dor.
A racionalização do tempo, a ditadura do relógio (etc) são apenas o lado frágio da pretensão do homo-sapiens; a filosofia de Descartes tem seu calcanhar de Aquiles maior do que se imagina. Keynes também o confessa, indicando a previsão de "curto prazo" como meio prático de resolução dos problemas humanos.
Mas o momento de agir é um dilema dos homens inerenete a suas propriedades inconscientes; o tempo sempre lhes escapa entre os vãos dos dedos. Deveras na iminência do momento da ação há também os descaminhos do "Por quê ?" e "do como ?"
É na emergência onde mais se apresentam o "nunca" e o "para sempre", no calor da irreflexão. Mas a emergência está no caminho dos homens, desafiando e exigindo a previsão e o cuidado. Ela não pode ser eliminada e é mais danosa que o descontrole do tempo nas mãos humanas.
Usando os versos de Henry Longfellow:
"Forever-never"
"Never-forver"

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

QUEM TIRIRICOU EM 2O10?

A democracia garante e deve garantir o direito a tiriricar.
E também o de não o fazer; como eu, que não tiririquei e, pelo que imagino, em questão de preparo e adequação ao cargo, deva ser o meu escolhido a posto político, jamais tiriricarei.
Mas no Brasil não se vota pela capacidade e preparo nem por princípios morais e administrativos, geralmente. Severino Cavalcante sempre deu péssimas entrevistas, mostras de toda arrogância e preconceitos contras as diferenças, gaguejava ao ler diante das câmaras e ao mesmo tempo foi forte rei do “baixo clero no congresso federal até o “grande dia” em que foi levado ao topo para presidi-lo. Foi derrubado pelo “mensalinho”, já pelo nome uma corrupção considerada menor. Na verdade havia perdido a sustentação política. O primeiro governo do PT havia batido cabeça, apoiou mais de um candidato à presidência do congresso e, frente ao seio enfermado pela bagunça, teve de beijar a face de Severino, de quem já se dizia seria sempre “governista”, como o foi de fato.”. Obrigado a renunciar, Severino teve espaço e posto políticos garantidos, sendo eleito prefeito de sua cidade, com o apoio do presidente Lula.
O já diplomado deputado Tiririca não é ingênuo. Não tem grande preparo em questões de ciência política nem muito contato com a cultura letrada, o que é necessário em quaisquer altos cargos na complexidade do mundo atual. No entanto, ele sabe o que quer e não é ingênuo; sabe cativar, sobretudo nas camadas sociais em cujo mundo a complexidade do raciocínio cartesiano é estranha e até repelível. Ademais, a simplicidade é atributo fundamental a qualquer orador, seja a um Marco Túlio Cícero, com De oratore, seja a um Tiririca.
O que poderia ser chamado estranho é que no Brasil a irresponsabilidade da brincadeira, do protesto inócuo, da inconseqüência, a descrença nas instituições e na classe política e até a indignação são misturadas no mesmo lugar; o que leva a uma confusão até gente com alguma maior capacidade e certa formação acadêmica. No limite há aí também a ideia de que a política não é séria. E esta questão não é simplista e esteve presente na campanha de Tiririca .
Além do mais, os grandes campeões de voto no período da abertura política tem sido os candidatos que apelam a estratégias que passam longe do preparo para com as coisas republicanas. Coisas que por serem públicas exigiriam mais rigor de todos, mas não no Brasil. O dr Eneas apelou muito mais ao aspecto fantástico e extraordinário que ao seu preparo intelectual. Tornou-se campeão de votos literalmente no grito. Não ia às ruas, dizia seu nome a partir da tv e o povo votava. Quase foi presidente; como deputado, elegeu a si e a outros que não tinham votos. Quando teve mais tempo, não elaborou o discurso pela via da coisa pública, mas preferiu apenas referir-se a barba que havia retirado, por motivo de doença. A final, “com barba ou sem barba” o seu nome era “Eneas”. Por certo ângulo elaborou um perfil que lembrava o fascismo.
Nos últimos anos, um grande equívoco de percepção política tomou conta do país. Na verdade isto é do antigo jogo do “faz de conta”. A mudança de pessoas, como a chegada de Lula ao poder no Brasil, bem como a de Obama nos EUA, de Cristina na Argentina ou de Evo na Bolívia, de Zapatero, do partido socialista obrero, na Espanha e ainda Lugo no Paraguai não produz mudanças estruturais no mundo. O controle econômico, o controle institucional, o controle das áreas estratégicas, como o decisivo monopólio das redes de comunicação, o acesso à complexa jurisprudência, das carreiras mais importantes nas primeiras universidades do mundo está reservado a uma classe restrita. À classe média em suas subdivisões sobram conformadamente coisas menos importantes e a outros as migalhas permitidas pelo incontestável crescimento econômico e científico-tecnológico do mundo moderno.
Algumas coisas referentes a macro e micro estruturas do Brasil são fáceis de se verificarem. Nas questões econômicas, basta ver em que áreas o pais domina e quem são as pessoas ou famílias que dominam essas áreas. Ainda na primeira, veja-se o controle dos meios de comunicação. Na outra ponta, o povo brasileiro é frágil e alegre e ingenuamente aberto ao conducionismo político e religioso. Não é a toa que o país é grande produtor de ideologias de tipo teológico, de magias e curandeirirsmo e ao culto das faclilidades mais adaptáveis que lembram As Raizes do Brasil, de Buarque de Olanda. E os paises que importam esses produtos são os menos desenvolvidos, sobretudo da África. Na maioria das universidades se ensinam conteúdos como ortografia e regência. Na administração de Paulo Renato, um analfabeto foi aprovado em vestibular para direito no Rio de Janeiro, o que o obrigou a baixar uma portaria específica que exigia redação. O atual ministério não foi ainda capaz de organizar com eficiência uma prova como o ENEM. Bom, dizem que o Brasil está de mudança, para onde será que vai, além da UNASUL?

domingo, 14 de novembro de 2010

BRASIL DE MUDANÇA!!! (de volta o Pergumtero)

Segundo a propaganda política das últimas eleições, "o Brasil está mudando".
Daí minha dúvida: Seus políticos vão com ele? E todos no mesmo voo!? Uma beleza!
Alías, qual é mesmo o destino??
Como já é de senso comum, o Brasil é o País do futuro. E, para o escritor Gore Vidal, ele " sempre será!" Assim, estariam todos se adiantando??
Bom, eu me recuso a ir; fico por aqui, numa digna volta econômica.
Zé Nefasto Perguntero

sábado, 6 de novembro de 2010

Dilemas do limão

Estou mal e preciso de um limão.
Um bom limão faria bem contra minha gripre;
Mas veja a situação!
Que a tal preço, faria mal para meu bolso.
Um limão é sempre amargo,
(Como tenaz oposição)
Mas a preço largo
faz um azedume do diabo.

RÉPLICA E TRÉPLICA

__Quem fez este mundo não tinha um projeto mais agradável?
__Éstá óbvio! Não fez as maravilhas de que os são os ceus?
__Ah, muitíssimo claro, e do lado superior, e com intervalo no meio; para que o homo sapiens não lhe defecasse a cabeça, nem o cheiro lhe chegasse tão fácil.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

DO QUE MAIS GOSTO EM VOCÊ?

Do que mais gosto em você:
De seu olhar, sereno e calmo,
De suas palavras soando como salmo,
No seu singelo jeito de dizer?

Como se pode, então, priorizar,
Se se divide, diversa, sua beleza,
Numa amplitude de toda natureza,
Afastando-se e juntando-se de para em par?

Se seus pés são belos,
Seus olhos são singelos,
Formando tudo uma mesma inteireza.

Come se poderá assim escolher,
Se a parte eleita é a própria incerteza?
Porque a certeza é inteira: é você!

Lançamento do livro Contos humanos, de Elói Alves, dia 27 de novembro:
http://realcomarte.blogspot.com.br/2013/11/lancamento-do-livro-contos-humanos-de.html

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