terça-feira, 19 de outubro de 2021
CONSIDERAÇÕES SOBRE O MEIO AMBIENTE COMO BEM PÚBLICO
sexta-feira, 15 de outubro de 2021
GRATIDÃO AOS MESTRES
terça-feira, 7 de setembro de 2021
BREVE ANÁLISE DO POEMA 'CAMPOS DO JORDÃO', DE ARTHUR DEL GUÉCIO NETO
Abaixo, compartilhei uma breve análise do poema Campos do Jordão, do escritor e poeta Arthur Del Guércio Neto, cujos textos tenho lido prazerosamente.
Campos do Jordão
A nossa conexão
Tem raízes em outra dimensão
Penso eu
Fincadas no coração
Ainda criança e adolescente
Tive a felicidade de experimentar o seu encanto
Não só baseado no frio
De que as pessoas falam tanto
Verde Natureza
Azul Céu
Águas em cachoeiras
Que escorrem como um véu
Em 2005 fui em ti morar
Para minha jornada como Tabelião iniciar
Foram lindos 7 anos
E um até logo acenar
Mesmo à distância
Não consegui me separar
E após alguns anos
Com uma Jordanense vim a me casar
Daí por diante, cada vez mais me preenchi de
Campos do Jordão
Com o ar inflando o pulmão
Tive a honra de receber o título de Cidadão
(Jordanense)
E a ti Campos do Jordão entregar os meus filhos
Nada mais justo
A quem tanto me doou
Sem nada pedir em troca
Em minha vida se consolidou
Nesse constante vai e vem
Guardo comigo
Uma grande e absoluta certeza
A de ti não viver SEM!
Análise do poema
O azul céu
Já de início se nota a cuidadosa construção
artística, com a forma usada para construir o ritmo, as rimas, em sua
elaboração alternada que forma uma deliciosa cadência, com uso de rimas ricas, como
se vê em par “encanto/tanto”(2ª estrofe), surgindo uma notável sonoridade poética, com a bem
trabalhada diversidade das categorias gramaticais.
Por todo o poema se espalha
sensibilidade poética e um lirismo que reflete o eu-lírico na pessoa do próprio
poeta, seu encanto pela cidade que o recebe e que dele recebe gratidão retribuída.
Ainda, no mesmo soprar lírico, os
encantos verdejantes, o “Azul
Céu” e “Águas em cachoeiras” “escorrem como um véu”, numa
bela integração com a natureza vitalizada e iluminada pelo olhar poético, somente
possível pela sensibilidade que não se integra à mesquinhez do imediatismo e da
ação apressada e míope que amarelece o verde e escurece o azul do céu.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2021
Comunicação e Língua Portuguesa
Este texto foi escrito para o blog jurídico DG, que comemora seu 4º ano
A
comunicação humana, verbal ou não verbal, é uma via de mão dupla entre emissor
e receptor, uma vez que este decodifica ou interpreta a mensagem daquele.
Quando se esquece disso, independentemente do tipo de linguagem em uso, se
coloquial ou formal, corre-se o risco de não ser compreendido. Deve-se isso ao
aspecto social da comunicação, que envolve necessariamente o outro, em que o
locutor precisa ser minimamente eficiente no trato do código linguístico para
ser compreendido por seu interlocutor, a pessoa com quem pretende se comunicar
objetivamente.
Nesse sentido, faz-se necessário o conhecimento da
língua e, por conseguinte, de sua gramática, que expõe seu funcionamento, seja
do ponto de vista pragmático, histórico ou normativo. No dia a dia alguns descuidos
no uso de expressões linguísticas podem dificultar o sucesso da comunicação.
Exemplo disso é o uso incorreto de ir de encontro no lugar da expressão oposta
ir ao encontro.
Ir de encontro significa discordar de, portanto, traz a ideia de
confronto. Um exemplo desse uso: Minha conclusão vai de encontro à sua. Aí
expressa-se divergência entre as conclusões dos interlocutores. Ao contrário, ir
ao encontro apresenta a ideia de concordância, de
convivência harmônica entre pensamentos, por exemplo. Por isso, a confusão no
uso dessas expressões pode gerar incompreensão, os chamados ruídos ou, de fato,
ausência de efetiva comunicação.
Outro equívoco recorrente aparece no uso dos parônimos, vocábulos cujas grafias se parecem, mas que trazem
significados diferentes e, até, opostos. Entre eles aparecem os pares deferir (atender) e diferir (divergir, distinguir-se), eminente (elevado) e iminente (prestes a ocorrer), descrição (descrever algo ou alguém) e discrição (de discreto), emigrar (deixar um país) e imigrar (entrar em um país), flagrante (evidente) e fragrante (perfumado), fusível (que funde) e fuzil (arma de fogo), imergir (afundar) e emergir (vir à tona), inflação (alta dos preços) e infração (falta, delito), ratificar (confirmar) e retificar (corrigir), soar (de som) e suar (transpirar), tráfego (trânsito) e tráfico (comércio ilegal).
A convite do dileto Doutor Arthur voltaremos
brevemente à análise das questões linguísticas referidas acima, esperando,
gratamente, pelos gentis amigos leitores.
link do artigo no DG: https://www.blogdodg.com.br/artigo.php?id=84
sexta-feira, 15 de janeiro de 2021
SOBRE 'O DIÁRIO DO GATO TOM', DE CARLOS TORRES
“Pôs
em mim dois olhos de gato que observa”
Machado
De Assis
Quando
recebi a notícia da publicação de “O DIÁRIO DA GATO TOM, de Carlos Torres, fiquei
feliz como um paciente que recebe do médico as boas novas para sua saúde.
Embora
se tratasse de um livro infantil, que, por natureza, diferiria de suas crônicas
ou contos para leitores maduros que eu já conhecia, a perspicácia do gato como
narrador-personagem me encantou logo. Assim que o li, as impressões se
confirmaram.
Mas
não é de técnica narrativa que se trata, simplesmente - digo eu, e acho que com
acerto. A relação afetuosa e fraternal entre Carlos e Tom é peculiar da pessoa
humana e do profissional, editor e diretor cultural, do ser sensível que não metamorfoseia
sentimentos e posturas diante do mundo, da pessoa analítica e meiga ao mesmo
tempo. Como o gato, carinhoso e perscrutador, personagem do livro.
Há
algo de alter ego, de quem vê no outro - e no próprio gato -, empaticamente,
a semelhança que temos perdido uns dos outros; semelhança que um dia se disse
de Deus. No Gato Tom, Carlos olha pela janela do mundo e encontra um espelho,
onde enxerga o desejo humano de ser, a esperança de andar até alcançar e de se
erguer diante dos desafios e realizar(-se): de escrever o seu diário.
O
livro, publicado pela Editora Essencial, tem ainda belas ilustrações de Yanna
Líllian, com posfácil de Vanda Felix.
Elói
Alves
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